quarta-feira, setembro 23, 2020
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Bandeira faz ressalvas ao MP do Futebol e critica a Ferj.

Estadão
– Conselho fiscal autônomo, balanços auditados de forma independente e punição
para dirigentes por má conduta. Tais práticas de gestão, tão comuns no
linguajar corporativo, passaram a fazer parte do dia a dia do Flamengo. À
frente do clube rubro-negro desde 2013, Eduardo Bandeira de Mello tem
trabalhado para modernizar a gestão do clube.

“Sempre
há o risco de dirigentes agirem de maneira irresponsável para conseguir resultado
esportivo imediato”, afirma Bandeira de Mello.
Além
de instituir a Lei de Responsabilidade Fiscal, algo inédito entre os times
brasileiros, o Flamengo é a favor das exigências de gestão da MP 671, que visa
a refinanciar dívidas de clubes.
Para Bandeira
de Mello, o Flamengo, que se reestruturou após ver a dívida do clube bater R$
750 milhões em 2012 – no último ano antes do início do seu mandato –, pode
estimular mais mudanças na gestão no futebol. “Se o Flamengo pôde
[implementar práticas de gestão], por que os outros não podem?”. Confira a
entrevista:
Qual a sua avaliação sobre a MP do
Futebol?
É um
bom ponto de partida, mas existem pontos que precisam ser aperfeiçoados. O
artigo 8.º pode ser totalmente suprimido. Ele interfere na gestão de risco dos
clubes, ao exigir que todas as receitas transitem por uma conta única.
Os clubes estão preparados para aderir?
Não
tenho a menor dúvida de que os clubes poderão aderir. O Flamengo estava numa
situação muito ruim há dois anos e hoje pode dizer, com orgulho, que já cumpre
todas as contrapartidas do artigo 4.º da MP 671. Se o Flamengo pôde por que os
outros não podem?
Qual é a dificuldade de gerir um clube
como empresa?
Em
clubes como o Flamengo, que têm uma torcida muito grande, sempre há o risco de
dirigentes agirem de maneira irresponsável para conseguir resultado esportivo
imediato. Isso foi a fonte de todos nossos problemas aqui no clube.
A Lei de Responsabilidade Fiscal resolve
essa questão?
Com a
mudança estatutária fica muito mais difícil. A lei é boa também para nossa
captação de recursos, para reduzir taxa de juros, e para aumentar a segurança
de investidores e credores. Empresas, patrocinadores e investidores dão valor
para práticas de gestão.
Qual o principal entrave para a
modernização da gestão?
Eu
entendo que a gestão do futebol tem evoluído de uns tempos para cá. No caso do
Rio, se você olhar a Federação de Futebol do Estado (Ferj), você vai chegar à
conclusão de que as outras federações são “exemplos” de modernização.
A Ferj pratica exemplos do que não se pode fazer, em termos de administração.
É viável economicamente romper com a Ferj?
Seria
uma bravata minha falar agora que criaremos uma liga. Estamos estudando a
viabilidade jurídica e política dessa alternativa e de outras. O fato é que o
Fla não pode se desfiliar por conta de punições previstas no estatuto arcaico
da Ferj. Estamos trabalhando por uma saída que garanta o mínimo de
modernização, rentabilidade e atratividade ao futebol do Rio.

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