segunda-feira, setembro 21, 2020
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Cristóvão reclama de racismo no cargo do Flamengo.

ESPN
– Há duas semanas, no Linha de Passe, o comentarista José Trajano disse
acreditar em possíveis “componentes racistas” nas críticas de parte
da torcida do Flamengo e da imprensa ao técnico Cristóvão Borges. Antes, Mauro
Cezar Pereira já havia destacado uma “perseguição” ao treinador,
citando as agressões verbais vistas nas redes sociais.
Nesta
segunda-feira, a história ganhou a participação do próprio treinador, que falou
sobre o que vem se passando.
“Eu
estava assistindo ao programa na segunda-feira e vi a abordagem do Trajano e do
Mauro. Aquilo me tocou bastante por que é justamente o que está acontecendo
comigo diante do meu trabalho aqui como treinador do Flamengo. Venho sofrendo
de críticas que fogem do padrão normal e comum que acontecem no futebol”,
disse o treinador, em entrevista exclusiva à ESPN Brasil.
“O
Mauro falou sobre isso, o Trajano falou sobre as conotações racistas e então
existem as duas coisas. Existem críticas exacerbadas que, por serem
sistemáticas, viraram perseguição. E algumas com conotação racista sim”,
disse Cristóvão, que discorreu mais sobre os casos de racismo.
“Começam
com as críticas, as críticas insistentes, contínuas e diárias. Então ela vira
perseguição e, no conteúdo de algumas dessas críticas, existem componentes
racistas sim. Por exemplo, foi citado que o Flamengo, na hora de escolher o
treinador, deixou de escolher o Osvaldo de Oliveira para escolher um do
Pelourinho”, contou.
O
treinador, porém, declara que as críticas são inerentes à carreira, como
acontece com a arbitragem. No entanto, ressaltou a percepção de que, com ele,
as coisas parecem ser um pouco mais complicadas.
“A
tolerância comigo é diferente, sempre foi. Agora, isso não é uma coisa que me
afete a ponto de atrapalhar meu trabalho. Isso não, porque eu me preparei para
estar nessa situação. Só que, quando passa do ponto, quando me atinge como
pessoa, como cidadão, aí sim eu vou procurar meus direitos para me fazer ser
respeitado”, explicou Cristóvão.

“O racismo existe e ele é camuflado,
como tem sido aqui comigo em relação a essas críticas”, completou.

Cristóvão
deixa claro que todos os acontecimentos não vão mudar sua forma de agir.
“O racista vê o negro como aquela pessoa que deve dizer amém e não deve se
colocar. E eu sou a antítese disso. Eu me coloco, tenho posição e defendo as
minhas convicções. Então pra eles eu sou tido como um intruso, um abusado,
porque cheguei numa posição, ainda me coloco e contesto se eu achar que está
errado. E que fique claro que a minha posição não é e nunca vai ser de pobre
coitado”.
O
treinador, que já comandou Vasco e Fluminense, chegou ao Flamengo na quarta
rodada do Campeonato Brasileiro, quando o time somava apenas um ponto na
competição e estava na zona do rebaixamento. O time perdeu para a Ponte Preta
por 1 a 0, neste domingo, em Campinas, e terminou a 17ª rodada na 13ª
colocação, com 20 pontos.

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