sexta-feira, setembro 18, 2020
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Como Damião e Diego podem ajudar o Flamengo.

BLOG
DO ANDRÉ ROCHA
: Leandro Damião já se apresentou e vestiu a camisa rubro-negra.
Diego Ribas negocia saída do Fenerbahçe e, no Brasil, quer jogar no Flamengo.
Investimentos
de um clube que ganha fôlego com austeridade financeira, mas não vem sendo
feliz nas decisões tomadas no departamento de futebol. Embora a efetivação de
Zé Ricardo como treinador, mesmo tardia, tenha sido um acerto.
A
contratação confirmada e a possível aquisição são apostas. Caras, mas dentro do
orçamento do clube. Se Emerson Sheik e Guerrero deixarem o elenco, o custo da
folha segue praticamente o mesmo. Dois tiros considerados certos, no vácuo do
atraso de salários no Corinthians, foram na água.
Agora
a crença em Damião. Centroavante formado na várzea, sem o burilamento das
divisões de base. Explosão no Internacional, artilharia nas Olimpíadas, aval de
Ronaldo Fenômeno como sucessor na seleção. Lambreta no Clássico das Américas.
Ficou valioso no mercado, quase foi parar no Tottenham, virou contratação
milionária no Santos quando já estava em queda no time gaúcho.
Caiu
de produção porque passou a ser estudado e marcado como um atacante com seu
status. Aí faltaram os recursos que deviam ter sido trabalhados na base. A
técnica, o desmarque, a leitura de jogo, o ataque no espaço vazio. Por isso o
fracasso no Real Betis. No mais alto nível, camisas nove como Damião estão em
extinção.
A
Eurocopa mostrou que o típico centroavante, como Mario Gomez e Giroud, precisa
ter mobilidade. Usar o corpo na proteção e no pivô, mas girar rápido, sair para
os lados, chamar lançamento às costas da defesa adversária mais adiantada. Ser
inteligente e adaptável.
No
Brasil que vai caminhando como pode no jogo de compactação e marcação por zona,
Damião ainda pode funcionar. No Flamengo, como o finalizador de no máximo dois
toques. Completando as jogadas pelos flancos – Rodinei e Cirino à direita,
Jorge e Everton ou Fernandinho do lado oposto – ou fazendo parede para as
chegadas de Arão e Alan Patrick ou Mancuello.

Arte: Divulgação
Ou
Diego Ribas. DNA do típico camisa dez brasileiro do início dos anos 2000. O
meia central no 4-2-3-1 do Santos campeão brasileiro que nem Emerson Leão sabia
explicar o funcionamento. Mas deu liga e às vezes fez mágica. Também funcional
como a ligação com o ataque na ponta de um losango. O que os italianos chamam
de “trequartista”.

Arte: Divulgação
Não
foi bem na Juventus. Nem conseguiu responder como esperado na Alemanha,
Espanha, Turquia e seleção brasileira. Primeiro pela irregularidade combinada
com as altas expectativas. Talentoso, viveu de lampejos, alguns golaços. Sem
consistência, porém.
Quando
o futebol mudou, seu estilo de dominar e girar para, de frente para a marcação,
conduzir e só depois pensar perdeu tempo e espaço. Diego não soube se
reinventar circulando pelos flancos como, por exemplo, Ozil e James Rodríguez.
Nem recuou como Toni Kroos. No Fenerbahçe perdeu espaço e a paciência da
torcida. É visto como individualista, exatamente porque precisa de muitos
toques na bola antes de fazê-la circular como um facilitador, exigência dos
meias atuais. Ficou obsoleto.
No
Brasil, o jogo tem intensidade. Mas a ocupação dos espaços ainda é um tanto
descoordenada. Os zagueiros recuam instintivamente e deixam brechas às costas dos
volantes. No primeiro gol de Filipe Vizeu contra o Atlético-MG no Mané
Garrincha, Mancuello teve liberdade para receber entre as linhas e, nas costas
do zagueiro que saiu vendido, servir o centroavante. Buraco que Diego pode
aproveitar muito bem. Em qualquer time brasileiro.
O
Flamengo quer seus serviços, para abastecer Damião. Futuro incerto de uma dupla
que falhou na Europa, mas que pode funcionar no retorno ao país de origem. A
conferir.

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