domingo, setembro 27, 2020
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Conheça mais sobre Rafael Vaz, novo reforço do Flamengo.

Foto: André Durão

GLOBO
ESPORTE
: Poucos se lembram, mas Rafael Vaz foi contratado em 2013 pelo Vasco
para suprir a saída de Dedé – ou ao menos a aposta era nesse sentido. À época,
o zagueiro, hoje parado há quase um ano por sequência de lesões no Cruzeiro,
era mais do que referência na zaga vascaína, mas também ídolo da torcida. O
time de Minas pagou R$ 14 milhões ao Vasco, que foi atrás da indicação de Paulo
Autuori e trouxe Vaz do Ceará, quando ele tinha 23 anos. O clube de São
Januário, em parceria com o empresário do jogador Reinaldo Pitta, desembolsou
cerca de R$ 350 mil.

– O
Rafael Vaz tem qualidade técnica e ousadia – dizia à época Autuori.
Autuori
não contava com a estrela daquele jogador, capaz de dar um bicampeonato carioca
ao Vasco, mas, três anos depois, é possível afirmar que as maiores virtudes de
Vaz, que deve ser anunciado nesta quarta pelo Flamengo, foram perfeitamente
diagnosticadas pelo atual treinador do Atlético-PR. Não é à toa que o zagueiro
canhoto foi improvisado como volante – posição de origem – e também como
centroavante, no empate vascaíno contra o CRB este ano, nos tempos de Colina.
Na batida da bola, percebe-se a técnica apurada de Vaz. Reveja lances dele
acima.
Fiz
algumas entrevistas com Rafael Vaz e acompanhei sua trajetória no Vasco. A
chegada cercada de expectativa, o primeiro tirambaço de fora da área, na
derrota para o Internacional em Porto Alegre, a reserva no clube de São
Januário, o afastamento e os tempos treinando separado do restante do elenco
até a reintegração e a fase mais decisiva de Vaz, que, ironicamente, coincidiu
com a fase final de seu vínculo.
O
primeiro clássico impressionou – e os primeiros minutos do vídeo acima, com
melhores momentos de Vaz naquela partida, mostram o porquê. Contra o
Fluminense, na reabertura do Maracanã, Vaz exibiu o que tem de melhor quando
joga na zaga. Combateu firme, salvou gol em cima da linha, bateu falta com
perigo, ganhou divididas e saiu de cabeça em pé, achando espaços com passes e
lançamentos perfeitos. Formado na base do Palmeiras, o paulista lembrava dos
primeiros conselhos que ouviu para escolher posição em campo.
– O
professor Jorginho (ex-jogador, que era técnico do time B do Palmeiras) sempre
falava para mim: você pode ser um volante igual a muitos outros ou pode ser um
zagueiro com um baita diferencial – dizia dias depois daquela partida contra o
Fluminense (3 x 1 Vasco).
Falhas táticas e autoconfiança
Diante
desta qualidade técnica, por que Rafael Vaz não era titular no Vasco? Primeiro,
porque desde 2014, com raras e curtas fases, os titulares do setor defensivo
são o experiente Rodrigo e a revelação Luan. Depois, pois o limite entre a
técnica e a ousadia que Autuori via naquela qualidade com a bola até a saída
temerária costuma ser tênue com jogadores que têm como primeira função proteger
a meta. O zagueiro tenta lançar bastante e às vezes exagera nos passes
rasteiros verticais, além de certa autoconfiança num drible próximo da própria
área. Quando dá certo, maravilhoso. Quando erra…

Sempre tive essa vontade de querer armar o time. Sei que jogar assim pode ter
as suas consequências. Tento fazer sempre alguma coisa diferente. Vai ser bom
para mim se acertar o passe e vai ser bom para o time também – dizia o
zagueiro.
A
vontade de “querer armar o time” não conquistou muitos treinadores
nos tempos de Vasco. Inclusive, dias depois da reportagem que fiz com ele, em
que o classificava como “zagueiro-volante”, soube de comentários em
tom depreciativo de integrantes do futebol do clube. Daquele tipo “vai,
zagueiro habilidoso”, “olha o Beckenbauer” e por aí vai. Fato é
que Vaz ficou muito tempo no Vasco sem sequer ser reserva imediato na zaga. Era
a terceira ou quarta opção e, em alguns momentos, ficou até fora do banco. 
Aí vou
entrar numa avaliação que ouvi – longe dos microfones – de um ex-treinador que
o comandou em São Januário. A definição explica, de forma mais simples, por que
um jogador, técnico e polivalente, esteve longe da preferência dos treinadores
que passaram pelo Vasco.

Quando ele (Rafael) está com a bola é lindo. Bate bem nela, trata com carinho.
Fica evidente a qualidade. Mas, taticamente, o posicionamento dele não é dos
melhores. É falho. E zagueiro, em 90 minutos, não passa cinco minutos de um
jogo com a bola no pé…
No
Flamengo, Rafael Vaz vai ter oportunidade de desfazer algumas dessas impressões
e também terá a chance de ganhar a sonhada sequência como titular – o que
pensou que teria quando chegou em São Januário há três anos. Toda a ousadia que
Autuori enxergou no Ceará fica a serviço do time da Gávea. Vai depender de Vaz
evoluir e se transformar num zagueiro mais seguro e de confiança para os
torcedores – dois adjetivos que combinam mais com a função.

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