Causos e lembranças de idas até Campinas.

Por: FlaHoje

Boteco
do Fla – CAMPINAS 1

Sei lá
de onde surgem as famas esquisitas das cidades, mas o fato é que elas surgem.
Do Rio, por exemplo,  escuto falar
horrores em muitos locais por onde passo. Quando conto que saio por aí pela
madrugada da Cidade Maravilhosa com muita frequência e sem nem ter carro,
recebo olhares dúbios. Metade achando que sou mentiroso, metade achando que sou
de aço. Campinas tem uma fama… Bem… Vocês sabem, né?
Fato é
que conhecia a fama da cidade. Como sou sujeito firme e não preconceituoso, enfiei-me
(sem duplo sentido) em um ônibus, quando ainda era novo e as passagens aéreas
ainda tinham preços proibitivos, para ir até lá pela primeira vez. Um Flamengo
e Guarani se não me falha a memória, o que é muito provável. Busão saindo do
Rio por volta da meia-noite.
Acomodado
estava eu no último dos bancos, adentra um cara com uma camisa do Vasco. Olha
pra mim e manda um “qual é? “. Pensei receoso que iria conseguir
arrumar confusão com um timófobo antes mesmo de partir. Não era nada disso.
Puxou assunto sobre futebol e a viagem seguiu agradável,  com cada um contando suas Histórias de
Torcedor. Naquele tempo ainda não tinha tantas assim, mas era um acervo
considerável se comparado a um ser humano normal e menos idiota que eu. E sabe
como é. Torcedores adversários que se preocupam com seus times têm mais em
comum comigo que rubro-negros não praticantes.

pelas duas horas e meia de viagem, ainda longe da metade do caminho, a fama
campinense entregou-me um belo cartão de visitas. Disse o cruzmaltino em tom de
voz bem natural: “Xeu te fazer uma pergunta. Você só brinca com menina ou
brinca com menino também?”. Estarrecido fiquei. Levantei e troquei de
lugar, já que o veículo estava bem vazio. Não sem antes proferir um ofensivo
(naquela época podia) e indignado… 
“Pô… Vascaíno tudo bem. Viado tudo bem. Vascaíno e viado fica
meio complicado de aturar”.
Ah…
Catei essa explicação aqui em algum canto da rede. Alguém de Campinas confirma
a lenda?
“A
cidade paulista teve quatro vezes como prefeito Orozimbo Maia. Seu filho,
Carlito, havia ido estudar medicina na Europa e, na volta, preferiu se dedicar
ao teatro e assumir sua homossexualidade. Durante um baile de Carnaval, ele e
seus amigos se vestiram de mulher e causaram tanta confusão que ficaram conhecidos
como “Rapazes de Campinas”. Daí veio a fama. Em Pelotas, os fazendeiros ricos
também mandavam seus filhos estudarem na Europa. Muitos voltavam com costumes,
hábitos e roupas mais requintados, o que causava estranhamento do pessoal mais
conservador e machista da cidade”.
CAMPINAS 2
Posso
estar passando informação atrasada porque as muitas alianças e desalianças de
ALGUNS MEMBROS das torcidas organizadas por vezes me confundem. Se nada mudou,
a torcida da Ponte Preta é muito unida com a nossa, em detrimento do uniforme
da Macaca ser muito parecido com um dos muitos candidatos a Nosso Maior Rival.
Em uma
das idas até Campinas acabei me deparando (e zanzando por ali atrás de algumas
sobras) com um churrasco organizado pelos torcedores de lá. Feito para receber
os Urubus que se deslocaram do conforto dos seus sofás para assistir o jogo ao
vivo. Bela imagem a da rua. Mantos Rubro-Negros misturados com as camisas
brancas com faixa preta diagonal em completa paz.
Bate
perna pra lá, bate perna pra cá, acabei conhecendo um cara que na época era o
líder de uma das organizadas deles. Um sujeito forte, com um sem fim de
tatuagens da Ponte Preta espalhadas. Discursava comovido e quase às lágrimas:
“Vocês são a maior torcida, a alegria desse país. Nós somos um time comum.
Qualquer ano desse tá arriscado cair pra Série B e tudo. E olha aí a moral que
vocês nos dão. Ver essa rua assim já é a minha alegria no dia de hoje”.
Aqui o “quase às lágrimas” se completou e virou um choro contido.
Saí
dali daquela rua quase com a sensação de que havia sim uma esperança de menos
brigas no futebol. O quase tinha forma concreta. Encostado no muro da casa que
provia o material do churrasco, uns quatro ou cinco porretes com a inscrição
“mata-galinha” repousavam. Salvo engano, “galinhas” é como
eles chamam os torcedores do Guarani. O mundo não era tão puro assim como o
cenário daquela rua parecia querer mostrar.
CAMPINAS 3
Essa
veio daquele jogo contra o Corinthians em 2009, na reta final da conquista do
HEXA. E, se não aconteceu algo muito grave com a figura que conheci por lá, há
algo de muito errado nas engrenagens do mundo.
Foi
ainda bem antes do início do jogo. Não lembro do nome. Pra gente ficou sendo
conhecido como Alemão. Um legítimo. Made in Alemanha com um sotaque bem
carregado. Era hooligan por lá pela Europa. Um dia conheceu o Flamengo pela
Internet e se apaixonou pelas cores, pelas glórias, pela torcida.
De tanta
Paixão, largou tudo e veio para o Brasil. Quando o conheci, morava em São
Paulo, estava casado com uma brasileira e, é claro, tinha o propósito de firmar
residência no Rio de Janeiro. Trocamos contatos. Pouco tempo depois, disse por
email (feliz da vida) que estava de mudança para a Cidade Maravilhosa. Nada
mais cliché para um gringo, ia residir na Praça Mauá.
Logo
na primeira oportunidade encontrei o cara em Volta Redonda, para um joguinho
desses de pouco apelo nos quais só os mais aguerridos e sem noção dentre nós se
animam de ir. “Sinistro” – pensei – “O cara vai ser uma
autoridade rubro-negra em pouco tempo. Isso sim é largar tudo por Amor”.

Sumiu. Nunca mais vi e nem ouvi falar. Ou aconteceu algo, ou é mais uma prova
de que a sábia frase dita pelo Senhor José Paulo da Fla Mochila, frase essa que
se adequa bem a todos os setores de atuação da espécie humana, é a mais pura
expressão da verdade: Só dá maluco.
Algum
cliente do bar já esbarrou com essa inconfundível figura por aí pelas
arquibancadas da vida? Procura-se o Alemão.
Facebook
e Instagram: Mercio Querido
Twitter:
@sorinmercio

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