Cabeça fria e coração calejado: Flamengo aprendeu a vencer.

Jogadores do Flamengo agradecendo apoio da torcida na Ilha do Urubu – Foto: Gilvan de Souza

ESPN
FC
: Por Marcos Almeida

Depois
de começar o ano pensando na conquista da América e ver o sonho da Libertadores
se esvair – pela terceira vez consecutiva – na fase de grupos, fica difícil
encarar esse time do Flamengo como um legítimo vencedor. O trauma só passará
com títulos e quando, enfim, nosso clube fizer uma campanha digna no torneio
continental; mas foi-se o tempo de remoer a ferida. A verdade é que, por mais
que ainda não tenha se mostrado um vencedor, o Flamengo tem, sim, sabido ganhar
seus jogos, nas últimas semanas.
A mais
nova prova foi a vitória diante do São Paulo, nesse domingo, na Ilha do Urubu.
E se os preços dos ingressos são incompatíveis com tudo aquilo que o Flamengo
representa, a aura do estádio condiz com a força histórica do time quando joga
em casa.
Legal
testemunhar que nem só o grito da Nação é capaz de arredondar a bola em seus
momentos de maior quadradismo. A qualidade de nossos jogadores fez o truncado
primeiro tempo terminar em boa vantagem rubro-negra: 2 a 0. Grande cobrança de
falta de Guerrero e excelente triangulação entre o peruano e Everton Ribeiro,
finalizada no sem-pulo de Diego. Placar aberto aos 38 minutos, fechado aos 42’.
Precisando
reagir, no segundo tempo, o São Paulo teve a posse. Viu, por várias vezes, o
Flamengo fazer marcação um tanto branda, distante. Ainda assim, a melhor chance
foi nossa, com Diego e Guerrero, em três chutes no mesmo lance. Impecável desde
que vestiu o Manto Sagrado, Rhodolfo salvou o gol de Cueva, em cima da linha.
Um susto, aos rubro-negros, e nada muito além. Como contra Santos, Ponte Preta
e Chapecoense, novamente o Flamengo soube vencer. Não se expôs, não correu
grandes riscos e conseguiu marcar mais de um gol, para que algum eventual
problema lá atrás não viesse a nos custar pontos no campeonato.
De
resto, o de sempre. Chances criadas, chances perdidas, deficiência na saída de
bola. Márcio Araújo e Cuéllar não têm comprometido, mas ainda estão longe de
formar a dupla ideal de volantes que queremos ver. Trauco segue alternando boas
e más partidas e “Pará ou Rodinei” parece ser o maior enigma já visto no Brasil
desde a primeira publicação de Dom Casmurro.
Com a
cabeça fria e o coração calejado, a gente percebe que o time incapaz de fazer
melhor campanha que o Atlético-PR dificilmente ganharia a Libertadores. Além de
o grupo aceitar sorrindo duas derrotas, o goleiro titular era fraco, o reserva
um garoto, Gabriel era opção e a zaga tinha em um de seus pilares o “vistoso”
futebol de Rafael Vaz. Não à toa, depois da tragédia, foram contratados
Geuvânio, Rhodolfo e Everton Ribeiro.
Os
últimos, aliás, os melhores da vitória sobre o São Paulo, ao lado de Guerrero.
E. Ribeiro, em diversas ocasiões, fez papel de meia. Veio buscar jogo, levantou
a cabeça, tentou o passe mais agudo, algo para desmontar a defesa adversária.
Já a nossa defesa se montou com a redescoberta do futebol de Juan e a chegada
de Rhodolfo, até agora um zagueiro excepcional, nesses 3 jogos que fez pelo
Mengão.
2 a 0,
sem grandes apuros, de um Flamengo que soube e mereceu vencer. Que enfrentava
dificuldades, mas já era superior no momento em que Guerrero sofreu falta clara
de Petros, cobrada com excelência pelo próprio atacante, ao que tudo indica a
cerca de 9,15m da barreira.

Se tem
gente se afundando ainda mais em crise é por um simples e explícito motivo: o
Flamengo venceu.

Por: FlaHoje

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