sábado, setembro 19, 2020
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Como Zico quer chegar à presidência da Fifa.

ESPN –
Faltando apenas dez dias para ser definida a candidatura de Arthur Antunes
Coimbra para a presidência da Fifa, uma campanha maciça na internet tenta
mobilizar personalidades do futebol e do meio artístico para ganhar o mundo.
Para isso, aposta nas redes sociais como principal ferramenta de divulgação.
A
iniciativa “Eu passo a Bola para o Zico” já teve a aderência dos
cantores Chico Buarque, Zezé di Camargo & Luciano, além dos ex-colegas do
Galinho, como Leandro e Adílio. Eles gravaram vídeos declarando apoio ao
ex-camisa 10 do Flamengo.
“Foi
uma estratégia de mostrar a importância do Zico ao mundo do futebol. Queremos
que os torcedores também tenham adesão fazendo declarações. Em um segundo
momento a ideia é fazer uma petição online para que as pessoas o apoiem.
Faremos uma ação global em relação a isso”, disse ao ESPN.com.br o
consultor Rafael Oliveira, responsável por cuidar das mídias sociais da
campanha.
A
ideia é usar as redes sociais para alavancar as pessoas e gerar mobilização. O
consultor acredita que mais personalidades devam aderir nos próximos dias à
pré-candidatura de Zico.
“Ele
tem uma vantagem porque as pessoas têm uma aceitação e um carinho fenomenal
pela história de vida, porque é um vencedor e um cara muito transparente”,
afirmou.
Até
mesmo o ex-jogador holandês Clarence Seedorf declarou, em entrevistas no
Brasil, seu respaldo ao brasileiro.
Zico
precisa de pelo menos cinco indicações de federações até o dia 26 deste mês
para estar habilitado para concorrer às eleições. A estratégia é buscar apoio
entre os países em que o “Galinho” tenha mais ligação, como Japão,
Turquia e Itália. Só o vídeo com o ex-meia Alex ja recebeu mais de 200 mil
visualizações.
“Isso
dá uma penetração legal até na Turquia, que é uma federação que queremos nos
aproximar. É uma campanha inédita na Fifa, que não é feita de gabinete nem de
conchavos. Queremos que seja a primeira eleição da Fifa que envolva pessoas do
mundo todo”, declarou Oliveira.
Com
experiência em redes sociais de eleições de políticos como Roberto Freire (PPS)
e Aécio Neves (PSDB), o consultor aponta as diferenças entre os tipos de
trabalho realizado.
“Numa
campanha eleitoral no Brasil a ideia deles é muito mais defender o próprio lado
e atacar o outro. Passa por uma analogia ruim de uma torcida de futebol. Nesta
[campanha] do Zico, falamos de uma adesão muito maior do que ganhar de outro
candidato. É mais um projeto de futebol. Não queremos destruir o outro lado,
mas contribuir para um novo futebol”, disse Oliveira.
A
inovação com o trato das mídias sociais não pretende parar caso Zico seja
eleito. O consultor acredita até mesmo na criação de um aplicativo para
aumentar essa interação.
“A
ideia é ter uma interface para os apaixonados por futebol. Zico não está
postando apenas como ferramenta eleitoral. Ele quer um caminho de comunicação
com as pessoas que gostam de futebol. A ideia é que elas saibam o que acontece
dentro da Fifa. Queremos transparência em relação aos contratos e tudo o que
envolve a entidade. A paixão é um diferencial. Por isso as pessoas poderão se
mobilzair ainda mais”.
Cenário
indefinido
Além
do trabalho nas redes sociais e a intenção de realizar um debate entre os
candidatos, Zico lida com outras duas situações na corrida presidencial.
Primeiro
busca o apoio de cinco federações para poder concorrer ao pleito. Também
enfrenta um cenário de incerteza após o afastamento de três fortes rivais. O
presidente da Fifa, Josepp Blatter, e o mandatário da Uefa, Michel Platini,
foram suspensos por 90 dias.
Além
deles, o sul-coreano Chung Mong-Joon, o único a favor do debate proposto por
Zico, foi afastado por seis anos e não pode participar do pleito no final deste
mês.
Zico
iniciou a busca por apoio “em casa”.
“Procuramos
a entidade que representa o futebol brasileiro. Falamos antes com o Marco Polo
Del Nero (presidente da CBF) porque era o país do Zico. Ele disse que se
conseguirmos quatro indicações ele daria o quinto apoio, mas não garantiu o
voto nas eleições de 2016”, declarou ao ESPN.com.br Ricardo Setyon,
consultor sênior de relações internacionais da candidatura e ex-membro do
departamento de imprensa da Fifa.
A
Conmebol apoia Platini, porém, o Brasil tem um peso importante nas ações
políticas na entidade sul-americana. “A gente quer que a Conmebol e a CBF
tomem a iniciativa e digam que o candidato do Brasil e da América do Sul é o
Zico. A Federação Inglesa já pediu explição ao Platini, ou seja, não vai votar
nele se não forem convencidos da inocência”, analisou.
Antes
das punições, Zico também conversou com o presidente da Fifa. “Ele disse
que ficou sensibilizado, que Zico teve a dignidade de falar com ele e ficou
emocionado”, afirmou.
Outro
apoio possível seria do Comitê Olímpico Internacional. “O presidente COI
foi claro em dizer que é necesário algum candidato de fora da Fifa e do
contexto que está aí. Obviamente, Zico se encaixa nesse perfil”, falou.
“Agora
a gente entende que as federações que apoiam o Zico irão manter silêncio até o
dia 26 porque elas temem a pressão e a represália desses engravatados. Temos
informações que muitas federações interessadas receberam ligações de
representantes de outros candidatos falando assim: ‘Calma, cuidado que não é
assim’. Mesmo com dois candidatos suspensos pelo comitê de ética”, disse
Setyon.
Apesar
de Platini recorrer da suspensão numa tentativa de ainda disputar o pleito, a
ausência do sul-coreano pode favorecer a candidatura de Zico.
“Como
ele (Chung Mong-Joon) está fora da eleição, ele pode dar apoio ao Zico por meio
das inúmeras federações que o seguem. Tudo pode mudar”, disse Setyon,
‘Zico
está dormindo pouco’
A
ideia dos coordenadores da campanha é ter o nome de Zico o mais presente
possível na mídia mundial, até mesmo de Papua e Nova Guiné.
Como
atualmente trabalha como técnico do Goa, na Índia, ele tem se dividido em duas
frentes. “É o único entre os candidatos que trabalha com futebol, não é
presidente de nada e não fica andando de jatinho por aí. Temos uma equipe
brasileira trabalhando com ele. Ele está dormindo pouco porque, além de cuidar
do time, está cuidando da candidatura”, disse Setyon.
“A
dificuldade é que Zico trabalha como técnico e o fuso horário na Índia não
ajuda, mas é muito bom fazer uma campanha com um cara tão sério que assumiu um
compromisso na Índia e cumpre esse compromisso”, reforça o consultor
Rafael Oliveira.
Reciclagem
e fim da politicagem
A
ideia de Zico é fazer uma mudança na forma de gestão do futebol mundial, com
uma renovação dos quadros da Fifa e das práticas na entidade. “Ele vai
abrir espaço para as pessoas. Não vejo ele decidindo sozinho no meio de um
monte de engravatados. Vejo ele chamando o Carlos Alberto Torres, o Beckham, o
presidente do Valencia, entre outros”, comentou Setyon.
O
consultor acredita que Zico não irá privilegiar nenhuma federação ou dirigente.
“Ele
não esta fazendo promessas para as federações, não quer ficar trocando favores
dizendo que vai dar Copa do Mundo ou outra coisa. Chega da Fifa trabalhar para
se proteger, ela precisa trabalhar para o futebol. No estatuto da Fifa você não
encontra nenhuma vez as palavras transparência e democracia. Nenhum outro
candidato está oferecendo isso”, concluiu Setyon.

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