segunda-feira, setembro 28, 2020
Início Notícias Com mais dinheiro e menos dívidas, Flamengo continua a crescer.

Com mais dinheiro e menos dívidas, Flamengo continua a crescer.

Torcida do Flamengo – Foto: Buda Mendes/Getty Images

EPOCA
EC
: Do ponto de vista esportivo, o Flamengo ainda titubeia. Sem o título do
Campeonato Carioca e sem jogar a Libertadores em 2016, foi eliminado
precocemente na Copa do Brasil pelo Fortaleza e frustrou a torcida no
Campeonato Brasileiro. Contratou Diego no meio da temporada, esboçou uma
reação, viralizou a história de que havia um cheirinho de título no ar. No fim,
acabou superado na tabela pelo Santos e viu o Palmeiras ser campeão nacional.
Não que a torcida vá se conformar, mas, se serve de consolo aos rubro-negros,
ao menos financeiramente o clube continua no eixo e na vanguarda.

O
Flamengo teve em 2016 o maior faturamento de sua história: R$ 469 milhões. O
valor é 32% superior aos R$ 356 milhões que arrecadara em 2015 – o percentual é
muito maior do que a taxa de inflação brasileira, 6% no ano, e assegurou ao
clube um crescimento real. O economês pode parecer meio frio, mas faz toda
diferença. Um time de futebol que ganha mais dinheiro de um lado tem mais para
gastar do outro. É seguro afirmar que, sem a consistente evolução financeira
rubro-negra, a contratação de Diego ou não aconteceria, ou seria de uma
irresponsabilidade cara ao futuro do clube.
A
explicação para o incremento financeiro está na televisão. O time recebeu R$
197 milhões por seus direitos de transmissão, um pacote que inclui as TVs
aberta, fechada e pay-per-view, e ainda negociou antecipadamente seus direitos
pelas temporadas de 2019 a 2024, o que lhe rendeu R$ 70 milhões adicionais em
2016. Os dois valores, juntos, fizeram com que a TV respondesse por 57% do
faturamento flamenguista. As cifras obtidas pelo departamento de marketing e
comercial, R$ 94 milhões, e por meio da torcida, R$ 78 milhões com bilheterias
e sócios-torcedores, caíram em relação a 2015.
O
crescimento do faturamento possibilitou ao Flamengo elevar seus gastos com
salários de atletas. Em 2016, o time dedicou R$ 155 milhões a esse fim, um
reajuste de 34% em relação aos R$ 115 milhões que gastara em 2015. Repare que,
percentualmente, as despesas com jogadores aumentaram em nível próximo ao do
aumento das receitas. Isso denota responsabilidade financeira. Embora haja
outros gastos, como viagens, hotéis, transportes, entre vários outros
administrativos, é com as remunerações de atletas que você deve se preocupar.
Esse gasto, que inclui salários, direitos de imagem e de arena, indica a
qualidade do time dentro de campo.
Foi na
temporada de 2016, também, que pela primeira vez o Flamengo passou a ter um
faturamento equivalente a sua dívida. O endividamento do clube caiu 15%, de R$
552 milhões em 2015 para R$ 470 milhões em 2016, graças aos frequentes
superávits da gestão de Eduardo Bandeira de Mello. A dívida bancária, embora
ainda alta, foi reduzida em R$ 50 milhões durante a temporada. Ainda há um
longo caminho para que o endividamento caia a um patamar confortável. Para
2017, segundo o orçamento rubro-negro, R$ 50 milhões foram reservados para
pagar juros de empréstimos, um dinheiro que poderia ir para o futebol. O
notável é que, apesar da pressão por títulos, o clube continua a pagar suas
dívidas. Sem titubear.
Algumas explicações

Tudo o
que você leu aqui está no balanço financeiro do Flamengo, publicado com
antecedência ao prazo legal, que expira para todas as empresas do Brasil em 30
de abril, aliás uma boa prática da gestão de Bandeira de Mello. ÉPOCA organizou
os dados, conferiu critérios com Cesar Grafietti, analista financeiro do Itaú
BBA que se dedica há anos à análise da evolução financeira do futebol, e tirou
dúvidas com Cláudio Pracownik, vice-presidente de finanças do clube carioca.
Aos mais interessados pela contabilidade, cabem algumas ressalvas.
A
começar pela receita. As demonstrações financeiras mostram um valor de R$ 510
milhões, mas carecem de alguns ajustes para refletir a realidade do clube. Ao
assinar com a TV Globo o contrato de direitos de transmissão a valer entre 2019
e 2024, o clube assegurou R$ 120 milhões em luvas, isto é, um prêmio por fechar
negócio. Mas só recebeu R$ 70 milhões em 2016. Os demais R$ 50 milhões – que foram
registrados em balanço como R$ 30 milhões após a inflação projetada até lá –
serão pagos pela emissora em 2019 e 2021. Não há nada de errado do ponto de
vista contábil em colocar todas as luvas no balanço, mas ÉPOCA considerou
apenas os R$ 70 milhões de 2016 para não gerar a falsa impressão de que entrou
dinheiro a mais.
Ainda
em relação ao faturamento, outros R$ 11 milhões foram desconsiderados por não
serem uma receita de verdade. Explica-se. O Flamengo recebeu um adiantamento em
2013 por um negócio que fechou com Eike Batista pelo Morro da Viúva – o
ex-bilionário queria construir um hotel quatro estrelas no terreno que pertence
ao time. Os dirigentes rubro-negros teriam de devolver esse valor ao empresário
em algum momento, mas, no início de 2016, sentaram para renegociar e tiveram a
dívida pelo adiantamento perdoada. Como o clube tinha uma dívida, mas não a tem
mais, lançou o valor perdoado como receita. De novo: contabilmente, está tudo
certo. Mas não entrou nenhum centavo na conta rubro-negra por isso.
Quanto
à dívida, ÉPOCA aplica os mesmos parâmetros que Grafietti, do Itaú BBA, usa
para avaliar companhias no mercado financeiro. O critério é razoavelmente
simples. É dívida tudo aquilo que o clube tiver de pôr a mão no bolso para
pagar – o que desconsidera dívidas meramente contábeis. Do lado do patrimônio,
só vale considerar como ativo a grana que está em conta-corrente, livre para
ser usada no abatimento de dívidas. Valores incertos, que estejam presos por
disputas judiciais ou dependam de terceiros para entrar, não valem. É,
portanto, um critério que permite ter a noção mais realista, e nem por isso
injusta, do endividamento e da saúde financeira do clube.

MAIS LIDOS

Dome se diz “extremamente orgulhoso” da atuação do Fla após empate

Ausente no empate em 1 a 1 diante do Palmeiras, na tarde deste domingo (27), Domènec Torrent, afastado por estar infectado pelo novo coronavírus,...

Torcida do Palmeiras pede a cabeça de Luxa após empate; veja os comentários

O Flamengo entrou em campo na tarde deste domingo, diante do Palmeiras, no Allianz Parque. O Rubro-negro viu o time paulista abrir o placar, entretanto,...

Jordi Guerrero rasga elogios a Base do Fla: “Estavam preparados para jogar”

Jordi Guerrero, substituto de Domènec Torrent na tarde deste domingo diante do Palmeiras, onde a equipe saiu de campo com um empate em 1...

Lincoln cutuca o Palmeiras após grande atuação

O Flamengo entrou em campo na tarde deste domingo, em jogo contra o Palmeiras. O confronto pelo Campeonato Brasileiro por pouco não saiu do...