sexta-feira, setembro 18, 2020
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Cosme se redime e elogia o Flamengo por efetivar Zé Ricardo.

Foto: Rodrigo Coca

COSME
RIMOLI
: A mais justa notícia na Gávea. Enquanto o Flamengo confirmava a
contratação de Leandro Damião, a justiça era feita. A efetivação de Zé Ricardo
como treinador do clube. Acabou a histeria de alguns conselheiros importantes
que sonhavam com a vinda de um treinador ‘experiente’, ‘vivido’ para substituir
Muricy Ramalho. Por meses, eles acalentaram o desejo que fosse Abel Braga.
Fizeram campanha, mas o bom senso imperou.

Os
jogadores já queriam essa efetivação há muito tempo. Só que a diretoria se
mantinha receosa. Tinha dúvidas se, aos 44 anos, teria como comandar o time de
maior torcida no país. Lidar com a cobrança de classificação para a
Libertadores, sonhar com a conquista do Brasileiro. Comandar jogadores
problemáticos como Guerrero, Sheik.
Mas
seus 18 anos de Gávea ajudaram. Zé Ricardo mostrou firmeza, justiça e um
trabalho moderno. Foi muito além do que Muricy. Os jogadores foram seus maiores
defensores. Nas 11 partidas que comandou o clube, o Flamengo melhorou muito.
Mostrou intensidade, determinação, racionalidade. Firmeza no esquema tático.
Elevou a cobrança física da equipe. O time carioca passou a marcar forte a
saída de bola adversária. Mostrar velocidade, fôlego, pegada.

Ricardo obteve a transição do que fazia nas categorias de base no profissional.
O que está longe de ser fácil. Muito pelo contrário. Se não houver cooperação
geral dos atletas, não há como atingir alto rendimento. Foi o que conseguiu com
um trabalho exaustivo.
Humilde,
mas muito firme, o técnico ousou. Fez com que os jogadores entendessem a
importância de ter duas, três funções diferentes em uma mesma partida. Como
atuava com os garotos sub-20. Ao vencer a Taça São Paulo em janeiro, Zé Ricardo
não sonharia que, seis meses depois, seria efetivado como o treinador dos
profissionais.
A
chegada do ex-jogador Mozer como gerente de futebol acabou por precipitar a
efetivação. Como elo entre a diretoria e o time, ele percebeu o respeito que,
apesar de jovem, Zé Ricardo desperta nos atletas. Com explicações e cobranças,
consegue tirar o máximo de atletas como Pará, Rever, Márcio Araújo, Willian
Aarão, Fernandinho. Antes desacreditados.
Tem
conversa aberta e franca tanto com Guerrero quanto Vizeu. Esta honestidade tem
feito muito bem à equipe. Costurou com firmeza o que Muricy já havia perdido, o
grupo. A união do Flamengo é um traço importantíssimo, fora o rendimento do
time.
O que
foi muito destacado por Mozer.
Havia
um grande pé atrás em relação a outro treinador saído da base. Os dirigentes
sentiram que Jayme, por exemplo, perdeu o fôlego e o controle do time muito
cedo. As histórias envolvendo Andrade ainda são repetidas na Gávea.
Mas Zé
Ricardo tem outro perfil. Não é ‘boleiro’. Usa muito o Centro de Análise e
Desempenho que do Flamengo. Suas reflexões sobre o time estão baseadas nas
comprovações. Não são empíricas. Ele dá muita atenção às estatísticas sem
perder a humanidade da preparação.
E
também traz um velho ‘vício’ dos tempos em que treinava futebol de salão.
Jogadas ensaiadas à exaustão nas bolas paradas. Faltas laterais, escanteios e
até cobranças de laterais se tornaram problemáticos para os adversários. A
movimentação, a dinâmica também são cobrados. Ele se assume como
perfeccionista.
Usa a
psicologia. Principalmente no problema que estava claro ao assumir o time. A
necessidade do resgate da confiança dos jogadores. Eles estavam sucumbindo à
pressão. A falta de resposta nas mãos de Muricy Ramalho era algo muito
preocupante aos dirigentes.
Mas
logo foi detectado uma barreira que atrapalhava demais a interação do grupo. A
hierarquia. Muricy se mantinha distante dos atletas. Por onde passou sempre
gostou de separar as coisas. O slogan ‘aqui é trabalho, meu filho’, funcionava
até certo ponto. No Flamengo costuma dar certo treinadores que têm profunda
cumplicidade com os atletas. Mano Menezes fracassou também por não entender
essa relação.

Ricardo percebeu que o comprometimento na Gávea nasce na cumplicidade. Sua
personalidade também ajuda. Pelo menos, por enquanto, é uma pessoa amiga dos
atletas. Se interessa sobre os problemas dos jogadores fora de campo. Sabe
quando precisa incentivá-los, cobrá-los. Explicando a situação de cada um.
No
futebol, o dinheiro é algo que sempre serve de parâmetro para medir a
competência de cada profissional. Zé Ricardo ganhava muito pouco para ser
treinador do Flamengo: R$ 10 mil. Ele escolheu o melhor caminho. Não cobrou,
pressionou, pediu aumento, nada. Apostou no seu trabalho. Tinha a certeza que o
reconhecimento viria.
Primeiro,
os dirigentes que queriam Abel Braga cansaram de esperá-lo. Apesar de demitido
em dezembro de 2015, depois da goleada para o Al Fujairah por 4 a 0, o
treinador segue recebendo até este mês seu salário do Al-Jazeera. E avisou que
gostaria de começar a trabalhar no início da temporada, não no meio.
A
diretoria avaliou o mercado. Quem estava disponível. Vanderlei Luxemburgo, Abel
Braga, Ney Franco, Mano Menezes, Dunga… E resolveu fazer o que a lógica
indicava.

Ricardo finalmente foi efetivado.
Seu
novo salário, acertado.
Os
valores são mantidos em segredo.
Mas
devem ficar muito longe dos R$ 500 mil pagos a Muricy.
Ou dos
R$ 400 mil que estavam separados para Abel Braga.
Ou dos
R$ 350 mil que Leandro Damião receberá.

Ricardo merece crédito.
Com a
cumplicidade dos jogadores.
Garotos,
ídolos, vividos.
Sua
efetivação é ótima não só para a Gávea.
Traz
ânimo ao futebol brasileiro, carente de inovação.
Viciado
com os velhos e ultrapassados ‘técnicos medalhões’.
No dia
da apresentação de Leandro Damião,foi o acerto do Flamengo…

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