quarta-feira, setembro 23, 2020
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Caixa salva clubes em meio à fuga de patrocinadores

GE – A marca de guaraná que chegou a colocar
mais de R$ 100 milhões no futebol carioca nos últimos cinco anos se vira para
fazer acordos e parcelar suas dívidas. A Unimed, que já havia deixado o
Fluminense no início de 2015, saiu das camisas de Avaí e Figueirense. Até o Flamengo,
time de maior torcida do país, ainda não tem garantias da Jeep permanecer em
seu uniforme e de antemão projeta perda de R$ 3 milhões na camisa. Mas uma mão
forte aparece para abraçar os clubes e amenizar os efeitos da crise. A Caixa
Econômica Federal negocia expansão ainda maior no futebol brasileiro. Com novos
contratos sendo costurados, o banco público deve atingir mais de 40% do total
da verba publicitária nas camisas dos clubes da Série A – mais o Vasco, que
caiu para a Série B. No total, de R$ 436,7 milhões das receitas estimadas com
venda de espaço na camisa dos clubes, mais de R$ 180 milhões devem sair da
Caixa.
O fim das negociações da Caixa com os clubes
deve ser anunciado até o fim do mês. O investimento de R$ 100 milhões – em 12 times em 2015 – certamente vai aumentar em
2016, com possível acréscimo de mais sete clubes na Primeira Divisão. Santos,
Fluminense, Botafogo Atlético-MG, América-MG, Cruzeiro e Santa Cruz têm
negociações abertas com a Caixa. A assessoria de imprensa do banco público foi
procurada para comentar o processo de renovações e expansão dos investimentos.
A Caixa explica que nem toda negociação aberta significa a garantia de novo
patrocínio esportivo do banco na camisa dos clubes. Os clubes, por sua vez,
acenam com otimismo nas tratativas para colocar a marca do banco estatal nas
camisas.
Corinthians
calcula ganhar R$ 52,7 milhões
Com informações baseadas em balanços,
orçamentos e contatos com dirigentes dos 20 clubes da Série A – mais o Vasco -,
a reportagem fez um ranking das projeções de receitas com venda de espaço na
camisa em 2016 – sem contar os valores de material esportivo. O Corinthians é o
clube com maior projeção de faturamento com anunciantes. O time paulista
projeta atingir R$ 52,7 milhões em patrocínios para 2016 – a maior fatia,
claro, da Caixa, que paga R$ 30 milhões – e tem contrato até fevereiro. A
Special Dog, no calção, vale mais R$ 3 milhões e a Klar, R$ 7 milhões. Fechando
R$ 40 milhões garantidos na camisa do Timão. O clube ainda negocia com mais
duas marcas e pretende fazer um rodízio de patrocinadores para arrecadar mais e
driblar a crise.
O Palmeiras, um dos poucos clubes da Série A
que não tem Caixa e nem negociação com o banco público, era o campeão de
arrecadação no ano passado com publicidade na camisa, de acordo com reportagem
da Folha de S. Paulo. O time paulista projeta manter o valor em 2016, com a faculdade
Fam, a empresa de crédito Crefisa, a operadora de saúde Prevent Senior e a
companhia de telefonia Tim.
Segunda maior receita do futebol brasileiro
com a Caixa – atrás apenas do Corinthians, mas com espaço de exposição menor na
camisa -, o Flamengo
recebe R$ 25 milhões da Caixa e vai
para mais uma renovação com a empresa. O fim do contrato com a Vitton 44 e a
indefinição da ordem de investimento da Jeep não preocupa o vice-presidente de
marketing do Flamengo.
– A sinalização da Jeep é positiva, estão
satisfeitos com o retorno. Estamos aguardando definição deles em termos de
caixa disponível. O mercado está difícil para todo mundo. Será um ano muito
complicado em todos os setores, não só no futebol. Com a instabilidade
econômica, todos estão no modo de espera. Então isso acaba tomando mais tempo
para fechar as coisas. Mas é o que costumamos dizer: se está difícil para o Flamengo,
é muito mais difícil para os outros clubes – diz José Sabino, afirmando que o
clube leva vantagem pela exposição com seus milhões de torcedores, pela
credibilidade da diretoria e pela segurança na parceria.
Metas
ousadas e realidade bem dura
Desde a Ponte Preta, que não fez estimativas
de patrocínios em 2016 – as receitas, segundo últimos balanços patrimoniais
ficam na casa dos R$ 3 milhões -, até o Vasco, que é o terceiro clube hoje com
maior arrecadação via Caixa Econômica Federal, os clubes trabalham com metas
ousadas para um ano que sinaliza tempos difíceis. Sem patrocínio master há
algum tempo, São Paulo e Santos colocam metas ousadas. O Tricolor Paulista
espera receber R$ 40 milhões com a venda de espaço publicitário. O Peixe, R$ 29
milhões – quase metade pela negociação com a Caixa – veja o quadro acima. Hoje,
no entanto, tem apenas R$ 4,5 milhões garantidos – R$ 4 milhões da Royal Air
Maroc e mais R$ 500 mil da Voxx no calção. A Corr Plastik, que pagava R$ 5
milhões por ano pelos ombros da camisa, não renovou contrato com a equipe
santista.
Novamente na Série B, o Vasco é outro que faz
projeção ousada – distante do cenário de crise da economia brasileira. Se no
ano passado a previsão era de R$ 46 milhões em patrocínios, para este ano a
meta é mais factível, mas não menos complicada. O orçamento de 2016 prevê R$ 25
milhões em receitas com patrocinadores – a Caixa deve renovar por R$ 15
milhões.
– A avaliação do Vasco é de que os clubes têm
que viabilizar outras receitas e fontes fora dos patrocinios tradicionais e das
cotas de TV. Mas é claro que essas fontes ainda são muito importantes. O
futebol, os clubes em especial, precisam estar nas agências com opções
permanentes, alternativas. Hoje, basicamente, correm atrás de quem já está
investindo no mercado. O Vasco vai trabalhar nestes próximos dois anos em ser
proativo. É uma mudança profunda, que leva tempo, num momento econômico
difícil, mas necessária – arrisca o vice-presidente de finanças do Vasco, Marco
Antônio Monteiro.
No Rio, o Fluminense se esquiva em comentar
as tratativas com a Caixa, mas este valor pode chegar até R$ 20 milhões, com
espaço principal da camisa e também nas costas. Em General Severiano, o
Botafogo espera, enfim, diminuir o rombo de quase R$ 5 milhões com a saída da
Vitton no fim de 2014. O presidente do clube disse que projetava, embora
reconhecesse que é uma meta bem complicada, R$ 10 a R$ 15 milhões sem contar
com o patrocínio da Caixa, estimado em cerca de R$ 17 milhões. Hoje, o clube
não tem anunciante master.
Influência
política
Depois de algumas tentativas, a Caixa também
deve chegar na camisa dos clubes mineiros em 2016. Nos bastidores, a influência
do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, foi fundamental para que o
banco público negociasse com Cruzeiro e Atlético-MG, que devem receber R$ 13,5
milhões cada um. O América-MG, de volta para a Série A, comemora o aporte de cerca
de R$ 3 milhões como o “maior de sua história”.

Na região Nordeste, o Vitória (BA) tenta
renovar por R$ 6 milhões, depois de um acordo mais curto no ano passado que lhe
rendeu R$ 1,5 milhão. Em Pernambuco, o Sport quer aumentar o patrocínio da
Caixa para R$ 7,5 milhões – e conta com mais R$ 2,4 milhões da 99 Táxi na
manga. Outro time tradicional que volta para a Primeira Divisão, o Santa Cruz
negocia patrocínio de R$ 3 milhões – valor mínimo da CEF na Série A. Ano
passado, o Tricolor Pernambucano recebeu cerca de R$ 900 mil com os grupos
Jairo Rocha e Feijão Turquesa.

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