terça-feira, setembro 29, 2020
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Chicão anuncia aposentadoria

Chicão foi campeão da Copa do Brasil pelo Flamengo – Foto: Buda Mendes/Getty Images

JORGE
NICOLA
: Depois de 16 anos como atleta profissional, Chicão pendurou as
chuteiras. O anúncio foi feito em entrevista exclusiva ao Blog, concedida nesta
quarta-feira. Dono de oito títulos com a camisa do Corinthians, o zagueiro
também levantou taças por Flamengo, Bahia e Figueirense. Com a camisa
alvinegra, ainda marcou 42, tornando-se o segundo zagueiro que mais balançou as
redes pelo Timão. Aos 35 anos, Chicão estava desempregado desde dezembro,
quando deixou o Delhi Dynamos, da Índia. Seu projeto a partir de agora é
continuar no futebol, de preferência como funcionário corintiano.

BLOG: Por que você decidiu parar?
CHICÃO:
Já faz sete meses que estou em casa. Parei para pensar e que precisaria de um
tempo para arrumar clube, depois mais um tempo para recuperar a forma… aí, já
teria terminado o ano. E não quero que falem que vou roubar time nenhum.
Muitos que se aposentaram dizem que
jogador de futebol morre duas vezes, a primeira quando para. Está preparado?
Esse
período sem jogar foi importante para me preparar psicologicamente. Estou
convencido de que chegou a hora. Estou com 35 anos de idade, sei que teria o
risco de me lesionar se voltasse… Pensei muito antes de tomar a decisão e agora
que ajudar fora de campo. Dá para contribuir muito em uma nova função.
Pensa em ser técnico?
Penso
mais para frente. O que sei é que não me vejo fora do futebol. Não conseguirei
fazer outra coisa. E hoje, por tudo o que vivi no Corinthians e pelo carinho
que recebo dos torcedores nas redes sociais, tenho vontade de trabalhar no
clube. Poderia ser como coordenador técnico, auxiliar, seja no profissional ou
na base.
Alguém do Corinthians já cogitou essa
possibilidade?
Sou
muito amigo do Alessandro. Vivemos toda a transformação do Corinthians
rebaixado no Brasileirão de 2007 para o time campeão mundial de 2012. Mas nunca
falamos sobre isso.
Como acha que poderia ser mais útil?
Outro
dia, depois que o Pedro Henrique falhou no jogo contra o Atlético-MG, mandei
uma mensagem para ele pelo Alessandro, falando para levantar a cabeça, porque o
menino tem um futuro muito grande. Dias depois, o Pedro Henrique foi na imprensa
para agradecer.
Trabalharia no Palmeiras?
O
futebol é muito profissional, mas não sei se o Palmeiras aceitaria contratar
alguém com a história que eu tenho no Corinthians. Outro dia, mesmo, fui ver um
jogo do Corinthians na arena. E não dá para entrar no Allianz Parque.
Você ficou desempregado por oito meses, em
2004, antes de fechar com o América-SP. Imaginou que iria tão longe no futebol?
Para
ser sincero, não. É difícil que um atleta tenha uma carreira vitoriosa como a
que eu consegui. O único título que me faltou foi a Sul-Americana, que nunca
disputei. Ganhei a inédita Libertadores com o Corinthians, fui campeão mundial,
disputei cinco vezes a Copa do Brasil e fui à final em quatro…
Chegou a ser rebaixado alguma vez?
Nunca,
graças a Deus. E ganhei oito títulos no Corinthians, dois no Flamengo, um no
Bahia, outro no Figueirense… Sem contar os dois vice-campeonatos na Copa do
Brasil, um na Copa do Nordeste, um no Paulista… Ainda consegui acesso com o
Mogi Mirim para a Série B.
Arrepende-se de algo que fez ao longo dos
16 anos de carreira?
Se eu
pudesse voltar no tempo, teria ida ao estádio naquele episódio com o Tite, em
2011. O Corinthians tinha perdido para o Santos no domingo, a Gaviões foi fazer
uma reunião com os jogadores na segunda e terça o Tite me tirou do time. Aí, eu
deixei a concentração. Teria feito tudo de novo, mas iria ao estádio.
Pensou em deixar o Corinthians depois
desse episódio?
Virei
a quarta opção do Tite para a zaga e me perguntavam se eu sairia, mas preferi
ficar e recuperei a posição no segundo jogo do ano de 2012. O Paulo André
acabou se machucando e o Wallace sentiu o joelho. Logo na volta, marquei um gol
(na vitória por 2 a 0 sobre o Guaratinguetá).
Por falar em gols, você marcou 42 pelo
Timão. Qual foi o mais importante?
Difícil
escolher um só: fiz um na final do Paulistão de 2009, mas ele acabou sendo
ofuscado por aquele golaço do Ronaldo. Também marquei um decisivo na semifinal
da Copa do Brasil contra o Botafogo, fiz o gol do acesso contra o Ceará e o do
título da Série B contra o Criciúma. Tudo em 2008.
O Corinthians foi o clube que mais marcou?
Com
certeza. Tanto que me chamam na rua de “Chicão do Corinthians”. Mesmo tendo
jogado e conquistado títulos no Flamengo, me encontrei mesmo no Corinthians.
Você se aposenta em qual condição
financeira?
Nunca
fui de esbanjar, gastar na noite, fazer festa… Vi muitos exemplos de jogadores
do passado que pararam com problemas financeiros, então, contei com a ajuda da
família e sempre tive claro que dinheiro não era só para comprar carro.

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