quinta-feira, outubro 1, 2020
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CEO do Flamengo fala de Estádio, FERJ e ‘amadorismo’.

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OFICIAL DO FLAMENGO – O CEO do Flamengo, Fred Luz, abriu o IX Fórum
Internacional ABA de Marketing Esportivo de Resultados, na manhã desta
quarta-feira (21.10), no Espaço Furnas Cultural, na Zona Sul do Rio. O
dirigente rubro-negro participou do debate “Futebol – Clubes fortes,
campeonatos fortes”, ao lado de José Carlos Brunoro, especialista em
Marketing Esportivo e ex-dirigente do Palmeiras. O coordenador-geral da
ABA-Rio, Sérgio Azevedo, foi o moderador.
A
atual gestão profissional do Flamengo começou a ser elogiada já no discurso de
abertura do presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Eric
Albanese. Na mesa, Luz falou mais sobre as transformações da nova gestão no
Marketing, passando pelo futebol.
Confira
os principais pontos abordados pelo CEO do Flamengo:
Fuga do amadorismo
O que
estamos fazendo no clube ainda é um trabalho de limpeza da casa. Estamos no
começo do começo do começo. Para quem vem de fora desse mundo, fui engenheiro
da Petrobras, e depois migrei para o varejo… Minha chegada ao Flamengo é uma
continuidade desse processo. Minha cabeça foi mudando na questão da geração de
valor, que nem sempre é apenas subjetiva. A paixão move o mundo e não é
diferente em um clube de futebol. Mas a paixão desassociada de uma forma
estruturada de entender relações de causa e efeito, não muda sozinha. Queremos
criar uma cultura de aprendizado organizacional, procurando entender o que gera
ou não valor.
Lojas Oficiais
O Flamengo
não tinha um modelo formal de relacionamento com lojas oficiais. Parece
absurdo. Contratamos um escritório jurídico de busca e apreensão. Geramos muita
receita a partir disto.
Futebol
Temos
áreas de inteligência e mercado sendo desenvolvidas para maior assertividade na
busca de atletas. Estamos começando a estruturar métodos para tirar o melhor de
cada jogador. O Flamengo reorganizou uma área de psicologia. Estamos
acompanhando nossos atletas da base nas seleções. Hoje, temos sete convocados
na sub-15. Nossos resultados esportivos vêm melhorando. Esse ano, devemos subir
cerca de quatro a cinco jogadores do sub-20 para o profissional. Está longe do
ideal, mas vamos melhorando. 
Desafio da realidade brasileira e do Real
desvalorizado
Quando
temos uma variação cambial desse tamanho, perdemos capacidade de compra. Por
outro lado, podemos focar mais na capacidade de fabricação. O potencial de
receita do Flamengo é enorme e iremos ganhando experiência nos processos do
futebol. A FERJ, em nossa opinião, é um desserviço ao futebol carioca. O
Flamengo como um clube líder no Rio de Janeiro não poderia ter deixado chegar
na situação que chegou, mas está correndo atrás de melhores processos. Agora, é
preciso que as práticas do clube se estendam para outros. Os time do Rio de
Janeiro estão em decadência. Na CBF, vejo alguns movimentos internos de
organização, mas não sabemos se irá prevalecer. Os clubes, principalmente das
séries A e B, precisam assumir o protagonismo de suas gestões coletivas. Sem
isso, dificilmente o futebol brasileiro vai progredir. Hoje, as federações e
confederações têm muito mais poder político e econômico do que os clubes.
Estádio
Historicamente,
o Flamengo, infelizmente, foi uma sucessão de descasos. Quem está fragilizado
financeiramente não compra, tem que pagar. Ninguém no passado nunca se
organizou para termos estádio. E quando a nova gestão encontrou R$ 750 milhões
em dívida, nenhuma certidão, não seria nem candidata a disputar concorrência
pelo Maracanã. À medida em que o Flamengo dominou dívidas e aumentou receitas,
pouco a pouco nos aproximamos do momento em que teremos um estádio. Muito mais
do que o dia do jogo, é o local em que o torcedor interage com seu clube. Não
vejo a necessidade de um intermediário para os clubes. Para mim, o caso
Maracanã pode não ser sustentável. Não sei como o Maracanã resistiria sem o
Flamengo jogando lá ou tendo outro estádios, já que geramos cerca de 70% da
receita. Hoje o Flamengo tem modelos econômicos. Mas a situação econômica do
Brasil piorou, isso pode atrasar um pouco mais nosso processo, já que os juros
aumentaram para algum financiamento neste sentido.
Preços dos ingressos
Na
minha opinião, a falada “elitização dos preços” é uma falácia mais do
que uma verdade. Aquele jogo contra o Grêmio, em que fomos hexacampeões
brasileiros, teve ingressos esgotados em 15 minutos, o que é fisicamente
impossível. Quem comprava na época pelos preços mais baixos eram os cambistas.
O Maracanã já tentou entregar gratuidade antes, e os cambistas pegavam todas.
Hoje é dado na porta do estádio. Em 2012, a receita líquida do Flamengo de
bilheteria foi de R$ 3,5 milhões. Em 2013, foi de R$ 21 milhões. Não podemos
dar o patrimônio do Flamengo. Dar camisas, dar ingressos. O Rio de Janeiro tem
nove mil ingressos gratuitos. Não tem nenhum preço abaixo de zero. Quem está
por trás dessa discussão política são as pessoas que se aproveitavam da farra
dos ingressos.
Espetáculo ainda melhor
As
torcidas do Flamengo têm se metido em pouca confusão, estão com um
comportamento legal. Temos relacionamento com eles, mas não damos ingressos.

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