segunda-feira, setembro 21, 2020
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Belluzzo revela contato do Flamengo com a WTorre.

Foto: Paula Almeida/UOL Esporte

UOL: Ao
mesmo tempo em que convive com desavenças com a WTorre, o Palmeiras também
comemora o sucesso do Allianz Parque. Na última terça, por exemplo, mais de 40
mil pessoas prestigiaram o clássico contra o Santos e atingiram o recorde de
público na nova versão do antigo Palestra Itália, aberta ao torcedor desde 19 de
novembro de 2014.

Quem
mais comemora os números expressivos é Luiz Gonzaga Belluzzo, ex-presidente do
clube alviverde e responsável por assinar o contrato com a construtora, ainda
em 2010. A WTorre possui o direito de explorar o espaço até 2044 – 30 anos a
partir do primeiro evento aberto ao público; neste caso, o jogo entre Palmeiras
x Sport, pelo Brasileiro de 2014.
O
antigo mandatário, agora afastado da vida política do clube, concedeu uma
entrevista exclusiva ao UOL Esporte para conversar sobre os erros e acertos da
arena palmeirense, que possui média de público de 33.794 pessoas e renda de
pouco mais de R$ 2,1 milhões por partida.
Belluzzo
admite que alteraria alguns itens no contrato assinado lá atrás, mas defende
ferrenhamente o sucesso do novo palco para jogos do clube alviverde, que soma
seis vitórias e um empate no Allianz Parque neste Campeonato Brasileiro.
Para
defender a tese de um sucesso pleno do acordo com a WTorre, Belluzzo compara a
arena palmeirense com a corintiana. “Tem que levar em conta as
circunstâncias e os aspectos de negócio. O Corinthians deve uma grande quantia
por causa do estádio (parcelas de R$ 5,7 milhões por mês, com o custo total de
R$ 1,6 bilhão), enquanto o Palmeiras só recebe, só tem participação nas
receitas. Palmeiras só cedeu o terreno”, declarou.
Confira
os temas abordados e a conversa do UOL Esporte com Luiz Gonzaga Belluzzo:
Desentendimentos entre Palmeiras x WTorre
É tem
essa questão aí de arbitragem, que vem lá de trás, sobre as cadeiras. Palmeiras
está tendo um lucro brutal com o estádio. Foram R$ 85 milhões no ano passado, o
mesmo que recebe da televisão. É uma discussão sobre detalhes, coisas
marginais. Palmeiras recebe toda a renda do futebol e tem a ver com o estádio,
com o Avanti; o Avanti cresceu por causa do estádio.
Entretenimento x futebol
O São
Paulo vive fazendo show no Morumbi e às vezes joga fora. A arena é um centro de
receitas para o Palmeiras. É difícil eles se acertarem, não tenho procuração da
WTorre. Eles (construtora) vão lá, discutem e fazem os shows, e o Palmeiras
realiza os jogos lá. Simples. Qualquer lugar do mundo civilizado se faz com
isso. Se tiver um jogo ou outro que tem que sair, tudo bem. É muito fácil
estabelecer o calendário que permita que se faça os jogos. Muda o jogo, combina
com a CBF; a CBF vive mudando data. Como o estádio é um sucesso, tem nego lá
que torce pelo fracasso. (…)
O
estádio foi concebido para ser um centro de receitas, de geração de receitas.
Sabemos que não dá mais para sustentar o clube só com vendas tradicionais. É um
bom projeto separar o clube do futebol; no futebol, as finanças são de outra
natureza. O time tem que ser autossuficiente, mas os clubes não são. Palmeiras
deu um passo para alcançar isso, e sou suspeito para falar. Importante é ter
conseguido assim, e, do meu ponto de vista, está funcionando melhor do que
esperava.
Sucesso ou fracasso?
Palmeiras
fatura mais com a arena, tanto que já pagou R$ 20 milhões ao Paulo Nobre.
Palmeiras vai pagar as despesas do acordo com o Paulo Nobre em cinco anos. Tem
que olhar as coisas com certa frieza, aí você perde a serenidade. Em toda a
parceria tem dificuldades, tem interesses contrapostos.
Qual
outro clube que fez um contato deste? Agora tem uns dez que estão atrás da
WTorre fazendo um contrato parecido. Muitos clubes como Flamengo e Fluminense
procuraram a WTorre. É muito complicado lidar com clube de futebol pelos
valores que conversamos; é muito complicado, é outra lógica, é a lógica da
paixão.
Defesa sobre o acordo firmado e comparação
com o rival
Tem
que se levar em conta as circunstâncias e os aspectos de negócio. O Corinthians
deve uma grande quantia por causa do estádio, enquanto o Palmeiras só recebe,
só tem participação nas receitas. Palmeiras só cedeu o terreno. (…) Estádio
vale R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão, este é o valor presente, fazendo uma
projeção das receitas diante do que está acontecendo. Sempre é uma aposta. O
patrimônio de R$ 1 bilhão que o Palmeiras enfiou no seu balanço sem ter que
pagar um tostão. Cedeu o terreno, que nem tinha valor, não poderia vender,
cedeu o uso do terreno.
O
estádio foi construído desta maneira porque quem fez o contrato avaliou a
localização em uma cidade que tem muita inclinação; portanto o estádio carrega
um potencial econômico da cidade, da região e da torcida. Aquela região lá, a
Zona Oeste, a maioria dos moradores é palmeirense, então isso estabelece uma
relação próxima entre os torcedores e o estádio. Tem uma sinergia muito forte e
positiva entre o estádio e os arredores.
Tem
que levar em conta tudo isso. O Corinthians não vendeu os naming rights, e nem
vai conseguir, nem vale nada. O Palmeiras, por outro lado, viu a Allianz
comprar na hora, ninguém é bobo. Palmeiras recebeu R$ 30 milhões, fora outras
propriedades que a Wtorre conseguiu vender.
Nível de satisfação com os resultados
O
melhor contrato é o qual você não entra com nada e ganha tudo. Mas, claro, tem
que repartir com os parceiros, ver se é vantajoso para você. Diante do que a
gente antecipou do que a gente tinha, um estádio obsoleto e com problemas de
manutenção e de conservação, o que o Palmeiras fez foi se livrar. Quem paga os
gastos de manutenção é a WTorre, quando o Palmeiras joga, aí sim ele paga as
despesas. Tirando isso, pagaria jogando em qualquer estádio. O Palmeiras tem um
resultado líquido muito bom. Então acho que a gente tem que avaliar com este
ponto de vista.
Mudaria alguma coisa no contrato, olhando
para trás?
Se eu
tivesse certeza do sucesso do estádio, que não tinha, – quem disse que sabia o
que ia acontecer antes é um charlatão – mudaria algumas pequenas coisas.
Apostava que poderia dar certo o estádio, mas se tivesse a certeza do que
aconteceria, eu talvez mudasse algumas cláusulas do contrato, mas não acho que
isso seja relevante. Nem imaginei que a arena teria esse sucesso.
Mudaria
certamente algumas coisas, rediscutiria com eles (WTorre), mas não acho que
isso seja correto fazer, apenas se tivesse pensado lá atrás. Tinha muita gente
que queria virar sócia do estádio, palmeirenses notórios. O atual presidente do
Palmeiras (Paulo Nobre) se apresentou querendo ser sócio do estádio, mas
desistiu da empreitada. É muito difícil fazer essa avaliação. Se eu lá atrás,
eu soubesse que iria dar certo como deu, teria rediscutido a repartição das
receitas ao longo do tempo.

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