quinta-feira, outubro 1, 2020
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Bernard recusou Flamengo e Palmeiras.

Bernard preferiu permanecer no Shakhtar – Foto: Dennys Grombkowski / Gettyimages

GLOBO
ESPORTE
: Um ditado que pode ser muito utilizado no futebol é “nada como um
dia após o outro”. No caso do atacante Bernard, talvez seja melhor
adaptá-lo para “nada como um técnico após o outro”. Não que ele fosse
inimigo declarado de Mircea Lucescu, que deixou o Shakhtar Donetsk para assumir
o Zenit. O treinador, inclusive, já chegou a declarar que o brasileiro estava
no clube ucraniano apenas para “tomar dinheiro”.  Porém, a relação se acalmou e a chegada de
Paulo Fonseca fez o jogador enxergar um horizonte até então desconhecido. Neste
início de temporada já foram dois gols em três jogos, titularidade confirmada e
um sorriso estampado no rosto. Mesmo procurado por Flamengo, Palmeiras e Porto,
Bernard ficou na Ucrânia, onde tem contrato com sua equipe até junho de 2018.
Em entrevista ao GloboEsporte.com, ele deixa claro que chegou, enfim, seu
momento de aparecer e “acontecer” na Europa.


Estou bastante feliz com tudo o que está acontecendo, desde o primeiro dia que
cheguei aqui para iniciar a pré-temporada. Já vim com foco para começar com o
pé direito e essa temporada e fazer com que seja especial. Então esses frutos
que venho colhendo agora, que são os gols, desde os jogos da pré-temporada me
deixam muito feliz. Tenho que continuar trabalhando e me dedicando cada vez
para deslanchar de vez e voltar a mostrar tudo o que que sou capaz – disse.
Neste
início de temporada, Bernard marcou e foi decisivo nas partidas contra Young
Boys (vitória por 2 a 0) e Zirka (vitória por 4 a 1), pela fase eliminatória da
Liga dos Campeões e Campeonato Ucraniano, respectivamente. Jogou os 90 minutos
na decisão da Supercopa da Ucrânia, mas errou uma cobrança na derrota por 4 a 3
nos pênaltis para o Dínamo de Kiev, após empate em 1 a 1 no tempo normal. 
GloboEsporte.com: A chegada de Paulo
Fonseca foi determinante para sua volta por cima no futebol com a camisa do
Shakhtar Donetsk?
Bernard:
Já era para ter me encontrado com o Paulo em 2013, quando tive a proposta do
Porto e do Shakhtar, mas infelizmente não aconteceu. E felizmente está
acontecendo nesse momento, porque é um treinador que vem me passando bastante
confiança, que mudou a forma de jogar da equipe. Isso me favoreceu não por
mudar a forma de a equipe jogar, mas por tudo o que vem fazendo por mim, conversando
e passando confiança. Não disputei 90 minutos de vários jogos aqui no clube em
três anos, justamente por opção do ex-treinador. Mas com ele (Paulo), já joguei
90 minutos dos três jogos da temporada. Ele vem me dando sequência, e estou
correspondendo e ajudando a equipe da melhor forma possível.
Qual era, de fato, sua ralação com Mircea
Lucescu? Era impossível a convivência no clube?

Sempre é uma situação complicada, tudo o que vivi. Tive erros e aprendi com
eles, mas é era uma situação de convívio. Aprendemos a conviver um com o outro,
infelizmente ele tinha as opções dele que eu respeitava e não deixava de dar o
meu máximo no dia a dia. Sempre buscando melhorar cada vez, me decidar cada vez
mais. Tive certos problemas, mas no final conseguimos nos entender. E quando
estávamos bem, ele acabou saindo do clube.
Muita coisa aconteceu depois da Copa do
Mundo, e seu nome sempre esteve envolvido em uma possível saída do Shakhtar.
Além da Copa, teve a guerra no leste da Ucrânia…

Depois da Copa ficou tudo meio incerto no clube e no país, pela guerra ter
estourado na nossa cidade. Pelo momento conturbado que vivia o país. Mas chutar
o balde não seria a palavra certa, pois eu tenho responsabilidades com o clube
pelo contrato de cinco anos. Foi uma escolha minha. Mas pelos problemas que eu
tive, não só com o treinador, mas também com o momento do país, lógico que
teria que procurar outras opções. Queremos trabalhar em um lugar que ofereça
segurança, tranquilidade e felicidade. Mas o presidente, que gosta muito de mim
e do meu futebol, fez de tudo para tudo ficasse tranquilo para os jogadores.
Ele conversou e tudo ficou entendido.
Existe alguma previsão para o Shakhtar
voltar a jogar em Donetsk (em 2014, rebeldes pró-Rússia entraram em conflito
com forças de segurança da Ucrânia em uma guerra pela anexação do território à
Rússia)?

Agora o país está um pouco mais tranquilo, ainda acontecem alguns problemas,
mas é bem longe. Estamos na capital. Estamos trabalhando bem tranquilos, em paz
e sem nenhum risco. Infelizmente, não existe nenhuma previsão de volta a
Donetsk, ou de voltar a jogar no estádio, justamente porque a cidade foi
praticamente destruída. E também foi ocupada por alguns militares russos, é uma
situação complicada que a gente torce para ser resolvida o quanto antes. Também
pelo estádio e nosso centro de treinamento, porque tanto para jogar dentro ou
fora de casa estamos viajando. Vivemos em Kiev e jogamos em Lviv. É uma
situação complicada estar sempre viajando para jogar.
Flamengo, Palmeiras e Porto demonstraram
interesse na sua contratação. Por que você ficou no Shakhtar?
– Fico
muito feliz com interesse de grandes clubes como Porto, Palmeiras e Flamengo.
São três clubes que qualquer jogador teria vontade de jogar, mas o presidente
deu uma segurada, esperou a troca de técnicos, porque sabia que seria meu
momento no clube, mas o momento é de mostrar o meu trabalho na Europa.
Acha que o Shakhtar ficou muito
enfraquecido após as saídas de Douglas Costa, Alex Teixeira e Luiz Adriano?
– O
clube acabou vendendo, são jogadores que vinham de um momento bom e especial no
Shakhtar. Douglas, Adriano e Teixeira. Agora temos que assumir nossa
responsabilidade e dar o melhor para o clube.
A Copa do Mundo de 2014 e o 7 a 1 para a
Alemanha ainda tiram o seu sono?
– Já
passou, são dois anos. Infelizmente é uma situação que foi incômoda para todos,
mas é trabalhar, olhar pare frente e aprender com os erros que
aconteceram. 

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