segunda-feira, setembro 28, 2020
Início Notícias Contratações Com contrato no fim, Matheus não descarta renovar com Flamengo.

Com contrato no fim, Matheus não descarta renovar com Flamengo.

Emprestado pelo Flamengo, Mattheus atualmente defende o Estorial – Foto: Gualter Fatia/Getty Images

GLOBO
ESPORTE
: Sequência, gols, prestígio em Portugal e confiança em alta. O
“filho do Bebeto”, revelado na base do Flamengo, sempre acanhado e de
poucas palavras, dá lugar a Mattheus, jovem de 21 anos e pensamento de gente
grande. Amadurecido após um ano e meio no futebol europeu, o jogador chega ao
final do contrato com o clube do Rio de Janeiro sem desespero e aguarda a
melhor decisão para o futuro.

Com
estilo novo – barba e cabelo longo, “à la Josiel”, ex-atacante do
Flamengo, como brinca na entrevista -, Mattheus conversou com a reportagem do
GloboEsporte.com em sua casa, na zona oeste do Rio. Da pressão no início da
carreira aos gols pelo Estoril, de Portugal, o meia destaca os principais temas
na trajetória como profissional, comemora bons jogos no fim de temporada na
Europa, sempre mirando o mesmo objetivo: separar sua imagem da de Bebeto.
– É o
principal momento da minha carreira. Quando eu estava no Brasil, subi muito
cedo, sempre falava que precisava de sequência e confiança, que é o que acho
que todo jogador precisa. Os quatro primeiros meses foram de adaptação, no
finalzinho do campeonato ainda consegui jogar como titular e tudo mais, mas não
ainda como desejava, que era ter uma sequência. No início do outro ano eu tive
uma má sorte de no primeiro jogo do campeonato, contra o Benfica, na semana de
treino eu machuquei. Fiquei oito, sete semanas parado. Vindo de uma boa
pré-temporada, de um bom preparo físico… Isso foi difícil para mim. E eu
falei, “vou voltar melhor ainda do que eu estava antes, porque esse tem
que ser o meu ano, não posso passar mais tempo”. Eu mesmo me cobro muito,
entendeu? Quando virou o ano foi como se virasse a vida, do lado avesso. No
primeiro jogo do ano fiz uma excelente partida, uma excelente partida mesmo.
Fui pegando sequência, confiança. Em vários jogos fui eleito melhor em campo e
faltava ainda o golzinho. O gol saiu, logo em seguida saíram mais dois, no
outro jogo assistência. Foi uma sequência de coisas boas que aconteceram na
minha vida. Eu falo isso, a virada do ano foi como se virasse assim, mexeu a
vida.
Aos 21
anos, o jogador chega a um momento chave da breve carreira. O fim do empréstimo
ao Estoril coincide com término do contrato com o Flamengo. Com propostas do
futebol português e italiano, ainda não sabe o próximo passo, tampouco descarta
continuidade no clube que o revelou, mas faz questão de mostrar a
tranquilidade.
– Eu
estou com cabeça tranquila, fiz uma excelente temporada, isso me deixa
tranquilo. Sei que está nas mãos de Deus, meu futuro tenho que ver com calma,
sentar com meus empresários para ver qual a melhor opção. No futebol eu aprendi
uma coisa, a gente nunca pode falar “nunca”, nem “não”. Não
existe isso, eu tenho contrato com o Flamengo e tenho que sentar e ver com meus
empresários a melhor opção. Não é só para o Flamengo, mas para o Estoril, ou um
time da Espanha, Inglaterra, a gente nunca pode falar “não” no
futebol, porque a gente não sabe o dia de amanhã. O futebol é uma roda gigante,
um dia você está lá em cima, outro dia aqui embaixo. E vai rodando.
FLAMENGO
Badalado
nas categorias de base, Mattheus traçou o caminho natural de um garoto marcado
para jogar no profissional do Flamengo. Sempre vinculado ao nome de Bebeto,
mostrou timidez no primeiro contato com nomes como Renato Abreu, Léo Moura e
Vágner Love, mas não acredita que o jeito mais acanhado tenha atrapalhado os
primeiros passos com a camisa do Rubro-negro sob comando de Joel Santana.
– Eu
era muito tímido, subi muito cedo, né? Subi com 17 anos, tinham grandes
jogadores no Flamengo, jogadores que eu me espelhava e eu subi meio tímido,
acanhado. Lógico, querendo jogar, ajudar e tudo mais, mas acanhado. Eu sou um
pouco tímido, não sou um cara de ficar falando muito. (…) Mas acho que me
atrapalhar, não… Quando eu subi, na época, era com o Joel Santana, foi o ano
que eu mais joguei no Flamengo em relação a temporada. (…) Lógico que quando
a gente chega fica um pouco mais tímido. Antes estava olhando na televisão,
hoje a gente está aqui dentro treinando com os caras. Quando eu era moleque eu
ficava parado no treino no CT do Ninho do Urubu olhando o Renato Abreu batendo
falta e no dia eu estava treinando falta com o Renato Abreu, e ele brincando
comigo. É uma coisa meio diferente.
Joel
Santana, inclusive, é lembrado com carinho nas palavras de Mattheus. A
lembrança estreia pelo clube na partida diante do Santos, dia 17 de junho de
2012, no Engenhão, ainda é viva na memória, assim como as palavras do
“papai”. Para o jogador, o Flamengo acaba desperdiçando uma série de
talentos da divisão de base por não saber utilizar no momento certo ou ter a
paciência necessária com os meninos no momento da transição.
– Tem
que ter um pouco mais de paciência, porque o Flamengo tem muitos bons jogadores
na base, muitos bons jogadores mesmo. Qual menino que não quer jogar no
Flamengo quando é criança? Mas tem que ter um pouco mais de paciência, saber
colocar nos momentos certos, isso é fundamental. Quando eu subi, logo no
primeiro ano, eu tinha 17 anos, era muito novo ainda, e o Joel chegou para mim,
em um jogo em casa, no Engenhão, contra o Santos, foi minha estreia, porque
entrei um minuto. Eu entrei, nem toquei na bola e acabou o jogo. Eu estava
super feliz que eu tinha entrado, que a gente tinha ganho o jogo e tudo mais,
aí ele chegou para mim e falou “filho, vem aqui com o papai, vem. Eu botei
você só para tirar esse nervosismo, tirar essa vontade de querer fazer as
coisas rápido”, porque isso atrapalho um pouco. “Meu filho, papai
botou você só para ir aos poucos, ir aprendendo”, e eu falei “tá ótimo,
professor, não tem problema nenhum”. É verdade, é o que tem que acontecer.
Depois
de Joel, Mattheus teve contato com Vanderlei Luxemburgo. Uma substituição do
treinador marcou a trajetória do garoto pelo Flamengo. No dia 5 de novembro de
2014, o meia entrou aos 22 minutos do segundo tempo contra o Atlético-MG, no
Mineirão lotado, no jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil. No placar, 2
a 1 a favor do Galo, que precisava de mais dois gols para conquistar a
classificação heroica.
A
saída de Everton levou os torcedores à loucura e as manifestações foram ainda
maiores após a eliminação. Mattheus admite a má atuação, mas revela não
entender o motivo da culpa ter sido direcionado a ele. O jogador não esconde
ter se sentido pressionado no clube após ser afastado e desmente especulações
feitas na época, quando anunciado que queria deixar o Flamengo por uma proposta
do Juventus, da Itália.

Lógico que não vou falar que fiz uma boa partida, porque nem toquei na bola. O
Atlético-MG estava pressionando, precisava do resultado. Entendo todos ficarem
chateados, até porque eu fiquei chateado também, não queria ser eliminado, mas
não entendo o motivo de ter caído só em mim. (…) Fica uma situação chata para
cima de mim, como se fosse o único culpado. Entendo a torcida ter ficado
chateada, eu também fiquei, mas não entendo ter caído só em mim. Vai ter que
cair em alguém, e eu era o mais novo, uma série de coisas que não vem ao caso
falar, mas a situação do Juventus, que saiu na imprensa que eu tinha falado que
queria sair do Flamengo, que eu já falei que queria abandonar… Em nenhum
momento eu falei isso, nenhum momento dei uma palavra. (…) Me senti
pressionado no sentido de estar treinando, sem falar nada e sair milhões de
matérias falando que eu queria abandonar. Uma coisa é uma proposta, eu sentar
para resolver, se aceitasse ou não, sairia a matéria, “Mattheus aceitou ou
não a proposta”. Outra coisa é eu estar treinando no clube, no meu
ambiente de trabalho, e falarem que Mattheus quer abandonar o Flamengo, que não
quer mais ficar. Em nenhum momento falei isso. Querendo ou não, as pessoas
acreditam no que leem. Se saiu uma matéria falando que quer abandonar o
Flamengo, vai acreditar em quê? Que quero abandonar o Flamengo!
FILHO, NÃO CÓPIA
A
admiração de Mattheus pelo pai é evidente. Em cada pergunta envolvendo Bebeto,
um sorriso, uma brincadeira e palavras de quem tem certeza que encontra um
porto seguro nos momentos de dificuldade na carreira. Outra certeza, porém, é a
dificuldade de se desvencilhar da história do pai no Brasil.
A
busca pelo Estoril, segundo o jogador, teve como objetivo dar os primeiros
passos sozinho, buscando uma independência praticamente impossível no Brasil.
Para Mattheus, a grande diferença longe do país é a forma como tratam a relação
pai e filho: um vínculo, mas não comparação.

(Comparação com Bebeto) Me atrapalhou. Lá na Europa eles falam também, não vão
deixar de falar, só que sabem separar, sabem que Bebeto é o Bebeto, e Mattheus
é o Mattheus. Eles falam, “Mattheus, que o pai é o Bebeto”, mas sabem
separar. Em nenhum momento, quando estou jogando ou treinando, eles comparam.
Falar é normal, mas comparar é totalmente diferente. (…) Essa é a diferença
do Brasil para a Europa em relação ao meu pai. Lá eles sabem dividir, aqui cobram
como se tivesse que jogar como meu pai. Aquela frase do brasileiro, “se
jogar 10% do que seu pai jogou está ótimo”. Eu também acho (risos), mas
não tem como comparar. Quando pintou essa oportunidade no Estoril, eu faleu que
queria ir justamente por causa disso, separar essa imagem. Eu não ligo que
falem do meu pai, porque como vou me sentir mal com isso… O jogador que foi,
meu pai, eu vou me sentir mal de falar dele? Lógico que não vou me sentir mal.
Eu não gosto de comparar, sempre separo. Meu pai fez a história dele, eu tenho
a minha, estou começando agora.
As
brincadeiras com Bebeto são constantes, assim como a cobrança vinda do
ex-jogador, até mesmo quando as atuações são acima da média. Para Mattheus, que
coloca o pai como principal referência, Bebeto será sempre um treinador em
casa.
– Acho
que meu pai cobra mais que o próprio treinador do Estoril (risos). É um
treinador em casa, cobra bastante, dá conselhos, puxão de orelha. Cobra
bastante mesmo. Lá no Estoril, teve um jogo que eu fiz dois gols e ele falou
“beleza, parabéns, fez dois gols, mas podia ter feito o terceiro naquela
bola”, ele sempre dá uma deixazinha dele, né (risos)? Eu falo brincando
com ele sempre, eu fiz um gol de cabeça no Estoril, um gol bonito de cabeça, aí
falei, brincando, porque eu já tinha visto, mas queria ver o que ele ia falar.
“Pai, fiz um gol de cabeça ali, não lembro de muito gol de cabeça seu não,
ein?”. Aí ele ja começa, “ah, não lembra não? Então vem cá”, e
começa a mostrar, “tá vendo, falo que sabia fazer de cabeça” (risos).
Mas falo brincando mesmo, é bacana. Sempre estou brincando, mas ele puxa
bastante a orelha.

MAIS LIDOS

Presidente do Atlético-MG afirma que vai pedir a exclusão do Fla do Brasileirão

Após muita polêmica, a partida entre Palmeiras e Flamengo foi realizada. O ocorrido gerou muitas reclamações de outros clubes pelo fato de o time...

Fla hoje: Hugo ou César na Libertadores?

O Fla hoje agora está focado na disputa da Libertadores da América. Na próxima quarta-feira, o Rubro-negro carioca tem pela frente um dos jogos...

Dome se diz “extremamente orgulhoso” da atuação do Fla após empate

Ausente no empate em 1 a 1 diante do Palmeiras, na tarde deste domingo (27), Domènec Torrent, afastado por estar infectado pelo novo coronavírus,...

Torcida do Palmeiras pede a cabeça de Luxa após empate; veja os comentários

O Flamengo entrou em campo na tarde deste domingo, diante do Palmeiras, no Allianz Parque. O Rubro-negro viu o time paulista abrir o placar, entretanto,...