sexta-feira, setembro 25, 2020
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Como é formada a receita com Cotas de TV do Flamengo?

Olhar
Crônico – Direitos de transmissão ou Broadcasting ou, ainda, “cotas da TV” ou
“direitos de TV”. Os dois primeiros nomes – direitos de transmissão e
broadcasting – são os mais corretos, porque essas receitas não se limitam ao
valor recebido pelas transmissões dos jogos pelas emissoras de televisão. Elas
incluem, também, a internet e a telefonia, e mais a TV paga por assinatura de
campeonatos – o PPV – e as transmissões internacionais. Ao fim e ao cabo,
porém, tudo isso vira o popular “dinheiro da televisão”.
A cada
ano os torcedores mais e mais se interessam pelos assuntos financeiros
envolvendo seus times e, naturalmente, o final de abril e o mês de maio são
ricos em matérias as mais diversas falando sobre receitas, sobre verbas de
marketing, sobre valores de patrocínio, o quanto rendem os programas de sócios-torcedores e, naturalmente, sobre aquela que é a maior de todas as
receitas de nossos clubes, as receitas com os direitos de transmissão.
Ganham
corpo, também, as discussões sobre valores de cotas, sobre concentração de
rendas, sobre uma suposta “espanholização” de nosso futebol. Como essas
referências são sobre contratos fechados entre duas partes básicas – emissora e
clube – e não são abertos, muito do que se fala carece de fundamentação.
Vamos
ver, inicialmente, uma tabela que mostra os valores declarados pelos clubes
como sendo de direitos de transmissão. São números retirados dos balanços dos
clubes, portanto, são oficiais.
Os
valores lançados pelos clubes nessa conta correspondem ao que recebem como
direito de transmissão em todos os campeonatos de que participam. Ou seja, não
se pode dizer que ele seja a “cota de TV”. Porque as cotas são, basicamente,
duas: Campeonato Brasileiro, a maior delas, e campeonato estadual. Além dessas
duas competições, porém, há outras como a Copa Libertadores, Copa do Brasil e
Copa Sul-Americana. Todas pagam direitos de transmissão e esses valores são
somados aos recebidos pelo Brasileiro e pelo Estadual. No balanço de 2012 o
Corinthians lançou, também, o valor correspondente aos direitos de transmissão
de seus jogos no Campeonato Mundial de Clubes.
Outro
ponto importante: além dessa receita ser a somatória dos direitos de várias competições,
de várias cotas, ela também inclui os pagamentos de luvas, ou seja, aquele
prêmio que um clube recebeu por assinar um contrato. E aqui complica a
história: há clubes que lançaram as luvas de uma só vez em seu balanço,
engordando os números do ano, e há outros que distribuem o valor das luvas ano
a ano. Primeiro caso – Corinthians. Segundo caso – Flamengo.
Nessa
tabela apresentada fica evidente o grande salto nos valores recebidos a partir
do novo contrato de cessão de direitos de transmissão, que foi assinado
individualmente e não mais de forma coletiva, como ocorria com o Clube dos 13.
Os novos valores, associados aos pagamentos de luvas pelo contrato e
posteriormente por sua extensão, tiveram forte impacto sobre as contas de 2011
e 2012. Muitos clubes contabilizaram integralmente os valores das luvas como
receita operacional num único ano ou em dois, na verdade, pois tivemos luvas
pela extensão dos contratos. Outros, porém, diluíram essa contabilização no
decorrer da duração do contrato.
Em
suma: a receita com direitos de transmissão presente nos balanços dos maiores
clubes não é sinônimo de “cota”. Isso ficará mais claro agora, com o
detalhamento que veremos nas contas de um dos clubes.
Como é formada a receita com direitos de
transmissão do Flamengo
Nesse
ano, o Flamengo inovou na prestação de contas: além do balanço anual, hoje bem
melhor e mais claro (atenção: claro não é, necessariamente, sinônimo de
transparente; ao usar esse adjetivo em relação a balanços, quero dizer que ele
é de fácil leitura e compreensão e que as contas e subcontas estão bem
delineadas), embora ainda com muitas áreas necessitando melhorar, o clube
lançou também seu primeiro Relatório de Gestão. Esse relatório aumentou
sensivelmente a transparência envolvendo os números do clube. Valho-me dele
para finalizar esse post.
Nessa
prestação de contas a direção do Flamengo esmiuçou com riquezas de detalhes a
formação da sua receita com o broadcasting, os direitos de transmissão.
Em
2014, o clube recebeu direitos pelos jogos do Campeonato Brasileiro da Série A,
do Campeonato Estadual e mais: Copa Libertadores da América e Copa do Brasil:
Ah,
então quer dizer que a cota do Flamengo pelo Brasileiro foi de 105 milhões,
quase?
Não.
Esse
valor do Campeonato Brasileiro foi formado por diferentes receitas:
Reparem
que essas receitas incluem dois pagamentos de luvas – para PPV e para a TV de
sinal aberto. Além disso, há também um valor excedente de PPV referente ao ano
anterior, ou seja, quando foram fechadas as contas relativas à venda de pacotes
PPV de 2013, foi constatado que houve excedente a ser distribuído aos clubes,
cabendo então, ao Flamengo, essa soma complementar. Que mostra a importância
decisiva das vendas dos pacotes de transmissão para os clubes brasileiros.
Voltem
à primeira tabela, lá no alto… Vejam o salto dado pelo Atlético Mineiro. Uma
parte desse crescimento pode ser atribuída ao crescimento de vendas do PPV
(vejam também post sobre as pesquisas que embasam a distribuição do PPV aqui).
Com a
distribuição dos valores excedentes, vemos que o PPV representa mais da metade
da formação da cota de direitos de transmissão do Flamengo, o mesmo ocorrendo
com outros grandes clubes.
Já em
anos anteriores tivemos declarações entusiasmadas de presidentes de clubes a
respeito, alguns chegando a dizer que não queriam ver seus times no sinal
aberto, preferiam que eles jogassem apenas com transmissão para os sinais
pagos, pois dessa forma ganhariam mais com o PPV. Sim, porque mais torcedores
comprariam mais pacotes PPV, o que seria identificado pelas pesquisas e
reverteria em maiores receitas para o clube.
Os
direitos de transmissão deveriam, em tese, corresponder a um terço das receitas
operacionais de um clube. No Brasil, porém, ficou comum eles representarem
parcela muito maior das receitas dos clubes, algo que precisa ser corrigido com
o aumento das receitas com bilheteria, sócios-torcedores
e marketing.
Vimos
com esse post que não há, simplesmente, uniformidade nos lançamentos contábeis
dos valores de broadcasting, da mesma forma que há uma boa diversidade na
composição desses valores. Essa realidade mostra que não há muito sentido em
algumas comparações que os torcedores gostam de fazer, como “quanto cada time
ganha por jogo transmitido”. Justamente por essas enormes diferenças não só de
contabilização, como também de composição das receitas.

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