domingo, setembro 27, 2020
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Diego deve agregar qualidade ao Flamengo.

Diego usará camisa 35 no Flamengo – Foto: Reprodução / Adidas

BLOG
DO BIRNER
: O raciocínio capitalista

Atualmente,
notícias sobre as contratações rendem mais audiência que as de conquistas de
torneios.
Na
sociedade em que adquirir e ter é mais importante que desfrutar, curtir, a
contradição é plenamente lógica.

quem em algum momento se esqueceu que a agremiação busca atletas para ficar
mais fortes e conseguir resultados melhores dentro dos gramado, não para ter o
personagem no time. É como o profissional de qualquer área que necessita dinheiro
para gastar e ter conforto, e não com intuito de acumular e ficar observando o
saldo na conta bancária aumentar.
O meio
não deve ser o fim e nem o fim ser o meio.
O
constante estímulo para adquirir e ter, 
após conseguir o de escolher outra meta material, e repetir durante a
existência criando o ciclo infindável que impede a felicidade, essa é estado de
espírito que se encontra no desfrutar, contaminou o futebol.
Então,
nas janelas de transferências, o inconsciente coletivo sempre quer mais jogadores,
principalmente os de nome e com grife.
O novo reforço do Flamengo
Diego
se enquadra nesse perfil. Despontou como craque e não confirmou isso na Europa.
No
Werder Bremen e no Wolfsburg brilhou, teve momentos elogiáveis na primeira vez
que atuou pelo Atlético de Madri, e chega ao Flamengo porque no Fenerbahce não
reeditou o melhor futebol. Por isso fechou o mercado em ligas grandes e
medianas do continente rico.
A
escolha pela agremiação da Gávea foi embasada em questões esportivas e
financeiras. É profissional, nunca torceu pelo Rubro-Negro, e quis atuar onde
ganhará o melhor salário possível e avalia ter condições de se preparar para
elevar o padrão dentro dos gramados.
Isso
pode fazer Diego feliz.
Insatisfação com o desempenho do meia
A
torcida do Fenerbahce, das mais fanáticas no planeta, que tem Lugano como ídolo
e em Alex o ‘semi-deus’ do futebol, não gostou do rendimento do jogador.
Os
flamenguistas, se o atleta mantiver o nível técnico, terão igual opinião.
Nos 34
jogos do torneio de pontos corridos na Turquia, Diego ficou disponível em 30
para ser escalado. Iniciou em 19  e foi
substituído 9 vezes.  Noutros 11 o
treinador o deixou na reserva e apenas em 2 desses não o colocou no gramado.
Foram
muitas as oportunidades e pouco o que o jogador fez.
Nessas
28 atuações conseguiu dois gols, cinco assistências, o time foi vice-campeão, e
o Besiktas comemorou a conquista do torneio.
Atuou
em ambos os jogos contra o Shakthar Donetsk na Liga dos Campeões, que valiam a
classificação para a fase de grupos, como meia atacante num e  ala na esquerda em outro.
O time
foi eliminado após o empate por 0x0 e o tropeço por 0x3 diante de Marlos,
Taison e Fred. que jogaram pela agremiação classificada para a chave de PSG,
Real Madrid e Malmo da Suécia.
Nenhum
desses que seguiram no torneio gerariam tanta mídia quanto o escolhido pela
direção do Flamengo para investir milhões e ser a referência no meio de campo.
Nos
demais torneios o desempenho foi similar.
Em
oito apresentações na Liga Europa não fez gol ou assistência e recebeu
suspensão de três jogos após a expulsão contra o Celtic de Glasgow; Na Copa do
Turquia consegui o gol e fez número igual de assistência em 7 jogos.
Como
não teve desempenho considerado elogiável pela comissão técnica, foi mantido no
banco durante a final contra o Galatassaray e terminou como vice no torneio.
O
clube decidiu, após avaliar como fraco o rendimento do atleta nessa temporada e
no máximo achar mediano o da anterior, rescindir o contrato para facilitar que
fosse embora.
Não
tinha convencido, antes, quando foi emprestado pelo Wolfsburg ao Atlético de
Madri de Simeone, onde não se firmou entre os principais atletas.
Os
alemães não queriam mais o meia. Por isso, assim que o vice na Liga dos
Campeões não quis investir no meia, , arrumaram a agremiação que facilitou a
saída para a Gávea.
A
última temporada elogiável do atleta foi em 2012, no Wolfsburg, onde marcou 10
gols e fez meia dúzia de assistências em 32 jogos.
Em clubes de porte mediano conseguiu
brilhar
Após
jogar em alto nível no clube da Vila Belmiro, o Porto decidiu contratar o meia.
Ficou 3 temporadas na cidade ao norte do país e não se firmou como grande
jogador.  Em 2006 os portugueses
negociaram o meia por 6 milhões euros ao Werder Bremen.
Na
Bundesliga conseguiu os melhores desempenhos da carreira no futebol do
continente. Em 2009, a Juventus investiu quase 25 milhões de Euros para ter
Diego no elenco.
O
negociou após um ano ao Wolfsburg por 15 milhões (60% do valor que pagou) de
euros. De novo na Bundesliga o jogador conseguiu números elogiáveis, mas foi
emprestado duas vezes ao Atlético de Madri, onde ganhou a Liga Europa, na outra
como reserva o torneio nacional, e não se firmou.
Investimento e futebol
Diego
teve declínio técnico e mesmo assim deve agregar qualidade ao Flamengo, pois a
referência para avaliar como pode contribuir é o padrão dos concorrentes em
nosso futebol.
A
questão é quanto a direção do clube investiu. Os dirigentes do país
supervalorizam tais jogadores porque creem haver concorrência externa quando no
máximo há, se considerarmos em quais nações aceitam morar, a de quem se
comunica em português na América do Sul.
Parte
dos cartolas nas agremiações daqui é como o das nações árabes, apesar de os
estádios dos sheiks ficarem vazios e os petrodólares nas mãos de poucos
sustentarem os times, nos critérios de escolha e gasto em veteranos reforços
para os elencos
Mais qualidade que a maioria
Duvido
que o Flamengo fez o necessário antes de trazer o meia. O ideal seria qualquer
funcionário competente assistir aos jogos do time em que atuou.
Os
números nas duas últimas temporadas obviamente não recomendam o investimento.
Nem assim creio que a agremiação contratou jogador comum. Era acima da média, o
padrão de qualidade caiu, mas as virtudes na criação e finalizações devem
continuar maiores que as dos atletas que exercem a mesma função noutras
agremiações.
Observar, aplaudir
Ser
recebido com festa na agremiação onde nunca atuou, após fechar portas nos
principais mercados, deve ser algo incrível para qualquer jogador. É como se o
mundo girasse para trás e o futebol de outrora renascesse nos pés de quem foi
cobiçado pelas agremiações mais ricas do planeta.
A
torcida deve apoiar qualquer atleta e observar se, quando entra no gramado, há
a reciprocidade que se chama empenho.

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