sábado, setembro 19, 2020
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Cabeceava como se chutasse com o crânio.

MAURO
CEZAR PEREIRA
: Flamengo, XV de Piracicaba, Grêmio, Verdy Kawasaki, Santo André,
Palmeiras, novamente Flamengo, Lecce, Boca Juniors, Atlético Mineiro, Ponte
Preta, Fluminense e Anápolis. Foram 12 clubes e centenas de gols, 98 com a
camisa rubro-negra, com a qual começou. Dispensado, voltou desacreditado para
ser ídolo, artilheiro, campeão.
Contra
o clube que o revelou, em 1988 virou goleiro do Palmeiras quando Zetti se
machucou e defendeu dois pênaltis batidos por Zinho e Aldair, que seriam
campeões mundiais com a seleção seis anos depois. Naquele Brasileirão, quando o
jogo acabava empatado os times decidiam a parada nos penais. Ele prometeu:
“Vou pegar”. Cumpriu.


No ano
seguinte Bebeto trocou a Gávea por São Januário na mais polêmica transferência
de um jogador entre Flamengo e Vasco em toda a história. Na busca desesperada
por um novo artilheiro, os rubro-negros o repatriaram. Voltou cercado de
desconfiança, afinal, na base nunca se destacou. Mas já era outro jogador.
Limitado
tecnicamente, se aprimorou absurdamente nas finalizações, principalmente de
cabeça. Quando a bola voava em sua direção, desferia petardos violentos e
indefensáveis. Cabeceava como se chutasse com o crânio. Virou ídolo e brilhou
inclusive contra o Vasco, de Bebeto. Ganhou o Brasileiro de 1992, Copa do
Brasil em 1990, Campeonato Carioca 1991, Taça Guanabara e Taça Rio.
Fez gols
em finais contra Fluminense, no Estadual, e Botafogo, no Brasileiro. Em 1991
marcou um tento de cabeça no grande arqueiro Navarro Montoya na Libertadores
que fez o Boca Juniors o contratar. Não foi bem na Argentina, mas no Flamengo
deixou bela história, conquistou o povo com muita entrega e arremates
certeiros. Teve a sorte de contar com Júnior e suas faltas para alimentar
muitas cabeçadas.
Era
parceiro de Renato Gaúcho nas noitadas e em campo, na volta do camisa 7 ao
Flamengo em 1993. Comemorava gols de maneira irreverente, como na imitação do
personagem “Seu Boneco”, e batia pênaltis (bem) ficando bem perto da
pelota. Dava entrevistas divertidas e virou tremendo personagem do futebol
carioca.
Luís
Carlos Tóffoli, gaúcho de Canoas, completou 52 anos em 7 de março. Dez dias
depois, morreu em São Paulo. Acessando vídeos com seus gols no Youtube, revi o
goleiro Zé Carlos, do Flamengo, e o também goleador do Fluminense
“Super” Ézio, assim batizado pelo narrador Januário de Oliveira.
Ambos também se foram.
Tinha
a minha idade e perdeu a luta contra o câncer. Você percebe o tempo passando
quando morre um jogador que tanto entrevistou. Simplesmente o melhor cabeceador
que vi no futebol. Valeu, Gaúcho! Você foi um grande.

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