quinta-feira, setembro 24, 2020
Início Notícias Contratações Flamengo estuda técnico vice-campeão do Paulistão.

Flamengo estuda técnico vice-campeão do Paulistão.

Foto: Renato Silvestre/Audax

COSME
RIMOLI
: Contratação de treinador tetracampeão brasileiro, vindo de estágio no
Barcelona. Melhor executivo de futebol do país. Gastos de R$ 26 milhões com
jogadores. Volta de um grande ídolo, nascido no clube, e grande líder. Elenco
mesclando estrelas como Guerrero e Sheik com jovens valores da base. Maior
torcida do Brasil.

A
fórmula se mostrava perfeita para o presidente Eduardo Bandeira de Mello. Mas
na prática, o que deveria marcar uma temporada sensacional, se mostra cada vez
pior para o Flamengo.
Muricy
Ramalho se preocupou com coisas demais. Quis ser manager, executivo de obras e
técnico. O desgaste foi imenso para quem, aos 60 anos, acabava de ficar quase
um ano afastado do futebol. Por problemas graves de saúde. Teve de submeter a
uma operação para a retirada da vesícula. A cirurgia não é simples como
arrancar um dente, como ele gosta de brincar. Ainda mais com 59 anos.
A família
já queria que ele parasse de trabalhar como treinador. Ele já tinha uma
carreira de 22 anos como técnico de futebol. Muito equilibrado, sua vida
financeira está resolvida há muito tempo. Investe em imóveis desde que foi
jogador de futebol, que teve seis anos de sucesso no México.
Mas o
amor ao futebol e o desafio de revolucionar o Flamengo falaram mais alto. Virou
as costas a uma proposta de R$ 700 mil do Internacional. E foi ganhar R$ 500
mil na Gávea. Assumiu que transformaria a filosofia do clube. Tornaria a Gávea
a nova Catalunha. Só não iria exigir independência do Brasil. No mais seguiria
os princípios do Barcelona, que tanto o encantaram.
Só que
a pressão do clube mais popular do Brasil é imensa. Para promover essa
revolução, Muricy teria de conquistar vitórias, títulos. Os mais fáceis ele
deixou escapar de forma incrível. O desempenho do Flamengo na Primeira Liga e
no Campeonato Carioca foram pífios. Na Copa do Brasil, o time também já dava
indícios que seria desastroso.
A
expectativa é a mãe da decepção. A oposição rachada do Flamengo se juntou. E
decidiu massacrar Muricy e Rodrigo Caetano. O fracasso do time, dos reforços, a
falta de rumo, a desistência de Wallace em seguir sendo o bode expiatório, a
arrogância em não assumir ter montado um elenco fraco. Os prejuízos por não
seguir adiante na Primeira Liga, no Carioca. E o medo, que se concretizou, da
eliminação da Copa do Brasil, na pior campanha da história.
De
nada adiantava mostrar as melhorias do Centro de Treinamento. Do departamento
médico, da fisiologia. A seriedade na categoria de base. A magistral
recuperação econômica do Flamengo. As dívidas diminuíam de forma assustadora.
O que
interessava não estava dando resultado. O lado mais palpável. O futebol do time
se tornou vexatório. Do mesmo jeito que a imprensa carioca costuma se apressar
em eleger ídolos, também é cruel quando os resultados não chegam.
O
trabalho de Muricy passou a ser contestado. O paulistano que traria seriedade e
trabalho não estava funcionando. A falta de visão do treinador colaborou muito
com as críticas. Sem jogadores qualificados é impossível repetir o esquema
tático do Barcelona. O tiki-taka, troca de passes curtos, movimentação
constante do time do meio para a frente, o domínio total da bola durante a
partida. Tudo isso não funcionou no Flamengo por um motivo simples. O elenco é
desequilibrado, fraco, sem potencial para fazer nem um décimo do que Muricy
sonhava.
E
vieram as derrotas, as críticas, a pressão. O treinador vendo as pessoas que o
apoiaram, compraram a sua ideia, sendo humilhadas, xingadas pelos torcedores.
Passando extrema vergonha.
As
pessoas próximas de Muricy sabem que ele é explosivo com os jogadores.
Principalmente quando as coisas não dão certo. Mas aprendeu que precisa se
conter diante da imprensa. Estava uma pilha de nervos. Cada coletiva era mais
sofrida. Até que veio a forte arritmia cardíaca na semana passada. No
treinamento que tentaria salvar o Flamengo na Copa do Brasil. Foi internado.
Ficou constatada que a fibrilação auricular, a arritmia, precisava se
controlada. Tomou medicamentos específicos. Deixou o Rio e veio para São Paulo.
Mas
viu o Flamengo passar pelo vexame de ser eliminado da Copa do Brasil pelo
Fortaleza. Confirmada a pior campanha da história do clube na competição,
Eduardo Bandeira de Mello passou muita vergonha. Adiou a ida para os Estados
Unidos comandar a delegação brasileira na Copa América.
Bandeira
sabe que precisa fazer mudanças radicais no futebol do Flamengo. Ou seu grupo
não sobrevive politicamente. E até mesmo o esforço para modernizar o clube e,
principalmente, continuar saneando as dívidas. Tudo pode ruir.
A
derrota do Flamengo para o Grêmio só piorou ainda mais o ambiente.
Bandeira
de Mello se mostra cansado de esperar pelos resultados prometidos por Rodrigo
Caetano. O executivo está a um passo da demissão. O ex-chefe da assessoria de
imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, já se apresenta como candidato à vaga. O presidente
o veria muito hábil no trato com os jogadores e com os jornalistas.
E a
principal decisão será em relação a Muricy. A família, principalmente a esposa
Roseli, o quer fora do Flamengo. Não o vê com saúde para cumprir todas a
promessas que fez. Reestruturar um clube é tarefa pesada demais.
Muricy
reluta. Sabe que se abandonar o projeto ficará marcado. Taxado como um homem
sem saúde para ser treinador de grandes clubes no país. Por isso reluta.
Bandeira de Mello quer a decisão.
Os
exames profundos marcados para amanhã definirão de verdade a sequência do
treinador.
A
situação do Flamengo até o final do mandado de Bandeira de Mello.
Nomes
já estão sendo estudados para o lugar de Muricy.
Reinaldo
Rueda, treinador do Atlético Nacional, Eduardo Coudet, técnico do Rosário
Central. São dois nomes cogitados. Há quem se arrependa por não ter insistido
com Edgardo Bauza, que esteve para assumir o clube antes de Muricy.
Mas
Abel Braga surge como favorito. Fernando Diniz corre por fora.
A
verdade é que Bandeira de Mello quer viajar para os Estados Unidos.
Não
sem antes fazer mudanças profundas.
Rodrigo
Caetano está a um passo da guilhotina.

MAIS LIDOS

Jorge Jesus no Flamengo: Treinador exalta a torcida do Fla

O técnico Jorge Jesus deixou o Flamengo logo após ter uma temporada praticamente perfeita com o Rubro-negro. Hoje treinador do Benfica, ele ainda é...

Governo do Rio libera público nos estádios; Fla era a favor

O surto recente de casos de covid no Flamengo parece não ter impressionado dirigentes do clube e políticos do Rio de Janeiro. Na manhã...

Fla hoje: Fábio Sormani critica o Palmeiras

O comentarista Fábio Sormani, dos Fox Sports, não perdeu a oportunidade de criticar o Fla hoje e o Palmeiras. O comentarista detonou o Palmeiras, já que o time...

Campeão de infecção: Fla é o time com mais contaminados pela Covid-19 na série A

Antes da retomada do futebol no Brasil, o Flamengo foi o principal apoiador da ideia da volta do esporte durante o auge da pandemia...