quarta-feira, setembro 30, 2020
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Flamengo teve 50 ofertas de jogadores estrangeiros.

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

O GLOBO: PH é volante do América. Apesar da posição, usou a
camisa 10 no jogo contra o Macaé. E ficou surpreso ao receber marcação
individual. Ficava preso na proteção à zaga, mas, assim mesmo, era seguido por
onde ia. Até que ouviu uma pergunta:

— Você que é o argentino? Mandaram “eu” colar no argentino.
A sombra de PH tinha ordens de seguir o meia Matías Sosa,
ex-jogador da terceira divisão da Argentina e reforço do América. Ao ver uma
camisa 10, não teve dúvidas de que tinha resolvido o problema de marcar um
jogador que nunca tinha visto. A invasão sul-americana no futebol brasileiro
atingiu todas as divisões. Desde janeiro, 17 estrangeiros entraram no país. Ao
todo, 73 estão registrados na CBF. Quase todos do continente. Seja por
imposição econômica, modismo ou mera tentativa de criar impacto, a onda de
contratações acabou por exibir as disparidades entre grandes e pequenos. Do
processo de garimpo de jogadores às aspirações dos recém-chegados.
Matías Sosa não encontrou glamour. Aceitou o piso salarial
de R$ 5 mil estabelecido pelo América, deixou o modesto Club Cipoletti, e
conheceu um Rio de Janeiro diferente dos cartões postais. Vive no alojamento
sob a arquibancada do Estádio Giulite Coutinho e aguarda a mudança para um
apartamento em Mesquita. Num passeio, companheiros de clube o levaram para
conhecer as praias da Zona Sul.
— Estou preocupado só com o futebol. Se você vai bem no
Brasil, pode ir a qualquer lugar, a alguma das melhores ligas do mundo — sonha
Sosa, sem disfarçar a meta de entrar no mercado brasileiro e virar um “produto
de exportação”.
O diretor executivo do América, Marco Antônio Teixeira,
descreve o funcionamento do mercado de estrangeiros nos clubes pequenos.
— É muito no olhômetro, um mercado informal, de relação
pessoal. E, claro, com muitas ofertas de agentes. Conseguimos ver lances na
internet, o YouTube tem. Gosto muito do Wikipedia também — diz Teixeira,
referindo-se à enciclopédia da internet, com conteúdo atualizado por qualquer
usuário. — Um conhecido meu, do meio do futebol, disse que o Sosa estava
insatisfeito. E fomos atrás de informações.
O clube conseguiu vídeos de jogos. O técnico Ricardo Cruz
diz ter visto duas partidas completas. Mas apenas no dia a dia passa a
conhecer, de fato, o jogador.
A busca por sul-americanos inclui pequenos e grandes. O
Botafogo trouxe quatro; o Flamengo, dois. O Resende buscou os paraguaios Jorge
Baez e Enrique Borja e o argentino Joaquín Romea.
A história recente indica um nível baixo de êxito na
contratação de estrangeiros por clubes brasileiros. Contam-se nos dedos os
casos de jogadores trazidos ao país com sucesso técnico e, em seguida, vendidos
por altos valores. O discreto retorno ao mercado sul-americano tem sido o
destino mais comum após a passagem pelo Brasil. Mesmo assim, a exportação
desenfreada de jogadores e a falta de competitividade do real frente a dólar e
euro tornaram a América do Sul um dos últimos refúgios de poderio econômico dos
clubes do país. A viabilidade financeira é a maior incentivadora da importação.
APOSTA
EM INTELIGÊNCIA
O investimento em pesquisa tenta reduzir a margem de risco.
E já há clubes do lado oposto ao da informalidade. O diretor executivo do
Flamengo, Rodrigo Caetano, garante que Cuéllar e Mancuello, apostas da atual
janela de transferências, não chegaram por ofertas de agentes. Oito
funcionários trabalham na coleta de dados de jogadores no setor de inteligência
do clube. As estrelas do processo são dois softwares comprados pelo clube,
desenvolvidos para munir de informações os responsáveis por ir ao mercado: o Iscout
e o Sportcoach. Cerca de 24 horas após cada jogo, disponibilizam estatísticas e
imagens de partidas ao redor do mundo. Além de permitirem a observação de
situações de jogo específicas: duelos no um contra um ou jogadas de linha de
fundo, por exemplo.
— Tivemos 50 ofertas de agentes. Mas fomos buscar jogadores
que identificamos. Além das ferramentas de busca, assistimos in loco. O risco
ao escolher estrangeiros, no nosso caso, foi menor. Os atletas viáveis para
negociar no Brasil são mais desconhecidos ou de padrão técnico inferior. O que,
aí sim, aumentaria o risco — afirma Caetano.
Mas, mesmo na elite do futebol nacional, ainda há quem se
veja limitado ao método de tentativa e erro. No Botafogo, Ricardo Gomes recebeu
Lizio, Joel Carli e Gervasio Núñez, além do atacante Salgueiro, este não tão
obscuro. Os três primeiros, admite que não conhecia antes de as negociações
começarem. Sem dinheiro para a aquisição de sistemas avançados de observação,
reconhece que a incerteza é grande.
— O certo é selecionar o jogador e ir observar, viajar. Mas
custa dinheiro. O Botafogo não tem US$ 20 mil para ir olhar um jogador. Ainda
mais para, eventualmente, olhar e não contratar. O normal é um em cinco ter
sucesso. Não tem craque aqui. Nem nos países deles eram reconhecidos assim —
revela o técnico. — Até vi jogos inteiros, mas alguns em campeonatos de nível
técnico baixo.
Lizio, por exemplo, atuava na Bolívia. Outra realidade.
Ricardo Gomes alerta que, na média, a importação brasileira não inclui jogadores
de ponta. Quem atua no mercado lhe dá razão.
— O jogador brasileiro sai por razões técnicas: vai
melhorar o nível de campeonatos e times. Os sul-americanos têm vindo para cá
apenas por razões econômicas. Em geral, não são melhores do que os daqui. O jogador
top não passa pelo Brasil. Vai direto para a Europa — reconhece o empresário
Eduardo Uram. — Tenho visto contatos entre agentes e clubes para oferecer
jogadores. Não há rede de observação. E o índice de erro é muito grande. Muitos
contratam para causar impacto.

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