sábado, setembro 26, 2020
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Como os jogos das 11h podem ajudar o Futebol brasileiro.

UOL – Durante
a semana, a CBF limitou, acertadamente, a realização dos jogos às 11 horas até
a 31a rodada por conta do calor. Como balanço (quase) final, essas partidas
levaram um público em média 43% superior ao Brasileiro inteiro. Mais
importante, ajudaram a renovar a torcida que vai aos estádios em um processo
iniciado ano passado com novos estádios.

Faltando
duas partidas neste horário, foram realizados 32 jogos com média de público de
24.929, considerada a partida entre Flamengo e Joinville que deu 52 mil
pagantes. A média no Brasileiro é de 17.348, que se ensaia a melhor dos pontos
corridos e mesmo assim com sete mil pessoas a menos do que os jogos matutinos.
O
perfil do público que tem ido ao estádio pela manhã é ainda mais relevante para
o futebol. Famílias inteiras, com série de crianças, vão às arenas, assim como
idosos, curiosos, turistas, etc. Público que ia antes, mas em menor número.
Isso
ajudou a transformar o futebol em um evento de entretenimento para disputar com
o cinema, teatro, shows. Esse novo público vai tirar foto para botar em rede
social, comer cachorro quente e talvez nem saiba qual campeonato está sendo
disputado. Atrair essas pessoas é positivo: elas passam a se envolver com o
futebol.
Dá seguimento
a um ciclo iniciado com as novas arenas construídas para a Copa e outras que
surgiram modernas. Maracanã, Allianz Parque, Arena Corinthians, Beira-Rio,
Mineirão e Arena Grêmio receberam os melhores públicos neste horário. O Morumbi
é uma exceção nesta lista.
Os
serviços são melhores (embora ainda longe do ideal), o acesso mais fácil, e a
experiência de ida ao estádio, um pouco mais confortável. A violência entre
organizadas não cessou, mas pelo menos tem ocorrido, na maior parte das vezes,
afastada dos jogos. Os programas de sócios-torcedores fidelizam o público aos
times e às partidas.
Há,
claro, contrapontos. Os preços de ingressos subiram acima da inflação para
atender os custos dessas arenas, o que excluiu determinado público de menor
aquisitivo e tradicional frequentador dos estádios. É preciso pensar
alternativas, usar setores ociosos para atende-los, jogos promocionais, prêmios
por fidelidade, enfim.
E,
sim, há uma sensação de perda de um certo ambiente no estádio, mais selvagem,
mais quente, mais popular, aquela massa que empurra o time ladeira abaixo sem
sentar porque nem tinha onde. Cresci como torcedor no cimento de arquibancada
no final da década de 80 e nos anos 90: esse cenário me faz falta.
Mas
reconheço que era também um ambiente mais hostil para crianças. Pense em
quantos que, tendo de enfrentar cassetadas, correrias e riscos de esmagamento
para entrar, não iam. Não foi à toa que os públicos caíram juntamente com o
aumento da violência.
A
verdade é que o futebol brasileiro vivia, e vive, uma decadência em sua
organização e é preciso alterar a rota. Mudar significa sempre abrir mão de
algo. Buscar um novo público, e juntamente com ele novas receitas, é um
caminho. A festa das crianças às 11 horas pode ter menos energia que os gritos
da massa antiga, mas é bela.
Um dia
essas crianças serão adultas e poderão transformar a atual média de 17 mil do
Brasileiro, em 25 mil, e depois 30 mil. Sabe se lá qual o limite. Eles
aprenderão novos cantos também. Quem sabe o futebol brasileiro não renasce nos
seus gritos.

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