sábado, setembro 19, 2020
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Cacau Cotta diz que gestão de Bandeira foi uma catástrofe.

O
GLOBO – Luís Claudio Cotta, 44 anos, funcionário do Tribunal de Contas do
Município e ex-vice-presidente social da gestão Patrícia Amorim, é um dos três
candidatos à presidência do Flamengo, em eleição que será realizada em 7 de
dezembro e o primeiro a ser entrevistado pelo GLOBO.

O GLOBO: Conte um pouco da sua trajetória
no clube.
CACAU
COTTA: Meu primeiro cargo foi como diretor social do Fla-Gávea. Depois passei
para vice-presidente do Fla-Gávea e, no segundo ano, assumi a vice-presidência
de administração. Por isso que falo que muitos contratos importantes passaram
por mim. Tanto de jogadores como os de TV, da Adidas, com a seleção holandesa,
com o comitê olímpico americano.
Não é pouca experiência para chegar à
presidência?
Depende,
os meus adversários estão concorrendo sem passar por cargo nenhum do clube.
Acho que tenho muita. Acho até que deveria existir esse item para que a pessoa
passasse no mínimo cinco anos como conselheiro e alguma vice-presidência, o que
nenhum dos dois passou. Inclusive, um foi impugnado por falta de vida
associativa e o outro candidato tinha pouca frequência nas reuniões do
conselho. Eu tenho muito mais experiência do que os outros dois.
Considera o Wallim elegível?
Eu
acho que se valeu para uma eleição, tem que valer para a outra. Não é uma
questão de interpretação, é uma questão estatutária. Se ele não teve tempo para
a outra eleição, ele não vai ter tempo para esta. Agora, é uma questão do
conselho de administração do Flamengo e da comissão eleitoral. Eu não estou
aqui para julgar.
A atual gestão é melhor do que a da
Patrícia?
No
automarketing, foi a melhor disparada de todas. Nas conquistas, uma catástrofe.
O museu não saiu do papel, o estádio próprio não tem nem uma ideia do que vai
ser, a Gávea, CT, Morro da Viúva, casa de São Conrado abandonadas, o esporte
olímpico, à exceção do basquete, abandonado. O automarketing foi maravilhoso,
mas as conquistas necessárias para fazer o Flamengo grandioso… Um sócio-torcedor
com apenas 70 mil onde você limita o acesso por boleto bancário é uma
catástrofe. Na gestão anterior, houve erros e acertos. O Flamengo tirou o CT do
papel, o Morro da Viúva foi negociado para virar hotel. A empresa faliu e foi
abandonado. O Flamengo deveria ter entrado com uma ação para pegar seu
patrimônio de volta. Vale uns R$ 500 milhões, poderia ser trocado por um
terreno no Porto Maravilha para fazermos um estádio. A Prefeitura ajudou os
outros clubes com terreno para CT, poderia ajudar o Flamengo com terreno para
estádio. Passaram por mim os grandes contratos da gestão passada: o da TV, da
Adidas. Houve erro? Houve. Não era uma gestão mal intencionada, mas era
desorganizada. Na área patrimonial e administrativa onde eu tive participação
ativa, o Flamengo tirou depois de 30 anos o CT do papel. Hoje existe condições
mínimas para que o Flamengo possa treinar. E a obra do CT profissional deixamos
60%, 70% pronta, nos últimos três anos, não aconteceu mais nada. Virou um
grande matagal. Na Gávea, houve uma reforma de todos os espaços. Todo mundo
lembra o que foi uma Gávea antes e depois.
Por que você se “descolou” da Patrícia?
A
Patrícia deu declarações nesses três anos que não queria participar do processo
político, queria cuidar dos filhos. Ao longo desses três anos, eu fiz
exatamente o contrário. Passei a liderar um grupo de oposição no Conselho
Deliberativo e a votar com o governo no que eu achava que era bom para o
Flamengo e contra, no que eu achava que era ruim e lesivo para o Flamengo.
Comecei a ir para um debate frequente dentro do Flamengo a respeito dessas
situações. Ter o apoio da Patrícia seria uma honra, mas eu respeito o momento
dela. O descolamento é natural. Como o filho cresce, se desenvolve e vai
construir uma família. Toda vez que me colocam como candidato, eu sou candidato
de vários grupos de oposição que me escolheram, não sou mais um
ex-vice-presidente da Patrícia. O Wallim é o ex-vice do Bandeira? O Bandeira é
o ex-escolhido do Wallim e do Bap? O Cacau é o Cacau. O momento político fez
com que eu ganhasse minha personalidade própria dentro do clube.
Você tem feito críticas à atual gestão da
dívida.
Não
digo se é bom ou ruim, mas quero ver, quero abrir. É uma caixa-preta. O
Flamengo trocou dívida pública por privada. As certidões negativas (CND) são o
maior ganho dessa gestão, mas isso é muito pouco. Não é o que faz o clube
crescer. Ídolos e títulos é que fazem o clube ser grande, arrecadar. Austeridade
financeira é obrigação, o Flamengo tem que virar a página, está se apequenando.
Os coirmãos estão passando por cima com títulos. O Flamengo é grande por ganhar
título, por ter ídolo, porque vimos o Zico, Silva Batuta ou Dionísio jogarem.
Você tem um grande ídolo em algum momento: Leandro, Adílio, Pet, Adriano,
Bruno… Os garotos da Zona Sul já estão torcendo por Real Madrid e Barcelona,
vestindo essas camisas. É o segundo time. Se o Flamengo se apequenar, vão
passar a ser o primeiro time. O Corinthians passou a torcida do Vasco no
Nordeste, vem ganhando títulos. Aí, eu falo de planejamento. O Corinthians teve
o Tite e voltou com o Tite, ganhou tudo. Eu quero uma rubrica de 2013 com
assinatura de alguém dizendo que o Flamengo tinha uma divida de R$ 750 milhões.
Se fizer, eu rasgo minha carteira de sócio-proprietário e deixo de ser
candidato. Parte deste valor era, na verdade, uma provisão de R$ 170 milhões e
que, depois, foi retirada. Para mostrar que a dívida diminuiu, tiraram uma
dívida com o Banco Central, que existe. E já saiu um estudo dizendo que a atual
dívida está em R$ 650 milhões.
Como fazer para ter um ídolo?
Você
tem que revelar. O Flamengo terminou com mirim e pré-mirim, que é quando começa
a revelar os meninos para os profissionais. Tá aí Renato Augusto, Elias, que a
gente deixou de contratar, poderia ser um ídolo, e não estamos planejando nada.
Tirando o basquete que foi planejado lá em 2005 e todos os presidente deram
continuidade, o resto do Flamengo não tem planejamento nenhum. Virou um centro
de recuperação de atletas. Carlos Eduardo, Armero, Ederson, vieram para o
Flamengo para se recuperar. Isso é planejamento? Seis técnicos em dois anos.
Você defende uma política agressiva para
contratar reforços? Como não comprometer as finanças e a redução de dividas?
Pelo
Marcelo Cirino, por exemplo, o Flamengo tem que pagar R$13 milhões se não
vender. Ele é reserva do reserva, nem joga. O Flamengo o contratou como grande
craque. É o mau investimento do futebol. Pega recursos e investe mal. O Flamengo
tem a segunda maior folha do futebol brasileiro e em que posição está no
Campeonato Brasileiro há três anos? A folha é de R$ 10 milhões. Taí o Guerrero,
que vai custar R$ 42 milhões em três anos e o Flamengo não vai vender. Se
tivesse mercado, não teria vindo para o Flamengo. Iria para a Europa. É um
jogador que não vem dizendo a que veio. E por aí vai. Sem falar em Bruninho,
Carlos Eduardo. Poderia ter terminado o CT com este dinheiro. O Flamengo não é
local de reabilitação de jogador. Está há dois anos parado? Fica aí. O jogador
tem que estar no auge para jogar no Flamengo.
Mas Guerrero não é um jogador no auge?
Sim,
mas ele não era o jogador que o Flamengo precisava. O Flamengo tinha outro
jogador mais barato para a posição e fazendo gol. Mais de um: o Hernane, que a
gente não recebeu dinheiro até hoje, e o Alecsandro.
Como impulsionar o Sócio-Torcedor?
Precisa
ser agressivo. Como o clube mais popular tem um projeto que obriga a ter cartão
de crédito? Só isso segrega quantos por cento da torcida? Tem que haver um
plano mais popular. É possível ficar entre R$ 10 e R$ 15 para chegar aos 500
mil sócios. O Flamengo tem patrocínio da Caixa Econômica Federal, presente em
cada canto do país e com casas lotéricas filiadas. Por que não usar isso para
vender o Sócio-Torcedor?
A gestão de que você participou nem sequer
implantou o projeto.
Ela
(Patrícia) assinou o contrato, mas 2012 foi um ano ruim no futebol e não
colocou em prática. Eu considero um erro, poderia ser lançado em 2011, quando o
Flamengo foi campeão carioca invicto e depois foi à Libertadores. Aí, você
perde o timing de lançamento do projeto.
Qual a sua ideia de política de ingressos?
Ter um
preço mais popular. Tem que se basear no salário mínimo. Não pode ser 10% do
salário mínimo. Você não vê mais o trem chegar cheio no Maracanã.
Como fazer isso com os custos do Maracanã?
Renegociando
o contrato. O Maracanã tem que voltar a ser um estádio padrão carioca, deixando
de ser padrão Fifa. Na Norte e Sul, tira as cadeiras. E a Leste, que fica
vazia, diminui. Aumenta a capacidade do estádio e cria áreas populares.
Qual o seu projeto para ter um estádio?

tenho uma empresa para ampliar o estádio da Gávea para 18, 20 mil pessoas. E
esta empresa exploraria comercialmente o estádio. Mas a gestão seria do
Flamengo. Em paralelo, há outros dois projetos. O primeiro é conversar com o
Maracanã e renegociar. Caso contrário, há o projeto do Porto Maravilha ou de um
estádio na Baixada.
Como vai ser a política do flamengo na
Federação?
Eu vou
pra dentro discutir. Se o Eurico Miranda gritar, eu vou gritar mais do que ele.
Se ele botar o dedo na minha cara, eu vou botar o dedo na cara dele.
E se constatar que Federação, Vasco e
clubes pequenos formam um bloco impossível de derrotar?
Vou
dar um jeito de articular para acabar com isso. Flamengo é Flamengo. Quem é
maior, Flamengo ou Vasco? Flamengo é instituição que precisa se fazer
representar. Não pode mandar para a reunião da federação uma pessoa que não
sabe nada de futebol, que é o que vem acontecendo.
Qual é sua opinião sobre o Rubens Lopes?
Como
pessoa?
Como dirigente
É um
dirigente que assumiu em um momento difícil, tenta se articular ali e ainda não
encontrou a melhor formula par ao Carioca. Não vou julgar como pessoa.
Você é a favor de uma liga nacional de
clubes?
A liga
tem que ser muito discutida, mas não sou contra.
Uma das propostas é rever as cotas de TV,
hoje favoráveis a Flamengo e Corinthians…
Quanto
às cotas, estou do lado de cá. Matar e morrer para defender o Flamengo.
Um ex-dirigente da gestão atual acusou
você de agressão…
Este
mesmo dirigente responde a processo por falsificar uma publicação
jornalística…
É mentira o episódio? Você afirma que não
o agrediu?
Nada
foi provado. Discussão normal de futebol.
Houve outra acusação de que você e Michel
Levy, ex-vice de finanças, teriam ameaçado agredir torcedores de um camarote no
Engenhão.
Esse
eu não participei e nem houve processo contra mim. O atual presidente e o filho
também se envolveram em questões assim. O presidente discutiu com um senhor mas
teve equilíbrio, não agrediu. Futebol tem emoção e, onde há emoção, acontecem
discussões. Mas sou contra agressão. Mas para ser presidente do Flamengo tem
que ser polêmico. Se não for, algo está errado. Futebol não é convento de
freiras. Você não vai para as entidades e achar que todos os outros presidentes
estão ali para ajudar o Flamengo. Tem que estar preparado para representar o
Flamengo, defender o clube e ter pulso forte.

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