quinta-feira, setembro 24, 2020
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Clubes brasileiros já toparam jogar Champions das Américas.

Rodrigo
Mattos – O empresário italiano Riccardo Silva causou alvoroço no futebol
nacional com a ideia da criação de uma Liga de Campeões das Américas, juntando
clubes brasileiros, norte-americanos, argentinos e mexicanos. Seu projeto – que
já tem logo, executivo e sócios – tem como base a MP & Silva, empresa de
sua propriedade que tem receita de US$ 720 milhões com a venda de direitos de
televisão de eventos esportivos. Compra de detentores de direitos e os
redistribui.

Em sua
primeira entrevista a um veículo brasileiro, Silva explicou ao blog por e-mail
qual sua ideia para o campeonato: 64 times que disputem até dez jogos cada em
sistema de mata-mata de fevereiro a novembro. Os times se classificariam pelas
competições nacionais em modelo similar ao da Liga dos Campeões da Europa.
O
empresário afirmou que os principais clubes querem a competição e já se
comprometeram em disputá-la. No Brasil, citou Flamengo, Corinthians e São
Paulo, entre outros. Foi oferecido para eles uma cota inicial de US$ 5 milhões
mesmo que só disputassem dois jogos (veja o gráfico). O valor poderia subir a
US$ 30 milhões em caso de título.
A
ideia é não interferir com a Libertadores: ele espera que a taça continue a
existir. Questionado sobre a investigação do FBI sobre a Conmebol e a Concacaf,
Silva disse que nunca tratou com as duas confederações em 12 anos de negócios.
E afirmou apoiar qualquer medida para tornar mais limpo o mercado de venda de
direitos de televisão na América do Sul.
Blog: Há muitos rumores sobre a Liga dos
Campeões das Américas ser criada pela sua empresa MP & Silva. Poderia
contar como esse torneio funcionaria? Qual seria o seu tamanho?
Riccardo
Silva: A Liga dos Campeões das Américas (ACL) vai ser uma competição anual
entre os melhores times de futebol da América do Sul, da América Central, da
América do Norte e do Caribe. Há uma oportunidade de as Américas criarem uma
estrutura equivalente à Liga dos Campeões da Europa, e não há motivo para não
fazer. Os atuais torneios de futebol das Américas são menores em termos de
geografia, escala e clubes participantes comparado com outros continentes. O
formato proposto inclui 64 times, jogando em mata-mata (eliminação direta)
composto por jogos em casa e fora até a final, que seria um evento global
jogado em uma sede única, como a Liga dos Campeões da Europa.
Blog: O senhor já tem um plano de negócios
para o campeonato? O senhor tem sócios neste empreendimento? Se tem, quem são?
Riccardo
Silva: É importante dizer que este novo torneio é formado sob os conceitos
modernos do esporte, com transparência e prestação de contas. A ACL está
reunindo um conselho que vai consistir de líderes de alto gabarito no esporte e
nos negócios tanto da América do Norte quanto da América do Sul. Paul
Tagliabue, ex-comissário da NFL (principal executivo da Liga de futebol
norte-americano), será um deles, e outras pessoas de alto gabarito vão se
juntar. Nós já estamos trabalhando com grandes firmas internacionais jurídicas,
empresas de prestação de contas, redes de televisão, patrocinadores, etc.
Blog: Como a Liga dos Campeões vale mais
de US$ 1 bilhão por ano, quanto o senhor acha que valeria uma Liga de Campeões
das Américas? Quanto que o senhor entende que um clube poderia arrecadar em uma
competição bem organizada em toda a América?
Riccardo
Silva: Nós trabalhamos com os clubes e para os clubes: os clubes pediram que
nós desenvolvêssemos a Liga das Américas e nós estamos fazendo. Todos os
principais clubes da América do Norte e da América do Sul querem a Liga de
Campeões das Américas e já se comprometeram em jogar o torneio quando ele
acontecer, e em relação ao Brasil isso inclui Flamengo, Corinthians, São Paulo
e muitos outros.
Blog: O senhor planeja conversar com a
Conmebol para ter um plano conjunto com a Libertadores? O senhor entende que há
espaço para mais de uma competição continental? O senhor entende que a
Libertadores pode gerar mais renda para os clubes do que hoje?
Riccardo
Silva: Nós trabalhamos com a presunção e o desejo de que a Taça Libertadores
vai continuar. É uma competição muito tradicional na América do Sul e não há
motivo para desaparecer. Nós sabemos que o calendário do futebol na América do
Sul é muito ocupado, mas nós estamos estudado com cuidado o calendário para
propor datas para os jogos da Liga dos Campeões da Américas sem conflito com a
Libertadores e com nenhuma outra competição. Vamos lembrar que a ACL é baseada
na eliminação direta, metade dos clubes vão jogar apenas dois jogos, e 75% dos
clubes vão jogar dois ou quatro jogos: isso é fácil de realizar em nove meses
de duração que vão de fevereiro a novembro. E mesmo os times avançando até a
final vão jogar um total de 10 jogos, o que não é algo impossível. Será um novo
conceito: menos jogos, mas todos importantes e com audiência global.
Blog: Nós ouvimos muitas projeções sobre a
Liga dos Campeões das Américas, então gostaria de falar sobre a parte
esportiva. A Liga dos Campeões Europeia é realizada pela UEFA e tem
classificação pelos campeonatos nacionais, e há eliminatórias. Qual seria sua
ideia para escolher os clubes que jogariam o novo torneio? Seria classificação
pelo campeonato nacional ou qual seria o critério?
Riccardo
Silva: Seria o mesmo critério da Liga dos Campeões da Europa, cada país teria
um certo número de vagas de acordo com suas performances no futebol e sua
população.
Blog: Empresas sul-americanas que atuam na
distribuição de direitos da Copa América e Libertadores estão envolvidas em um
caso de corrupção investigado pelo FBI. 
A Justiça dos EUA diz que eles tiveram uma vantagem indevida por pagarem
cartolas do futebol. O senhor entende que essa investigação é uma chance de
mudar o mercado de televisão sul-americano em benefício dos clubes?
Riccardo
Silva: Em 12 anos nos negócios, a MP & Silva nunca comprou nenhum direito
de mídia ou licenciamento da Concacaf e da Conmebol, mesmo que nós tenhamos
dezenas de direitos de federações na Ásia, Europa e Oriente Médio. Nós
acreditamos que esta indústria pode ser moderna, limpa e transparente, e com
certeza qualquer limpeza será algo positivo, especialmente para os clubes da
América do Sul.

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