terça-feira, setembro 22, 2020
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Flamengo esmiúça custo de Diego e admite negociar saídas.

Diego Ribas assinando contrato com o Flamengo – Foto: Divulgação

GLOBO
ESPORTE
: O Flamengo contratou Diego. Um dos grandes meias revelados pelo
futebol brasileiro nos últimos anos. O preço da operação assustou alguns clubes
que sondavam o jogador, mas nem tanto o Rubro-Negro vai depender de nenhuma
expectativa de receita para se pagar.

Com
entrevistas – de dirigentes a conselheiros e estudiosos das finanças do clube
da Gávea -, observação de balanços e do orçamento aprovado para 2016 (que vai
passar por revisão dia 1º de agosto para conselheiros do clube), a reportagem
listou perguntas e as respondeu com compilados de informações para os
torcedores rubro-negros. O passado recente sem notícias de salários atrasados,
calotes em pagamentos e novos processos judiciais alavancam o clube.
– Fizemos
contratações nessa janela porque, fazendo projeção desses investimentos,
olhamos para 2016, 2017 e 2018. No caso do Diego, até 2019, porque são três
anos de contrato. Temos muita segurança de que vamos pagar em dia esse elenco.
Diferente de outros clubes, a proporção receita versus gastos com futebol do
Flamengo chega a ser baixa. Era de 41% ano passado. Este deve aumentar para 45%
– afirma Pedro de Almeida.
Qual será o custo da contratação de Diego
nos três anos de contrato?
Diego
rescindiu o contrato com o Fenerbahçe. Isso, por si só, já diminui o custo de
uma operação. Ou, pelo menos, dilui esse custo, facilitando bastante o
pagamento. Se saiu de graça da Turquia, “alugou seu “passe” para
o Flamengo. Como? Em luvas. Mas o clube vai pagar, parceladamente, em três anos
de contrato. Entre salários e luvas, a estimativa é de que o Flamengo vá gastar
cerca de R$ 30 milhões com Diego.
Estes
valores representam, por exemplo, menos que o acordo com Guerrero e também
menos do que pode gastar por Marcelo Cirino no final de contrato. O atacante,
ex-Atlético-PR, é um caso excepcional de parceria com fundo de investimento de
jogadores, a Doyen Sports. Caso não seja transferido até o fim do contrato,
Cirino vai custar mais de 3,5 milhões de euros – cerca de R$ 12 milhões, além de
juros de 10% ao ano, para os cofres do Rubro-Negro.
Para
comparar com operação recente no mercado brasileiro, o São Paulo vai pagar
total de mais de R$ 20 milhões – mais percentuais de duas promessas paulistas –
por Maicon, de 27 anos, ao Porto. Somados salários de um ano, Diego já sai mais
barato que o zagueiro.
Quanto o Flamengo já gastou em
contratações este ano?
Vamos
dividir essas respostas em duas. Primeiro, no pagamento de contratações este
ano – ou seja, que já saiu do cofre do clube para outros clubes -, a conta é
estimada em R$ 15 milhões a R$ 20 milhões. De dinheiro comprometido, que o
Flamengo vai pagar parceladamente ao longo dos anos -, a soma é de cerca de R$
30 milhões. O orçamento deste ano previa gastos da ordem de R$ 20 milhões. No
dia 1º de agosto, o Conselho de Administração se reúne para votar a revisão do
orçamento do clube. Houve receitas superiores ao previsto e outras bem
inferiores, como nos casos de patrocínios fixos – só a Caixa renovou.
Como o Flamengo vai pagar Diego, Damião,
Guerrero, Donatti, Réver…?
É a
folha salarial do futebol mais cara da gestão Eduardo Bandeira de Mello. Antes
da chegada de Diego, Donatti, Damião, Réver, Rafael Vaz, a conta apenas com
jogadores profissionais era superior a R$ 6 milhões. Contando gastos com o
departamento profissional, além de custos de direitos de imagem, entre outras
coisas – que no orçamento estão descritos como “serviços terceiros” por
R$ 37 milhões -, esta folha já tinha previsão de atingir R$ 8 milhões neste
ano. O departamento de finanças e de planejamento não confirmou os números ao
GloboEsporte.com, mas a atualização desta conta deixa o Fla com uma das folhas
mais caras do futebol brasileiro. Perto dos R$ 10 milhões mensais. 
É
preciso, porém, descontar que a saída de Muricy representa diminuição de cerca
de R$ 400 mil por mês. Ao mesmo tempo, houve reajuste salarial de Zé Ricardo,
contratação de Mozer para gerente de futebol e, claro, o peso dessas
contratações que compensa de longe a economia sem Muricy Ramalho. Mas o
Flamengo mostra segurança com suas principais fontes de renda: contrato de TV,
patrocinadores diversos – não só os da camisa, mas também o de material
esportivo, os acordos pontuais, entre outros -, ganhos de bilheteria superiores
ao estimado no início do ano e também as receitas com o programa sócio
torcedor.
O Flamengo vai precisar se desfazer de
jogadores para diminuir a folha?
A
resposta é simples: sim. Por que não pode pagar? Não, não por isso. É o que
dizem os dirigentes do Flamengo. Com muitos jogadores emprestados o clube faz
cálculos de que vai deixar de pagar este ano cerca de R$ 9 milhões em salários.
O Flamengo assegura que pode cumprir o que está hoje na folha de pagamento,
pois está dentro do orçamento. Mas… pelo custo x benefício de algumas
contratações e de jogadores que inflam a folha e não dão retorno a perspectiva
é de saída. É duro para dirigentes não admitirem, talvez nunca o façam, mas um adeus
– leia-se negociação – de nomes como Sheik, Gabriel e até o titular Marcelo
Cirino representaria não só alívio, mas abertura de espaço na folha de
pagamento.
O Flamengo vendeu Kayke por cerca de R$ 7
milhões. Vai vender mais alguém?
O
clube hoje tem entre as principais receitas, pela ordem: contrato de TV,
patrocinadores, bilheteria e sócio torcedor. A venda de jogadores não é o forte
da atual administração. E isso pode ser encarado de duas maneiras. Uma delas,
que não é lá tão precisa, diria que o Flamengo não vende sua matéria-prima e
preserva as revelações da base. Nada disso. Há convicção de que o clube precisa
vender mais. Em 2013, faturou “apenas” R$ 3,8 milhões com venda de jogador. Em
2014, R$ 6,9 milhões. No ano passado, com a saída de Samir em dezembro,
aumentou consideravelmente para R$ 11,9 milhões – superando a meta de R$ 10
milhões. Este ano, Kayke foi vendido por R$ 7 milhões. Wallace, para o Grêmio,
por R$ 3,2 milhões. A meta era a mesma do ano passado e já foi batida. Ainda
existe chance da negociação de Adryan. Outra possibilidade: o clube tem
dinheiro a receber por Hernane que representa cerca de R$ 11 milhões, mas,
pelos processos protelatórios dos árabes, esta receita só deve entrar em 2017.

Temos que vender jogador para atender essa base histórica de receitas.
Dividimos as contratações jogando parcela para longos anos, mas obviamente as
receitas têm que acontecer – lembra o vice de planejamento.
O Flamengo pode faturar mais com a chegada
de Diego?
Sem
dúvida, mas nada muito representativo de acordo com o próprio clube. Os
departamentos de finanças e de planejamento do clube estimam impacto de até 5%
a mais de receitas com sócio torcedor, bilheteria e patrocínios. Parece pouco,
mas, de acordo com informações do clube, estava dentro do previsto para o
crescimento de receitas.
– Não
estamos contratando esperando receitas absurdas que, na pratica,
historicamente, não acontecem. Aí se frustra a projeção orçamentária e os
clubes ficam com problemas. Fomos muito responsáveis em cada centavo nessa
contratação – afirma o vice de planejamento.

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