sábado, setembro 19, 2020
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“Devo muito ao Flamengo”, diz Renato Abreu.

Foto: DIVULGAÇÃO

ESPN: Renato
Abreu foi um dos jogadores mais importantes do Flamengo nos últimos anos.
Bicampeão carioca e vencedor da Copa do Brasil de 2006, ele não entra em campo
desde 2013, quando atuou pelo Santos. O meia de 38 anos já se programa para o
futuro. Virou dono de uma pizzaria no Rio de Janeiro.

“Como
bom paulistano, sou um fã de pizzas. Eu, minha esposa e minhas filhas sempre
saímos para comer pizza. Experimentamos quase todas no Rio. E decidimos
investir nisso”, contou, ao ESPN.com.br.
Com o
tempo longe dos gramados, ele se considera um ‘semi-aposentado’, mas que de vez
em quando joga futebol com os amigos.
“O
que mais sinto falta é do ambiente, do convívio com os companheiros, do
bate-papo, de poder estar passando minha experiência aos mais novos. Ainda jogo
pelada, sim. Na verdade, continuo em forma. Desde 2013, engordei apenas um
quilo”, garantiu.
Dos
nove clubes em que atuou, Renato não titubeia ao falar do que mais marcou sua
carreira.
“Até
hoje, quando alguém vem falar comigo, diz: ‘Volta pro Mengão, Renato.
Precisamos de você lá’. Fico feliz, é o resultado de tanto trabalho. O Flamengo
terá para sempre um lugar guardado no meu coração”.
Confira,
abaixo, a entrevista na íntegra.
Como foi o momento de se aposentar dos
gramados? Quando tomou a decisão e se foi muito difícil?
Na
verdade, eu ainda não me aposentei, né? (risos). Claro que hoje, como não jogo
profissionalmente desde que deixei o Santos, em 2013, estou com um pé na
aposentadoria. Nos últimos anos, recebi algumas propostas, mas nada que me
agradasse, que me fizesse sair do Rio de Janeiro, de perto da minha família.
Por que não seguir na área de futebol como
treinador, gestor ou empresário? Ainda tem vontade de seguir uma dessas três?
Treinador
ou empresário não são áreas que, no momento, eu gostaria de seguir. Tenho feito
uns cursos de gestão (participei de alguns seminários na CBF, inclusive) e
tenho vontade de trabalhar em uma área em que eu pudesse ajudar na transição
dos garotos das categorias de base para os profissionais. Fiz esse papel
informalmente no Flamengo, dando muito força à molecada que estava subindo na
época, como Luiz Antônio, Adryan, Diego Maurício. Até hoje, quando encontro um
deles, ouço: “Poxa, Renato, bem que você nos alertou que aconteceria isso,
aquilo..’ Os garotos às vezes ficam perdidos quando sobem aos profissionais. É
preciso uma orientação. Tenho vontade de trabalhar com algo nesse sentido.
Quais as melhores lembranças da sua
passagem pelo Corinthians? Ela foi muito vencedora, mas você não chegou a ser idolatrado
como foi no Flamengo. Por quê?
Olha,
são coisas do futebol, né? O Corinthians tinha um time muito forte, com
jogadores já consagrados, uma geração vitoriosa. Fui muito feliz em minha
passagem pelo Corinthians, e que certamente me ajudou quando fui contratado
para atuar em outro time de massa, como o Flamengo.
Você acha que faltou o Corinthians te
valorizar mais?
Fui
valorizado, sim. Saí do Guarani para o Corinthians, joguei com Vampeta,
Ricardinho, Guilherme, Fábio Luciano e outros jogadores campeões por clubes e
pela Seleção. Cresci e aprendi muito jogando no Corinthians. Lá foi onde
entendi o que era um clube de massa, o que era cobrança, a importância de
títulos e clássicos. Foi onde eu percebi que o jogador faz o seu nome com
conquistas e histórias. E quando eu estava mais maduro veio a proposta do
Flamengo. Meu carinho pelo Corinthians é enorme.
Como foi jogar no Flamengo? Até hoje é
muito reconhecido?
Eu
devo muito ao Flamengo. Foram muitos anos vestindo essa camisa, tendo o
reconhecido da torcida. Conquistei vários títulos importantes, participei de
partidas memoráveis. Sou muito grato aos rubro-negros, que me apoiaram sempre,
até nos momentos mais complicados. Até hoje, quando alguém vem falar comigo,
diz: ‘Volta pro Mengão, Renato. Precisamos de você lá’. Fico feliz, é o
resultado de tanto trabalho. O Flamengo terá para sempre um lugar guardado no
meu coração.
Quais os melhores momentos? Qual a
história mais engraçada na Gávea?
Rapaz,
tem muita coisa engraçada, principalmente nos vestiário, mas a gente não pode
revelar, né (risos). Uma que o pessoal riu foi o seguinte: um dia, durante um
coletivo entre reservas e titulares, o Negueba deu um lençol no Williams e
tomou uma cotovelada no rosto. Aí caiu no chão, rolando muito. A reação foi de
dor, até eu fiquei preocupado, porque ele era meu companheiro de quarto. Mas o que
passa nos treinos depois vira zoação, né? Não deu outra: no dia seguinte, teve
um rachão e meu time estava ganhando. Aí fui dar um lençol no próprio Negueba e
ele apelou, me dando uma rasteira. Ah, na mesma hora eu caí no chão e comecei a
imitá-lo se contorcendo de dor, rolando pra lá e pra cá. Foi uma gargalhada
geral!
Qual foi o momento mais triste e o mais
conturbado da tua passagem pelo Flamengo?
Olha,
o momento mais triste foi a minha saída, em 2013. Principalmente da maneira que
foi feita. Com a pausa para a Copa das Confederações, ganhamos uns dias de
folga e eu viajei. Na volta, soube que estava fora. Não houve uma conversa.
Fiquei realmente abalado naquele momento, não esperava. Mas passou. Não guardo
mágoas. Como disse, meu carinho pelo clube, pelas cores rubro-negras, será
eterno. Só guardo boas lembranças. Em relação aos momentos conturbados, tivemos
alguns. Flamengo é pressão sempre. Em 2005, ano em que cheguei, estávamos em
dificuldades no Campeonato Brasileiro, com chance de ser rebaixado. Foi
complicado. Por sorte, “Papai” Joel (Santana) chegou e nos ajudou a
escapar.
De qual momento da tua passagem pelo
Flamengo os torcedores mais falam quando te encontram?
Eles
lembram de vários jogos. Um especial contra o Defensor, do Uruguai, na
Libertadores de 2007. Acordei no dia do jogo com febre, me sentindo mal. Mas
não queria ficar de fora de jeito nenhum. Fui pra campo mesmo doente e marquei
dois gols. O Maracanã estava lotado. Infelizmente, não conseguimos a classificação
(O Flamengo havia perdido na ida por 3 a 0), mas o time saiu aplaudido.
Como surgiu a ideia de montar a pizzaria?
Essa
ideia vem desde 2013, quando saí do Santos. Sabia que estava na hora de me
preparar para exercer alguma atividade fora de campo. Como bom paulistano, sou
um fã de pizzas. Eu, minha esposa e minhas filhas sempre saímos para comer
pizza. Experimentamos quase todas no Rio. E decidimos investir nisso. É uma
atividade diferente, né? Mas estamos curtindo muito.
Como ela é?
Ela
fica num centro comercial na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Tem um espaço
para bar e dois andares. Não é enorme, mas é muito aconchegante. Quero que o
cliente sinta-se em casa, acolhido.
Qual o conceito dela?
Prezo pela
excelência das pizzas e do atendimento. Fico louco quando vou a algum lugar e
sou mal atendido. Isso não pode acontecer. E a pizza da Elleven, claro, tem que
ser a mais gostosa (risos). Pensei em um ambiente onde eu pudesse reunir
gastronomia e esporte. No Rio, as pizzarias não têm esse conceito. Na Elleven,
convido os clientes a participarem de bolão nas rodadas do Campeonato
Brasileiro, e temos televisões para transmitir os jogos. E não vou ficar só no
futebol. Agora as Olimpíadas vêm aí, e vamos bolas algumas ações por conta dos
muito esportes que são disputados. O esporte está na minha vida, né? Não é um
bar, não é um pub, e sim uma pizzaria. Mas abro espaço pro cara que só quer ir
lá petiscar, beber um chope e ver um jogo.
Flamenguista terá desconto na conta?
(Risos).
Com o tamanho da torcida do Flamengo, imagina se eu fosse dar desconto para
todo rubro-negro? Não ia dar certo, né? (risos). Não só flamenguistas, como
vascaínos, tricolores e alvinegros são muito benvindos na Elleven. Logo na
entrada, tenho expostas as camisas dos quatro clubes da cidade. Nosso espaço é
democrático (risos).
Você ficará todo o dia e receberá os
clientes?
Pelo
menos neste início, tenho ficado o máximo possível. É legal, porque posso bater
papo com os clientes, conhecer gente nova, receber esse carinho do público.
Muitas pessoas pedem para tirar foto. Também preciso estar presente para
supervisionar o funcionamento, né? Gosto de dar palpite no cardápio, na
apresentação dos pratos.
Como é o contato com o público?

Por
enquanto, tem sido excelente. Estou em uma atividade totalmente diferente da do
futebol, mas, assim como nas quatro linhas, continuo sujeito à críticas, né?
(risos). Tenho feito tudo com o maior carinho para que a pizzaria seja
referência na cidade. A intenção é agradar ao máximo o público, fazer com quem
as pessoas sintam-se em casa. A ideia foi mesmo criar uma casa diferenciada,
onde você encontra pizza, brincadeiras, música…O ambiente é para as famílias,
para o pessoal que gosta de bater papo. Com o tempo, quero implementar algumas
coisas diferentes que partam até de sugestões dos clientes, em relação à pizza,
às entradas. O projeto é ouvir o cliente e estar sempre fazendo coisas novas,
sem ficar na mesmice. Quem sabe um dia não levo a Elleven para São Paulo
também?

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