segunda-feira, setembro 21, 2020
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Campeonato Estadual: mais um passo para o fim.

ESPN –
No campeonato carioca deste ano, Fluminense e Flamengo entraram em rota de
colisão com a Federação de Futebol do Rio de Janeiro. O confronto, aberto,
tinha a entidade de um lado, apoiada pelo Vasco da Gama e com o Botafogo também
favorável às suas decisões, além dos pequenos clubes. Do outro, a dupla Fla-Flu
que desde a disputa do certame 2015 já se movimentava para encontrar
alternativas ao campeonato carioca. A formação de uma liga com clubes de outros
Estados era um dos objetivos, concretizado nos últimos dias com a autorização
dada pela CBF.
Tricolores
e rubro-negros disputarão o carioca do ano que vem com times alternativos,
formados por jovens jogadores oriundos das divisões de base e aqueles não muito
aproveitados no elenco profissional. A prioridade será dada à Primeira Liga,
como vem sendo chamada a competição que contará com os dois times do Rio, além
de mineiros, paranaenses, catarinenses e gaúchos. E, se um deles, ou ambos,
alcançar classificação à Copa Libertadores, claro, atenções serão voltadas
também à competição internacional. Um processo de esvaziamento do campeonato
estadual.

Poucos
notaram que o regulamento para o ano que vem, publicado em agosto, apresenta itens
que superam os limites do bizarro. Campeão e vice de 2015, Vasco e Botafogo,
respectivamente, terão mando de campo sempre que enfrentarem Flamengo e
Fluminense. E mais: poderão escolher o lado a ser ocupado por seus torcedores
no Maracanã. Na edição mais recente foi grande a polêmica entre tricolores e
vascaínos, que exigiam a volta ao lado direito das cabines de rádio e TV do
estádio, que o rival passou a ter direito ao fechar acordo com o consórcio que
administra a “arena”.
Confira o que especifica o regulamento do
Campeonato Estadual do Rio de Janeiro para 2016 em seu artigo 18:
§ 5º –
Nos clássicos da primeira fase, o campeão e o vice-campeão do campeonato
imediatamente anterior da série A de profissionais, quando não jogarem entre
si, terão o mando de campo.
§ 6º –
Nas partidas realizadas no Maracanã, a associação que tiver o mando de campo
terá o direito de determinar o posicionamento de sua torcida.
O blog
enviou aos presidentes quatro grandes clubes do Rio de Janeiro e ao consórcio
Maracanã a mesma pergunta. Qual sua posição diante desses itens do regulamento
do Estadual em seu artigo 18? Só o Vasco não se manifestou. Confira as
respostas.
BOTAFOGO, Carlos Eduardo
Pereira:
Aprovo.
O senhor não acha o critério estranho? É
como se, voltando à seria A em 2016, o Botafogo não tivesse mando de campo em
clássico pelo fato de os rivais locais estarem na primeira divisão há mais
tempo, desde a temporada anterior.
Comentário
é seu.
Citei um exemplo de algo que também me
pareceria estranho se adotado, e insisto na pergunta: o senhor não acha o
critério estranho?
Não
tenho outros comentários a fazer.
FLUMINENSE,
Peter Siemsen:
Tais
assuntos não são da alçada ou competência da federação ou de regulamento de
estadual.
O Fluminense tomará alguma medida?
Vamos
avaliar, pois temos um contrato em vigor com o estádio. Mesmo a regra fazendo
essa previsão, o contrato com o estádio deve prevalecer.
Ir à justiça é a única opção?
Não.
Não há necessidade para o Fluminense. O contrato deve prevalecer.
Pelo que entendi o problema é do consórcio
Maracanã, é isso?
Acho
que o problema é da federação, que inventou uma regra que não pode ser
aplicada.
No médio prazo, com o provável sucesso da
liga, como sair de vez de um estadual eventualmente falido? É possível?
Esse
assunto exige uma discussão mais ampla. Preferia não entrar nele no momento.
FLAMENGO, Eduardo Bandeira de
Mello:
Nada
mais surpreende na federação.
Alguma medida será tomada?
Não há
como agir dentro dos mecanismos internos da federação. Eles aprovarão tudo o
que quiserem. Por isso é que a competição perdeu totalmente a credibilidade.
O Flamengo apenas acatará?

rompemos com a federação. A única coisa a fazer é seguir lutando para mudar o
futebol carioca. O projeto que muda o sistema eleitoral está tramitando na
Câmara. Se aprovado, tudo pode mudar.
Ou seja, o Flamengo vai brigar por
motivações maiores, definitivas?
Exatamente.
Pelo que compreendi o Flamengo não vai
brigar nessa esfera. Algo como não morder a isca, não aceitar provocação, estou
certo?
É,
mais o fato de que já sabemos o que esperar das arbitragens, tribunais e
arbitrais. Só vamos disputar o campeonato, com time alternativo, para não
corrermos riscos desnecessários.
Se o clube se recusar a disputar o
estadual, que penalidades a federação poderia aplicar?
Rebaixamento,
perda dos direitos federativos de jogadores, impedimento de participação em competições
nacionais e internacionais, entre outras. Melhor participar com uma equipe
mista que pode vir a ser campo de observação de atletas emergentes.
No médio prazo, com o provável sucesso da
liga, como sair de vez de um estadual eventualmente falido? É possível?
Acho
que no futuro podemos ter um estadual curto e atrativo. Sem prejuízo para a
Copa Rio-Sul-Minas.
Com a mudança no comando da federação?
Seria
ótimo.
O senhor vê outra possibilidade?
Não me
parece possível.
Marcelo Frazão,
diretor de marketing do consórcio Maracanã:
Cumpriremos
nossos contratos firmados. A nossa posição de respeito aos contratos continuará
a mesma, independentemente da nova versão do regulamento. Não iremos assumir
nenhum compromisso que viole os já firmados com Fluminense e Flamengo.
Ou seja, torcida do Fluminense à direita?
Exato.
Um desgaste
que aumentará, um campeonato desinteressante que ficará ainda mais sem graça,
uma federação que dificulta o diálogo com a inclusão de itens favoráveis a um
ou outro clube. O que esperar do campeonato do Rio de Janeiro além do seu fim,
que parece mais próximo? E os demais irão pelo mesmo caminho se as entidades
que os organizam não cederem, interrompendo guerrinhas com os clubes que são a
razão da própria existência desses torneios. Eles precisarão ser encurtados ou
desaparecerão em algum tempo, que parece menor.
Mauro
Cezar Pereira

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