terça-feira, setembro 29, 2020
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Campanha critica Globo e combate jogos às 22h.

Lancenet
– Não é de hoje que os jogos de futebol às 22h causam polêmica entre torcedores
brasileiros. Desta vez, uma campanha criada por pessoas ligadas a torcidas
organizadas e não-organizadas promete bater de frente com a CBF e a Rede Globo
em busca de uma limitação de horário para as partidas.
A
campanha “Jogo 10 da noite, NÃO” foi criada na primeira semana de
setembro. Em menos de um mês, a página no Facebook já conta com mais de 5,2 mil
simpatizantes. Fora da internet, torcedores também já aderiram: inúmeros
adesivos e até algumas faixas já foram vistas em arquibancadas.
Quem
está por trás da mobilização são participantes de um coletivo chamado Futebol,
Mídia e Democracia, que visa discutir relações entre mídia e futebol. O grupo
defende, entre outros tópicos, o fim da centralização de poder da Rede Globo na
definição dos horários dos jogos. O principal motivo para a manutenção das
partidas às 22h é a transmissão da novela das 21h.
Em
entrevista concedida ao LANCE!, Thiago Cassis, coordenador do coletivo,
explicou a motivação para a criação da campanha:
– O
futebol é uma construção do povo brasileiro. Por que um jogo em um estádio
lotado é tão bonito? Porque as pessoas nas arquibancadas trazem as cores para o
futebol.
– A
campanha trata de defender a essência do que fez o futebol brasileiro se tornar
uma referência no mundo todo. Ou seja, o futebol como verdadeiro esporte do
povo. E, portanto, acessível ao povo, inclusive às pessoas que não têm muito
dinheiro.
Os
principais problemas ligados às partidas das 22h dizem respeito ao período
pós-jogo. O apito final acontece próximo da meia-noite, e torcedores que saem
dos estádios encontram dificuldade para utilizar transporte público. A falta de
segurança por conta do horário é outro questionamento.
FIM DOS JOGOS ÀS 22H JÁ FOI PROJETO DE LEI
A
polêmica envolvendo os jogos das 22h não é recente. Em 2011, a Câmara Municipal
de São Paulo aprovou um projeto de lei que estipulava 23h15 como horário máximo
para o término das partidas. A ideia, porém, foi vetada pelo então prefeito
paulistano Gilberto Kassab.
Em
2014, a Câmara dos Deputados chegou a analisar três novos projetos de lei que
visavam limitar o horário dos jogos em âmbito nacional. Mais uma vez, não houve
avanço.
Ao
assumir a presidência da CBF, em abril deste ano, Marco Polo Del Nero chegou a
sinalizar o fim dos jogos às 22h. A ideia seria propor à Rede Globo partidas às
21h30.
– Lá
atrás, o horário das 22h era o melhor para o torcedor, tinham estatísticas nesse
sentido. Hoje isso mudou – disse, na ocasião.

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