domingo, setembro 27, 2020
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Corinthians tem direito de exibir mágoa com Guerrero.

ESPORTE
FINAL – Circula por fóruns e em alguns portais a informação de que a torcida do
Corinthians planeja um protesto para o primeiro reencontro em campo com Paolo
Guerrero, hoje jogador do Flamengo. Estariam sendo impressas notas de dinheiro
com o rosto do peruano e ensaiada até uma versão de “Brasil, decime lo que
siente”.

Guerrero
é o autor de um gol que entrou para a história do Corinthians: a cabeçada
mortal que determinou a vitória contra o Chelsea e, consequentemente, o título
mundial em 2012. A idolatria aumentou no início do ano seguinte, com a
conquista da Recopa e do Paulistão e a fiel torcida logo o alçou à condição de
“maior peruano vivo”. Foram 23 gols em 59 jogos, mas a raça do jogador aumentou
a percepção positiva vinda das arquibancadas.
Mas na
passagem de 2014 para 2015, começou a novela sobre a renovação de contrato.
Guerrero era o jogador mais valioso de um time que começava a mil por hora a
disputa da Libertadores. Passando por sérios problemas financeiros, a diretoria
do clube sempre disse que não faria loucuras. Para acalmar os corações
alvinegros, Guerrero avisou: ‘No Brasil, só jogo no Corinthians’.
Meses
depois, o desfecho inesperado. Guerrero não renovou com o Corinthians e acertou
sua transferência para o Flamengo, o maior rival dos paulistas fora do estado.
Alguns dirão que o eventual protesto é uma bobagem desnecessária, até porque o
Corinthians rapidamente se recuperou do divórcio e hoje sobra no Campeonato Brasileiro.
Ainda assim, a manifestação, caso realmente ocorra, me parece extremamente
válida e genuína.
Na
cabeça do torcedor o futebol jamais será enxergado como mercado. O que importa
é a paixão pelo time, rodada após rodada. E diante dessa percepção, importa (e
muito) a postura e comprometimento dos atletas que vestem a camisa do clube. No
Brasil, os ídolos sumiram. Jogadores de algum destaque passam poucos anos por
aqui e logo trocam a possibilidade de entrarem na história dos clubes nacionais
pelos contratos extremamente sedutores de grandes ligas da Europa e até de
mercados de menor visibilidade, como Rússia, Ucrânia, Oriente Médio, China e
agora até da Índia. Ao dar sua palavra, Guerrero colocou em xeque o maior bem
do torcedor. E por isso mesmo qualquer ato de reprovação, desde que pacífico, é
uma forma de deixar claro que essa lógica não muda.
“O
futebol é um negócio”, repetem diretores, empresários e agentes, como um
cacoete. Mas a mágoa é algo tão verdadeiro quanto à euforia. E a arquibancada
sempre será capaz de exercer o papel de tribunal moral do futebol. Se a torcida
corintiana levantar o tom de voz em direção a Guerrero, mostrará que certas
coisas não podem ser tratadas com indiferença.

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