domingo, setembro 27, 2020
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Bandeira rechaça vaidade, projeta CT, estádio e patrocínios.

O
GLOBO – Presidente do Flamengo, o administrador Eduardo Bandeira de Mello, de
62 anos, nega que tivesse papel secundário em sua gestão e descarta existência
de acordo para que abrisse mão da tentativa de reeleição. Ele admite
dificuldades no futebol, mas promete um clube mais forte a partir do ano que
vem.
Como reage à tese de que era mero
coadjuvante da sua própria gestão?
E
ainda me chamam de personalista. Três, quatro pessoas se acham responsáveis por
tudo que foi feito e relegam pessoas que deram seu sangue, tempo e prestígio
pelo Flamengo. É uma contradição. O ideal seria debater essa eleição no campo
das ideias. Se eu era Rainha da Inglaterra, esqueceram de me avisar. Se isso
provocou algum tipo de decepção neles, não é culpa minha. Eu fui eleito
presidente do Flamengo e estava trabalhando com uma equipe que é excelente e a
maioria continua comigo. Pessoas comprometidos com o Flamengo, sem nenhum tipo
de vaidade, que estão reconstruindo o Flamengo há três anos. Se algumas dessas
pessoas se revelaram vaidosas ou decepcionadas por não terem um protagonismo,
eu não posso fazer nada.
Existia um acordo para você não se
reeleger?
Nem
escrito, nem combinado. De forma alguma, tanto é que nenhum deles teve ainda
coragem de dizer isso na minha cara. Quem disser diferente está mentido. Não é
acordo que se faça. Aliás, houve um acordo. Em outubro de 2014, todo seles,
juntos, me pediram para ser candidato. Depois, em 10 de novembro, na casa do
Rafael Strauch, todos concordaram que eu tentaria a reeleição.
Wallim presente?
Não
sei se estava nessa, acho que estava. Mas, se não estava, estava no dia
seguinte. Teve outra em janeiro, no escritório do Rodolfo Landim, com todos
presentes, em que a gente já começou a discutir os detalhes da chapa. Quem
seria presidente do Deliberativo, do Conselho de Administração. Se alguma coisa
pode ser chamada de acordo, é isso.
O que mudou?
Uma
semana depois, o Bap saiu de maneira deselegante, anunciando que iria formar
uma chapa. Ele saiu atirando, com ofensas pessoais, dizendo que ia me derrotar
e ia levar algumas pessoas do grupo. Após quatro meses as pessoas que ele
nomeou realmente foram. É do jogo democrático. Mas daí a falar que houve um
acordo e que eu renunciaria a qualquer pretensão eleitoral é mentira.
Na sua opinião, o que induziu à ruptura?
Foi
uma questão pessoal do Bap, que se sentiu desconfortável e o pretexto que ele
arrumou para sair foi que eu teria feito acordo com a federação, o que soa
ridículo. Hoje quem está defendendo acordo com a Federação são eles. Os outros
acompanharam por questões que cabe a eles dizerem, de amizades, profissionais,
comerciais…
Comerciais?
Não
sei se eles têm negócios entre eles, mas isso é especulação. O fato é que a
maioria esmagadora do grupo continuou unido e, se tudo correr bem, vamos ficar
mais três anos.
Vices de pastas específicas como Finanças
e Marketing, importantes na reestruturação do clube, estão hoje com o Wallim. É
possível dizer que seu grupo se enfraqueceu tecnicamente?
Não. O
Conselho Diretor do Flamengo, na verdade, é como um Conselho de Administração
de uma sociedade anônima. O clube é tocado pelos executivos. Foi uma promessa
de campanha que foi cumprida. O grande segredo do Flamengo é ter uma
administração profissional. Dos dirigentes amadores, o único que dá dedicação
exclusiva sou eu. Os outros vão uma vez por semana para uma reunião, formular
estratégias, têm papel extremamente importante. Todos opinam no conselho de
administração. Dos 15 vice-presidentes do Flamengo, dez têm capacidade de atuar
nas Finanças, porque são executivos na área financeira. Sem desmerecer o
Rodrigo Tostes, que é excelente quadro. Assim como ele contribuiu em diversas
áreas. Nas Finanças, quem toca o dia-a-dia é o Paulo Dutra, que é o CFO do
clube. Não faz o menor sentido alguém tentar se apropriar de um mérito que é do
grupo todo.
Foram formados dois grupos menos fortes?
Não
diria menos fortes porque ninguém é insubstituível. Saiu o Rodrigo Tostes,
entrou o Claudio Pracownik, um expoente do mercado financeiro, banqueiro. Na
área de planejamento, com todos os méritos do Rodolfo Landim, voltou o Flávio
Godinho, o 001 da chapa azul original. Na área de comunicação, saiu o Gustavo
Oliveira e chegou o Antonio Tabet, que é uma contratação a nível de Guerrero. Na
administrativa, entrou o Humberto Motta, de renome nacional. Existe uma
evolução natural, que vai continuar. Fizemos o dever de casa, recuperamos a
credibilidade do clube, mas o trabalho não se encerrou. Vamos continuar
evoluindo ao longo do tempo. Isso vai se refletir no futebol, onde vamos poder
partir para outro grau de investimento, e acho que essa evolução é continua.
E as insinuações de que a posição de
presidente subiu à cabeça, por causa do excesso de selfies?
É
natural o presidente do Flamengo ser reconhecido e, se está fazendo um bom
trabalho, as pessoas expressarem seu carinho. Isso não sou eu, é o Flamengo.
Seja quem for, o presidente do Flamengo tem um protagonismo. Ninguém tira foto
comigo por eu ser bonitinho. Tira foto comigo por ser presidente do Flamengo.
Não sei se eles querem foto comigo também. Se for o caso, eu tiro foto com
eles.
O Wallim é elegível?
Sim,
considerava em 2012 e para mim não mudou nada.
Não foram tímidos os avanços com relação
ao CT?
Foram,
mas estávamos arrumando a casa. Provavelmente, daqui a um ano já teremos a
parte profissional completamente concluída. O esforço que fizemos para aprovar
o Profut agora está se revelando importante para o fluxo de caixa. O Flamengo
vai ter um alívio a partir desde mês de R$ 1 milhão por mês. Isso porque o
Flamengo é, talvez, o único clube brasileiro que já cumpre todas as
contrapartidas da lei. Então, só sobra a parte boa: o alívio financeiro.
Por que foi tão difícil encontrar um
modelo de gerir futebol?
Nós
aprendemos muito. Erramos e estamos aprendendo a gerir futebol. Todos nós
trouxemos da vida empresarial e profissional uma experiência muito grande na
parte administrativa, financeira. A gestão de futebol tem segredos que não são
tão simples de desvendar. Futebol não é ciência exata. Um dos erros que a gente
reconhece foi que na primeira metade do primeiro mandato nós tratamos o futebol
de forma muito empírica, na tentativa e erro, no “Vamo lá, moçada”.
Isso foi corrigido e aplicamos métodos científicos.
Quando foi essa mudança?
Final
de 2014, início de 2015.
Mas de 2014 para cá, foram quatro
treinadores diferentes.
Sim,
mas quando eu falo de métodos científicos, falo de investimento na base,
inteligência em mercado e excelência em performance. O que não significa que
não possa substituir treinadores, que é uma característica do futebol
brasileiro.
Mas os times que tiveram sucesso nos
últimos anos não foram os que mudaram treinadores.
Isso é
causa ou consequência? Não trocou os treinadores porque foi campeão ou foi
campeão porque não trocou treinadores? Vários clubes não trocaram e foram
rebaixados. Vários trocaram e foram campeões. Acho que isso é algo que temos
que evoluir: nós, imprensa, até chegar em um modelo mais estável.
Mas por que a cultura externa interfere na
cultura do Flamengo.
Você
tem um treinador que você pode achar que está fazendo um bom trabalho, mas ele
perde três partidas seguidas, vários colegas de vocês mandam whatsapp
perguntando se vai substituir. Isso começa a refletir. Acontece no futebol
brasileiro e não é só no Flamengo.
Mesmo com novos métodos, há muita critica
também com contratações recentes
Você
está entrando numa seara em que eu não sou especialista.
O índice de acerto não continua ruim?
Acho
que não. Durante a passagem do Vanderlei (Luxemburgo), que era uma pessoa
centralizadora, você teve contratações indicadas por ele. O Jorge é uma
revelação, mas você não podia dizer no ano passado que ele entraria para
resolver. Sequer era convocado para a seleção brasileira. O pessoal da base já
apontava um futuro promissor para o Jorge, mas ninguém podia garantir quando
iria estourar. Ninguém nega que o Armero era um jogador para ser contratado.
Isso sem falar dos outros: Guerrero, Sheik, Alan Patrick, Ederson…

No futebol, Wallim disse que você era mais
comunicado do que ouvido.
Eu
prefiro não baixar o nível da campanha. Se eu confiava nele no início da
administração, é porque achava que podia confiar. Poderia dizer que não deveria
confiar pelo caso Renato Abreu, pela demissão do Jayme, a negociação do
Elias… Se ele falhou, como todo mundo falha, o responsável sou eu, porque
confiei. Faço parte do comitê do futebol. A partir do momento em que notei que
a confiança não poderia ser mais da maneira que era, eu me aproximei. Mas a
administração é tocada pelos profissionais. No caso, o Rodrigo Caetano,
subordinado ao Fred Luz.
O caso do Elias poderia ser diferente?
Não
vamos levar isso para a disputa eleitoral, mas o Flamengo sequer foi lá para
falar com o Sporting. Esse tipo de negociação você trata de outra maneira. Não
pode simplesmente trocar e-mail e deixar na mão de procurador. Uma contratação
estratégica como essa, já que ele era o jogador mais importante do Flamengo,
merecia ter tido um tratamento mais dedicado. Portugal fica logo ali. Vai lá e
conversa.
Como serão os quatro primeiros meses de
2016 do Flamengo?
Se formos
à Libertadores, vamos jogá-la. Caso contrário, faremos os jogos da Sul-Minas,
as fases iniciais da Copa do Brasil e amistosos, torneios. O Flamengo é atração
em qualquer lugar que vá. Fomos desfalcados ao Espírito Santo para um amistoso
e faturamos R$ 600 mil. O triplo da maior arrecadação do Carioca de 2015. Se
jogar com o time principal, amistosos, pequenos torneios, pode ter um produto
infinitamente melhor do que o Carioca. Se um dia puder voltar a um Carioca
menor, de forma atrativa em que clubes se respeitem, pode ser feito.
Não há possibilidade de o time do Flamengo
entrar em campo em qualquer jogo do Estadual? Nem numa final?
Não. A
menos que todas aquelas condições sejam atendidas: redução da taxa da Ferj para
5%, transparência no acesso ao dinheiro da TV e das placas, gestão
transparente, acesso ao que é feito com o dinheiro da Federação. Já conversamos
com TV, CBF e patrocinadores sobre isso, por questão de respeito. A gente não
se importa de perder dinheiro. Mas o Flamengo também vai oferecer aos seus
patrocinadores boas alternativas. O que fizermos será melhor do que o Estadual.
Um Fla-Flu em Manaus é melhor para o patrocinador do que um jogo contra o
Quissamã.
Mas para estes amistosos também seria
preciso aval da Federação…
É
verdade. Vamos pedir autorização e, se não conseguir, vamos à CBF. Não adianta
tentar solução tranquila em todos os aspectos. Em alguns momentos é preciso uma
transgressão para ter uma evolução.
Quais os planos para a questão do estádio?

projetos paralelos. O Maracanã fechará para as Olimpíadas. Flamengo e
Fluminense têm projetos, um deles pode ser a reedição da arena na Ilha do
Governador. Caso não seja possível, o jeito é partir para jogar fora do Rio
mesmo. A longo prazo, desde 2013 trabalhamos em duas frentes. O principal
objetivo é ter o Maracanã para o Flamengo em condições razoáveis. Até num
acordo em que o clube possa ser concessionário, total ou parcialmente. Não
depende só do clube. Então, conversamos com grupos empresariais para ter um
estádio próprio. Não dá para fazer promessa falsa de estádio novo, com
empreendimento comercial na zona portuária. Não existe este terreno. Tem que
ser em local mais remoto, mas com acesso para as pessoas. No ano que vem, vamos
decidir qual alternativa seguir. E, em paralelo, é perfeitamente possível ter
estádio pequeno dentro da Gávea para jogos menores, jogos da base.
O modelo atual de convivência do Maracanã
não agrada?
Não
agrada, mas a decisão não passa de 2016. Após a interdição para as Olimpíadas,
temos que decidir se ficamos ou saímos. Temos confiança de que é possível ter
uma equação boa para todos no Maracanã. O governo, até agora, não nos tirou as
esperanças.
Quando imagina ter a arena do basquete
funcionando?
Em dez
meses após o início da obra. O projeto já passou pela CET-Rio e falta bombeiros
e Meio Ambiente. Não vai demorar. Neste ano ainda devemos ter a liberação
definitiva.
Há críticas ao fato de que todos os
patrocínios terminam, juntos, no fim do ano? Diante da crise no país, não é um
risco?
É
natural que terminem no fim do ano e já estamos conversando com todos. Está bem
encaminhado. Vamos estar cobertos de patrocínio no ano que vem. Criaram um
terrorismo de que só vai ter patrocínio se um todo poderoso estiver à frente. E
ainda me chamam de personalista. Não entendem que o todo poderoso é o Flamengo.
A conjuntura é complicada, mas acho que não vai prejudicar o Flamengo.
Em 2013, a primeira auditoria da sua
gestão mostrou uma dívida de R$ 580 milhões e uma provisão de R$ 170 milhões
para eventuais perdas judiciais. Não é uma redução tímida de endividamento?
Não. A
provisão é a prática contábil correta. Devemos acabar o ano com uma dívida de
pouco mais de R$ 500 milhões. O relatório do Itaú mostrou que o Flamengo é o
único dos grandes que está reduzindo seu endividamento. E estes R$ 500 milhões
incluem provisão também. Hoje, o balanço do Flamengo é auditado por empresas de
primeira linha e, se não tivesse provisão, teria ressalvas na aprovação.
Na última eleição, seu grupo acenou com
uma melhora mais rápida na capacidade de investimento. Os resultados esportivos
ainda não estão abaixo?
Diria
que o Flamengo está em sétimo no campeonato e está abaixo do sétimo em termos
de investimento no futebol. Hoje, a comparação de investimentos não é real
porque o Profut não está em operação, as obrigações da nova lei ainda não
vigoram. Há clubes que ainda têm um investimento irreal, ainda praticam apropriação
indébita e operam acima da capacidade. No ano que vem o cenário é mais
favorável. Com o Profut e com a continuidade da nossa melhora financeira.
O que faltou para o programa
Sócio-Torcedor ter números maiores?
Não
quero parecer eleitoreiro, mas virão novidades. De fevereiro para cá, cresceu
40% com novas parcerias e um relacionamento melhor com o sócio.
Mas os números atuais são próximos do que
já houve perto da Copa do Brasil. Não há uma adesão volátil?
Quando
o cara está a fim de sair, sai. Quanto melhor o time, se trouxer um Guerrero
por mês, tende a melhorar muito. É bola de neve. A recuperação financeira
melhora o time, que melhora o Sócio-Torcedor, que melhora as finanças. Mas
estamos fazendo novas parcerias, o relacionamento com o sócio melhorou. Vem
novidade para o sócio de fora do Rio. Dizem que estamos em sétimo lugar no
número de sócios. Não é bem assim. Há clubes em que o cara deixa de pagar e
fica seis meses no cadastro, ainda. Se considerarmos a receita, se não somos o
primeiro, somos o segundo. Se somar com bilheteria, já que alguns dão ingresso
e o Flamengo não dá, aí o Flamengo é disparado o primeiro. Já é um sucesso.
Pode melhorar muito.
É possível ter novos “Guerreros”
em 2016?
Não é
impossível. O Flamengo, com sua recuperação, estará agora atento a estas
possibilidades. Mas sem prejuízo do aproveitamento da base. O Flamengo já foi
um clube reconhecido por isso. E perdeu a excelência. Agora retomamos.
A máquina está sendo usada na campanha?
Por que a fachada da sede ficou azul?
É um
empreendimento que fez uma parceria com o Flamengo no início do ano, aprovado
por toda a diretoria. E quem critica, estava lá na época. O logotipo da
propaganda é azul. Fizeram aquela representação ridícula e esqueceram que
aprovaram. O céu vai continuar azul e o futuro do Flamengo também.

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