sexta-feira, setembro 25, 2020
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Cosme Rimoli detona Flamengo e Guerrero após derrota.

Foto: Reprodução

COSME
RIMOLI
: Para alguém decide ser arrogante, precisa se garantir. Provar que está
a altura do olhar de superioridade. Porque a empáfia fica ridícula em caso de
fracasso.

Por
isso, a fisionomia cabisbaixa, envergonhada de Eduardo Bandeira de Mello em
Aracaju. Ele teve de sair protegido pelos seguranças. Flamenguistas sergipanos
que o reconheceram no camarote, não o pouparam. Cobravam, xingavam, apontavam
para o gramado ruim do Batistão.
Muitos
se sacrificaram para pagar R$ 400,00, R$ 200,00. Preços exorbitantes para a
realidade local. Mas a diretoria do Confiança tinha a certeza. Era a
oportunidade de 2016. O Flamengo não pisava em Sergipe havia 13 anos. Colocou e
vendeu os 15.580 ingressos para o Batistão. Estádio humilde, ultrapassado, de
46 anos. Cujo maior orgulho foi ter servido de treinamento da Seleção Grega na
Copa de 2014. A reforma de R$ 25 milhões não disfarça o atraso.
Bandeira
de Mello transformou uma reivindicação justa em empáfia. Todos os ingressos
para a partida da Copa do Brasil de ontem foram vendidos. Antecipadamente. A
arrecadação quebrou recorde em Sergipe. Nada menos do que 1.564.700,00. Na
competição, durante as primeiras rodadas, se um visitante ganha por diferença
de dois gols ou mais, elimina a segunda partida. E fica com 60% da arrecadação.
O
presidente flamenguista sonhava com cerca de R$ 936 mil. Uma maravilha. Mas se
deparou que a arrecadação final apresentada pelo Confiança era de R$
1.028.399,34. Sumiram R$ 536.300,66. Ou seja, se o clube carioca resolvesse a
questão em um só jogo, receberia pouco mais de R$ 600 mil. Bandeira de Mello
ficou revoltado.
A
diretoria do Confiança alegou que os ingressos foram distribuídos como cortesia
para torcedores importantes. E patrocinadores da Copa do Brasil. Quase um terço
da arrecadação. Um absurdo. Que a omissa CBF fez de conta que não aconteceu.
A
revolta flamenguista se tornou arrogância. A diretoria avisou que tudo seria
resolvido no campo. Estava claro que acreditava que o time de Muricy golearia.
Garantiria os 60% da arrecadação ‘total’ do confronto.
A
folha de pagamento do Confiança,time da Terceira Divisão, é de R$ 180 mil. A do
Flamengo, passa dos R$ 6 milhões. Só o salário de Muricy Ramalho chega a R$ 500
mil. Não havia comparação entre os elencos.
Os dirigentes
flamenguistas, revoltados com a distribuição de ingressos, queriam não só a
vitória. Mas um massacre. Fazer os nobres colegas dirigentes sergipanos
passarem vergonha.
A
chegada da delegação foi emocionante. Os torcedores cercaram o ônibus. Queriam
desesperados enxergar seus ídolos. Principalmente Sheik e Guerrero. Sonhavam
com um aceno, um sorriso. Um olhar já bastaria. Mas o elenco se manteve
impassível. Inatingível. Os fones de ouvidos os transformavam em deuses do
Olimpo. Ninguém teria a ousadia de interromper os pagodes, funks e cumbias que
estavam chegando aos seus tímpanos.
Depois
de fazer o favor de entrar nos humildes vestiários do Batistão, os jogadores
estavam prontos. Iriam cumprir sua obrigação. Seria fácil como escovar os
dentes, posar para uma selfie, comprar um carro importado sem pagar os devidos
impostos.
E tudo
começou bem demais. Aos oito minutos do primeiro tempo, Elielton acertou
violento chute no rosto de Ederson. Oito minutos do primeiro tempo! O poderoso
Flamengo teria 82 minutos de tempo normal. E mais os minutos de prorrogação
para se deleitar. A vingança estava garantida.
Bastaria
jogar sério. Não teria como. O técnico Betinho, ex-jogador do Palmeiras, tratou
de montar seu time com três zagueiros, uma linha de cinco. E, desde a expulsão
de Elielon, apenas Leandro Kivel na frente.
Depois
de que teve de submeter à operação para a retirada da vesícula, no ano passado,
Muricy tratou de fazer algo que precisava há muito tempo. Foi se reciclar.
Tentar fugir do “Muricybol”, futebol de muita marcação no meio de
campo e repetindo até a exaustão, as bolas aéreas. Só foi diferente no Santos,
quando teve Neymar. Mas com o melhor jogador do Brasil até Sebastião Lazaroni
pareceria Jupp Heynckes.
Bebeu
da fonte europeia. Foi para a Catalunha.E se apaixonou pela maneira com que o
Barcelona desde 2008, quando Guardiola assumiu a condução do time. Com oito
anos de atraso, ele descobriu o poder da posse de bola.
Ainda
não avançou nas triangulações, na flutuação dos meio campistas, que por vezes
são volantes e outras, meias. Fluxo, marcação por pressão. Movimentação
conjunta de um lado, depois do outro. Jogadas ensaiadas em faltas, escanteios.
E até laterais.
Atuação
em bloco. Defesa atuando na risca do meio de campo, colada no meio de campo e
ataque. Formando um exército invadindo o território, a área adversária.
Falta
tudo isso ao Flamengo na sua tentativa de imitar o Barcelona de 2008. Diante de
um adversário humilde como o Confiança, com um homem a menos, os cariocas
tiveram 77% de posse de bola. Mas não souberam o que fazer com ela. Trocas mais
de 300 passes de um metro, de lado, carimbar a bola, não significa nada. É
preciso penetração, arremates, sincronia. Velocidade, seriedade.
Nada
disso o time carioca mostrou. E ainda foi castigado com uma patética furada de
Rodinei. A bola caiu no pé esquerdo de Everton. O chute foi indefensável para
Paulo Victor.
Os
humildes de Betinho ousaram vencer os Deuses do Olimpo de preto e vermelho. A
diretoria do Confiança quase enfartou de tanta felicidade. Ficou com o total da
arrecadação. Com o que sobrou da distribuição para os torcedores ilustres, a
alegada cortesia. Essa é a regra na Copa do Brasil. Renda total do mandante em
caso de vitória.
Mas
mesmo derrotado, o Flamengo manteve sua empáfia.
“A
gente não jogou nada. Tivemos chances de matar o jogo e não conseguimos. Eles
só tiveram uma chance”, dizia Muricy, sem destacar o fato de conseguir
perder para um adversário muito inferior tecnicamente. E atuando por 82 minutos
com um a menos. Ele deveria se desculpar. Mas isso é algo impensável para os
nossos ‘professores’.
“Futebol
é isso. Nos reserva surpresas e algumas vezes desagradáveis. Nosso time é muito
mais que o deles. Com todo respeito, a equipe deles é limitada. Eles se
defenderam completamente durante todo o jogo. Acharam um gol, mas é ter
tranquilidade e reverter.”
Esse é
o resumo de Sheik da derrota em Aracaju.
Guerrero
segue seu ritual.
Quando
o time perde e ele não marca, não fala.
Em
Aracaju, o peruano teve sua grande cena.
Mostrar
a indignação por ter cortado o supercílio direito.
Cobrava
as autoridades, o FBI, o Departamento de Justiça dos EUA.
Como
um jogador do humilde Confiança ousou tocar no seu rosto?
Machucá-lo?
Mereceria
prisão perpétua, cadeira elétrica.
A Copa
do Brasil reserva esses contrastes.
O
choque de realidade.
E
prova o quanto o futebol brasileiro segue atrasado.
Não
nos clubes humildes, sacrificados, longe da mídia e do dinheiro.
Mas os
grandes.
Cada
vez menores, com jogadores menos talentosos e mais egocêntricos.
Treinadores
que copiam esquemas europeus com anos de atraso.
Mas
tudo isso não espanta a empáfia, a arrogância.
O
futebol deste país comete o pior dos seus erros.
Olha
no espelho, faz pose.
E
tenta se enganar.
Segue
estagnado.
Como
são pequenos os times dos grandes clubes brasileiros…

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