quinta-feira, setembro 24, 2020
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Daqui a 300 Anos.

Foto: Divulgação

REPÚBLICA
PAZ E AMOR
: Uma coisa que eu aprendi durante os 8 anos que escrevi o Urublog lá
no globoesporte.com é que a única possibilidade que eu tinha para fazer uma
resenha imparcial e objetiva sobre uma partida do Flamengo ocorria nas raras ocasiões
em que não assistia ao jogo. Vocês já devem ter ouvido falar, mesmo que de
segunda mão, nas ideias do físico Niels Bohr. Para a comunidade científica do
inicio do século passado, que ainda tinha muita gente encostada no confortável
barranco apriorístico, Niels Bohr causou transtorno semelhante à proibição, em
1992, do recuo da bola com os pés para o goleiro. O dinamarquês foi taxativo ao
afirmar que as características do objeto que analisa o fenômeno alteram o
fenômeno.

E os
prezados hão de concordar que não há no mundo nada que seja mais capaz de
alterar e, consequentemente, deturpar a interpretação de fenômenos do tipo jogo
do Flamengo do que um resenhista fiel aos cânones e à validação dos dogmas que
sustentam o edifício da doutrina rubro-negra que efetivamente assiste ao jogo
que pretende resenhar. É um perigo. Recomendo fortemente que não tentem fazer
isso em casa sem a supervisão de um adulto.
Só por
diversão, e apenas por um breve tempo, vamos fingir que somos pessoas
equilibradas e nos ater à lógica. O que de bom se pode depreender após 90
minutos de Flamengo x Madureira no Raulino, debaixo de um temporal digno do 5º
ato do Rigoletto? Muito pouco, quase nada.
A
competição é demi-bouche, a tabela é um despautério e todo mundo mais ou menos
já sabe quem é quem nessa trama nada original. O mocinho é o Flamengo, a
mocinha o Fluminense e os vilões Vasco da Gama e Botafogo fecham com a Spectre,
digo, fecham com a FERJ. No final da história, salvo a ocorrência de algum
evento de impacto global que altere profundamente as estruturas sociopolíticas
no Brasil o campeão vai ser um dos quatro.
Se
ganhar o Vasco diremos que o Carioca perdeu o último resquício de credibilidade
que lhe restava, se ganha o Botafogo, que não faz mal a ninguém, o
felicitaremos e recomendaremos atenção redobrada na luta contra o rebaixamento
no Brasileiro que se avizinha. Se ganha o Fluminense se louvará suas boas
relações com as altas cortes e se levanta uma discreta suspeição sobre a lisura
do campeonato. Mas se o Flamengo ganha o que acontece?
Não
acontece nada. Nada de novo, pelo menos. Diremos que o Flamengo não fez mais
que a sua obrigação e que se não trouxer os reforços certos (que são exatamente
os nomes que cada um de nós carrega no bolso do colete para momentos de contratações
urgentes) sofreremos o diabo no Brasileiro. Porque o time ainda não foi
devidamente testado dada à fragilidade intrínseca aos nossos rivais no
campeonato praiano. Fica realmente puxado pro Flamengo, porque jogando esse
campeonato mixo, e até mesmo vencendo o campeonato mixo, não dá pra ser feliz.
Detesto
ser o estraga-prazeres da galera, por isso fiz questão de não vir até aqui
apenas com más notícias. Como não pude prestigiar a estreia do Mengão na
disputadíssima Taça Guanabara (tão mixuruca que esse ano é a rede de
supermercados homônima quem a patrocina), teoricamente estou habilitado a
resenhar a partida com o distanciamento e a despaixão que se exigem do
observador criterioso.
Mas
não o farei, podem ficar tranquilos. Sou bêsta? Ganhar do Madureira no
sufoquinho com gol de pênalti não chega a ser exatamente um momento glorioso da
história rubro-negra. E se a vitória magra e protocolar não gera real interesse
nem para os seus contemporâneos, para que empreender o esforço de preservar
esse tipo de memória para os pósteros? Com o tempo essa pelada de sábado
chuvoso cairá no esquecimento, assim como cada um dos seus protagonistas e
assistentes.
Daqui
a 100, 200, 300 anos, o Campeonato Carioca será visto como mais uma bizarrice
dos pré-históricos da Era das Comunicações, aqueles seres proto-sensitivos que
necessitavam de equipamentos eletrônicos para se conectar à noosfera de
conhecimento que envolve o planeta desde o Crepúsculo das Máquinas.
Dessa
nossa época de pioneiros e descobridores, dos saltos do conhecimento e da
continuada barbárie da desigualdade, o único a ser lembrado, e apenas porque
terá conseguido sobreviver no século XXV, será o Flamengo. Porque tem coisas
que nem mesmo a força do tempo irá destruir.
Mengão
Sempre
Arthur
Muhlenberg

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