segunda-feira, setembro 28, 2020
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Convocação Sub-20 foi a 2ª mais reformulada da história.

Torcedores
– No futebol brasileiro, maus resultados e campanhas frustrantes quase sempre
resultam na demissão do técnico. O treinador é visto – superficialmente – como
a peça mais substituível da engrenagem de uma equipe. Na seleção sub-20, porém,
a história é diferente. Mesmo com poder reduzido dentro da CBF, Alexandre Gallo
apresentou na última quarta-feira (29) uma reformulação drástica na lista de
convocados que irão ao Mundial da categoria. O time é o segundo que menos
atletas levará do Sul-Americano na história do país na competição.
A
relação anunciada ao vivo pelo site da entidade ganhou repercussão negativa bem
mais pelas ausências do que pelos jogadores inclusos. As mudanças atingiram
quase todo o elenco quarto colocado no Sul-Americano, e denunciam prioridades e
comando absolutista nos times de base. Caçando culpados para suas próprias
limitações, Gallo puniu o talento em virtude estrita de seus métodos de
conduta. Sem usar o limite da Fifa de 35 pré-relacionados, o comandante chamou
26 jogadores, dentre os quais cinco serão cortados até o dia 15 deste mês.
A
reformulação feita por ele pegou muita gente de surpresa. Nomes esperados como
os dos meias Gérson e Nathan, e dos atacantes Gabigol, Carlos, Ewandro e Malcom
não foram citados. Vistos como algumas das principais promessas do futebol
brasileiro e frequentemente apontados como objetos de desejo de gigantes
europeus, eles foram preteridos sem grandes explicações, deixando em aberto
interpretações sobre os reais motivos. Ao primeiro olhar, do quesito técnico,
excluir tais nomes causa incompreensão e reprovação, levando à análise de
outros critérios, como o de gestão de grupo.
Os
problemas no Sul-Americano não foram somente no ajuste dentro de campo. Nos
vestiários, o relacionamento ruim com alguns atletas – inclusive destaques da
equipe, agravou-se ao decorrer do torneio, culminando na varredura daqueles que
não se alinhavam ao discurso de comprometimento. Um dos casos de conflitos
entre treinador e comandados envolve Carlos, do Atlético-MG, que teria pedido
dispensa do grupo alegando dores na coxa. À Rádio Itatiaia, no entanto, o
empresário do atleta, Jorge Machado, afirmou que o atacante teria lhe dito que
a seleção não lhe ”acrescentaria nada”.
Outro
caso emblemático envolve o meia Gérson. As divergências com Gallo teriam
começado ainda em 2013, com um pedido de liberação mal recebido pelo treinador.
Então com 16 anos recém-completos, a joia do Fluminense afirmou na época ter
problemas pessoais e pediu pra não jogar o Mundial Sub-17. Convocado para a
sub-20 mesmo ‘fora da idade’ – está em primeiro ano de júnior e teria idade
para a outra sub-20, em 2017, ele teria, de acordo com o UOL, simulado uma
contusão durante a partida contra o Peru, e depois afirmou que não gostaria de
estar na Copa do Mundo da categoria.
Ambos
são parte da reforma radical feita por Gallo. Ao todo, foram ceifados 14 dos 23
nomes que estavam três meses atrás. Ganharam nova chance os goleiros Marcos e
Georgemy; os laterais João Pedro e Caju; os zagueiros Marlon e Léo Pereira; e
os atacantes Marcos Guilherme, Kenedy e Mamute. A sobreposição de quase todo o
grupo já ganha proporções históricas. Como mostra a tabela abaixo, a seleção de
2015 é a segunda sub-20 mais mudada em relação à que jogou o respectivo torneio
sul-americano:

O
levantamento feito pelo Torcedores.com, baseado em dados do site RSSSF, mostra
que antes mesmo de cortar da lista final os cinco nomes necessários dos 21
relacionados oficialmente para o torneio, o sub-20 de Gallo já aparece como um
dos mais modificados ao longo das 20 edições do Mundial. Excetuando os anos de
1964 e 2013, quando não jogou da competição, a seleção preserva para a Copa do
Mundo, geralmente, mais da metade do plantel que se classifica nas Américas.
Isso aconteceu em 13 das 18 participações tupiniquins.
O
número percentual de mantidos, proporcional ao número de atletas que jogaram
uma competição e foram à outra, atenua a falta de destreza do comandante com a
equipe que dirigiu. Exceção aos cinco índices mais baixos, o time de 2015 é o
único em que não houve troca de treinador entre as competições, ainda assim, é
maior do que as edições de 99, 87 e 2003 – a colocação no Sul-Americano,
entretanto, é a pior. Com a lista final, a atual sub-20 pode, até, ocupar o
último posto deste ranking.
Se dos
quatro cortes restantes, todos os escolhidos forem nomes que estiveram no
Uruguai, apenas cinco embarcam à Oceania – isso porque há quatro goleiros
relacionados para três vagas, então um dos que sucumbiram já garantiu-se no
Mundial. Caso qualquer um desses jogadores ‘de linha’ seja cortado, a
porcentagem fatalmente cairá, podendo chegar a 21,74% do elenco do
Sul-Americano agora presente (com 5).
O
desempenho aquém do esperado no Uruguai trouxe à tona a necessidade de uma
remodelagem na maneira de atuar. Uma melhor e mais criteriosa observação de
valores individuais faria, por conseguinte, que determinados setores sofressem
modificações. Nem mesmo futebol pouco vistoso e nada envolvente foi capaz de
maquiar o retrospecto negativo alcançado pelo time. Como enumerado abaixo, o
ataque da seleção sub-20 de 2015 aparece como o sexto pior da historia do país
num Sul-Americano:

O
baixo poder de fogo dos atletas de ataque dão força, por um lado, à mudança
proposta por Gallo. Em contrapartida, a falta de repertório ofensivo
apresentada no Uruguai e o esquecimento a Bruno Gomes, um dos maios goleadores
da base brasileira nos últimos quatro anos, desmontam a tese de que a falta de
gols seria por falta de qualidade individual.
O
centroavante do Internacional era, inclusive, uma das surpresas esperadas na
convocação do dia 29, mas assim como Willian, Émerson, Júnior, Bruno Paulista,
Gustavo Hebling, Marciel, Fernandes e Rômulo, acabou ficando de fora. A
reformulação brusca de Gallo foi previamente anunciada na única – e contestável
– convocação no semestre, da qual quase todos que estiveram no torneio amistoso
na Áustria foram reaproveitados na lista seguinte.
Responsabilizado
e isolado após o Sul-Americano, Gallo perdeu o cargo de coordenador das
seleções de base – foi contratado Erasmo Damiani, e também quase toda sua
comissão técnica. A dissipação feita agora indica a quem foram atribuídos os
maus resultados. Mesmo num projeto essencialmente para longo prazo, o treinador
mostrou não pensar duas vezes em fazer grandes mudanças. Agora, pressionado por
um bom resultado na Nova Zelândia, terá que mostrar que também mudou.

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