sábado, setembro 26, 2020
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Técnico do Flamengo oferece ‘tapete vermelho’ a Robinho.

Cosme
Rimoli – Robinho teve o mundo a seus pés. Sua vida parecia um conto de fadas.
Quando garoto carregava o preconceituoso apelido de ‘Neguinho do Cemi’. Aos
cinco anos, para ajudar a família ficava cuidando dos carros, em troca de
alguns trocados, na frente do Cemitério do Bitaru, em São Vicente.

Enquanto
os enterros aconteciam, aproveitava para jogar futebol na rua esburacada.
Franzino, mal nutrido, chamava a atenção por sua habilidade e velocidade. A
ginga, os dribles eram fundamentais para escapar dos pontapés dos irritados
colegas mais velhos. Quando o funeral acabava, corria ainda mais para cobrar
por ter ‘protegido’ os carros.
Sem
dinheiro para comprar bolas de futebol, seus pais o mandava brincar com
bolinhas de tênis usadas. A família aproveitava as que vinham parar no seu
quintal, que ficava perto de uma quadra. O jogador garante que sua habilidade
nasceu com as bolinhas amarelas.
Foi
levado para o futebol de salão, nos fraldinhas do Beira Mar de São Vicente. De
lá, mais ‘experiente’, aos nove anos foi para os Portuários. Seus dribles e 73
gols em uma temporada despertaram atenção do Santos.
Ou
melhor, de Roberto Antonio. Betinho era olheiro. E sempre foi fiel à sua
filosofia. “A mina de ouro da Baixada está em São Vicente e nas cidades
perto de Santos. Porque os pobres não têm dinheiro para morar lá, que é mais
desenvolvida. E cara.” Foi assim se apresentou à família de “Neguinho
do Cemi”. E o levou para o Santos. Um dia, levaria Neymar.
Ao
desembarcar na Vila Belmiro, Robson virou Robinho. Era melhor exorcizar
qualquer ligação com cemitérios. Muito competitivo, individualista, o garoto
misturava talento com total falta de preparo psicológico. Quando perdia o
Santos perdia, ele voltava chorando, desesperado. Betinho o tentava acalmar.
Mas o ego de Robinho não tinha limites. Se considerava único responsável pela
vitória ou derrota do time.
Betinho
o convenceu que seu caminho era outro. Seu foco deveria ser em se tornar o
melhor jogador do mundo. Potencial para isso isso tinha. Destro, jogaria na
esquerda. Confundiria os marcadores, já que tanto poderia buscar a linha de
fundo ou cortar pelo meio, escapando do lateral e do zagueiro central.
Quando
tinha pela frente truculentos marcadores, se lembrava da esburacada rua em
frente ao cemitério e os garotos mais velhos, loucos, tentando acertar pontapés
em suas finas canelas. Suas arrancadas eram impressionantes. Os dribles
desconcertantes. Logo estava nas mãos do mais ambicioso empresário do futebol
brasileiro, Wagner Ribeiro.
Ao
mesmo tempo, caiu no canto da Sereia. Ouvia todos os dias do então presidente
santista, Marcelo Teixeira: seria o sucessor de Pelé. Havia nascido para ser o
‘melhor do mundo’. A imprensa também seguiu neste caminho. Até o também
egocêntrico Leão se rendeu depois do que ele fez na final do Brasileiro em
2002.
Pelé
também se encantou com o jogador. E chegou a declarar. “O raio caiu duas
vezes nesta Vila abençoada”, disse às rádios. Ou seja, de novo o Santos
tinha o melhor do mundo. Mesmo sem a autorização de Marcelo Teixeira, Wagner
Ribeiro negociava o jogador. Benfica, Bayern, Chelsea, Milan estiveram bem
perto.
As
ofertas se sucediam, quando a mãe de Robinho foi sequestrada em 2004. Ele
decidiu ir embora de qualquer maneira para a Europa. Precisaria de muito
dinheiro. Até para proteger sua família. Virou as costas a Marcelo Teixeira,
saiu brigado com o Santos. Optou pelo Real Madrid. Foi quando deu a declaração
que iria travar sua carreira.
“Estou
indo para o Real Madrid para ser o melhor do mundo.”
A
frase virou manchetes de jornais, repercutiu na televisão, nos rádios. E na
concentração do Real. Repórteres espanhóis me confirmaram que o brasileiro foi
boicotado. O ‘dono do vestiário’ era o atacante Raúl. E invejoso com o assédio
ao novo contratado, tratou de envenená-lo. Deixou claro que ele se colocava
como mais importante que o clube, que seus companheiros. E que usaria a camisa
merengue apenas para se promover, tentar ser o melhor do planeta.
Raúl
sempre foi muito amigo da direção do Real Madrid. Seus companheiros se fecharam
com ele. Robinho não esperava essa resistência. Mas comprou a briga. Acabou
engolido. Sabotado. Para piorar, também caiu na tentação de ganhar músculos
para enfrentar os pesados gramados com a chuva e neve no auge do inverno
europeu. Além dos seus eternos marcadores truculentos. O resultado não foi bom.
Muito
bem nutrido, perdeu velocidade. Seus arranques já não eram tão ágeis,
imprevisíveis. Dono de uma técnica apurada, ele sobreviveu no futebol europeu.
Mas não como protagonista. Sua personalidade difícil criou vários problemas.
Como quando foi seduzido por Luiz Felipe Scolari. Já em segundo plano no Real
Madrid, quis forçar sua ida para o Chelsea, do treinador brasileiro. A cúpula
do Real soube que Wagner Ribeiro já havia acertada a transação. E deu o troco.
Ou ele
iria para o Manchester City ou não sairia do clube. Sem opção, Robinho foi para
o time que não desejava. Dispensou Wagner Ribeiro pela precipitação. E tratou
de mostrar seu descontentamento em não ir para o Chelsea. Sua passagem pelo
City foi um inferno. Acabou várias vezes nem ficando na reserva. Teve brigas
homéricas com treinadores, dirigentes. Voltou para o Santos para recuperar a
autoestima. E se valorizar disputando a Copa da África.
Foi o
que aconteceu. O clube inglês o despachou com prazer ao Milan. Lá encontrou o
clube decadente, sem o dinheiro e os craques que o consagraram no passado. As
alegrias com o Campeonato Italiano no primeiro ano foram sumindo, assim como o
potencial do time nos quatro anos seguidos. Sem mercado na Europa, mais reserva
do que titular, acabou voltando ao Santos. Estava deprimido, esquecido na
Itália. Precisava da idolatria que só encontra na Vila Belmiro.
Emprestado.
Com o clube do Litoral pagando os salários que somam os dois milhões de euros
por temporada, cerca de R$ 6,7 milhões. O que faz com que receba cerca de R$
558 mil. Ou melhor, não receba. O Santos lhe deve cerca de R$ 6 milhões em direito
de imagem. Vanderlei Luxemburgo já lhe ofereceu o tapete vermelho, e salários
em dia, para jogar no Flamengo depois da decisão do Paulista.
O
presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, está desesperado. Procura viabilizar
alguma empresa ou um milionário que esteja disposto a pagar o salário do
atacante. Mas com o país mergulhado na recessão está muito difícil. Não será
surpresa se tiver de abrir mão do jogador. Modesto só repete que não agirá como
o ex-presidente Luís Álvaro, mantendo atletas que o clube não pode pagar.
Aos 31
anos, Robinho desfruta ainda da confiança de Dunga. Há chances reais de
disputar a Copa América. Ser um reserva de luxo. Até como retribuição por ter
enfrentado a direção do Manchester City várias vezes para aceitar convites da Seleção
que disputaria a Copa de 2010. Os dois choraram muito na eliminação para a
Holanda, nas quartas-de-final na África.
O
Milan tem mais um ano de contrato com o atacante. Ele sabe que se for para a
China, Japão ou Estados Unidos, poderá ganhar um bom dinheiro. Mas enterraria
as chances de atuar pela Seleção. E hoje é um dos seus maiores orgulhos. Sabe
que sua técnica ainda o garante como um dos melhores no país. Ele gosta disso.
Viu o
empenho com que o Santos o preservou para a final de amanhã contra o Palmeiras.
Quando cantou o funk provocando o adversário, na verdade, impôs talvez sua
última missão com a camisa santista. Dar o título paulista e ir embora do clube
que está mergulhado em dívidas. Sem condições de pagá-lo.
Ele já
está milionário. Aproveitou bem sua transferência do Real para o Manchester, do
City para o Milan. E os salários de oito anos de Europa. O garoto que ganhava a
vida em frente ao cemitério foi muito além do que poderia imaginar. Mas ficou
aquém do que desejava. Mal orientado, egocêntrico, não passou nem perto de ser
melhor do mundo.
Na
Vila Belmiro, amanhã, tem a chance de mais uma vez retribuir ao clube que mudou
sua vida. E que nunca lhe virou as costas. Pelo contrário. O acolheu com o
carinho de quem o viu nascer. Cantando, o homem de 31 anos deixou vir à tona o
jovem irreverente, egocêntrico, confiante.
A
resposta do que ainda pode fazer com a bola nos pés será dada amanhã. Os
palmeirenses prometem que se arrependerá da ousadia, da arrogância de seu funk.
Mal sabem eles que Robson de Souza não os estavam desafiando. E sim provocando
o ‘rei das pedaladas’. O ‘sucessor de Pelé’. O “Neguinho do Cemi”…

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