Diretor da Chapecoense confirma ajuda do Flamengo.

Por: Fla hoje

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

FOLHA
DE SÃO PAULO
: Desde que chegou à Chapecoense, há 47 dias, o diretor de futebol
Rui Costa, 46, contratou 23 jogadores. Negociou praticamente um jogador novo a
cada dois dias.

Conhecido
por seu trabalho de anos no Grêmio, de onde saiu em maio de 2016, ele foi ao
mercado impulsionado pela necessidade de montar um time. Dezenove atletas da
equipe catarinense morreram em acidente aéreo em novembro do ano passado.
Enquanto ele fazia telefonemas na Arena Condá para contratar reforços, ouvia
funcionários do clube aos prantos pelas vítimas da tragédia.
Em
entrevista à Folha, Costa reclama de promessas que foram feitas em público por
clubes e jogadores que não se concretizaram.
Folha – Qual foi o cenário que você
encontrou quando chegou ao clube?
Rui
Costa – Um cenário de muita consternação e interrogação. Cheguei em 9 de
dezembro e via as pessoas andando de cabeça baixa pela cidade. A energia do
luto era visível. O que aconteceu aqui é inédito.
Perdemos
profissionais de ponta em todos os setores: presidente, médico, roupeiro,
jogadores Tínhamos quatro atletas e tivemos que montar um elenco a partir
disso, e para disputar o calendário mais rico do futebol brasileiro. Vamos
enfrentar o Barcelona no Camp Nou, além de vários convites de equipes
internacionais.
Quando
cheguei, olhávamos para o vestiário vazio e batia um desânimo. A todo momento
cruzávamos com alguém chorando, com alguma viúva ou pai Os dramas se repetiam e
eu tinha que pensar no futebol, em contratações. Era quase um desaforo, mas
havia sido contratado para isso. Hoje, no lugar das velas e do silêncio, você
ouve essa música [na academia dos jogadores toca o funk
“Malandramente”, de MC Nandinho e MC Nego Bam].
E como foi o processo de montagem do
elenco?
Foi
algo extraordinário. A Chapecoense fez em 2017 o que fez em 2016, com um
orçamento ligeiramente maior. Senão você não consegue contratar 23 jogadores
tendo que pagar luvas, antecipações, auxílio-moradia. É tudo rigorosamente
controlado [segundo a Folha apurou, o orçamento está abaixo dos R$ 3 milhões
para todo o departamento de futebol].
A planilha
que eu e o [Vagner] Mancini [técnico da equipe] bolamos inicialmente tinha 90
atletas. Depois, caiu para 50, e então, finalmente, 37. As negociações não
foram 100% exitosas, mas posso dizer que todos os jogadores que estão aqui
foram escolhidos pela Chapecoense -e eu digo isso para eles. Não tem jogador
empurrado por outros clubes. Desde o começo, decidimos que nunca abriríamos mão
de escolher atletas.
Hoje,
temos dois jogadores de excelente qualidade em todas as posições. Claro que eu
tenho sete jogadores que são transitórios, que os clubes não deram opções de
compra. Se eu quiser tê-los mais para a frente, teria que pagar 7 milhões de
euros. Mas com o crescimento do time e a valorização da marca isso vai passar a
se tornar possível a partir de parcerias, por exemplo.
Como foram as conversas com os três
jogadores que permaneceram do elenco anterior?
Ficamos
com Martinuccio, Nenén e Moisés. Queríamos que eles não se sentissem
constrangidos com a chegada de tantos atletas, então conversamos bastante. O
Nenén é história viva do clube, desde a ascensão para a Série B, e por isso fiz
questão de renovar seu contrato. Ele é parte importante como referência, como
DNA da Chapecoense.
Muito se falou sobre a possibilidade de
“medalhões” jogarem na Chapecoense para ajudar. Por que eles não
chegaram?
É
óbvio que todos os gestos são reconhecidamente de solidariedade. Às vezes no
afã de ajudar o sujeito vai nas redes sociais e diz “eu jogaria na
Chapecoense”. Mas minha avaliação é a de que é mais um gesto do que algo
concreto. Objetivamente, nenhum jogador desse patamar ligou para cá para se
colocar à disposição para jogar e ganhando o que o clube tem condições de
pagar. Isso não aconteceu.
Infelizmente,
porque vivemos em um mundo perverso, muita gente tentou se aproveitar da
tragédia. Eu, Mancini e os demais ouvimos coisas que beiravam o desrespeito.
Não era gente solidária, mas que queria ganhar dinheiro às custas da
Chapecoense. Como, por exemplo, alguns que ofereceram atletas que não só não
têm condições de jogar futebol como vivem problemas de saúde.
Que clubes fizeram isso?
Não
foram equipes. São pessoas que nem tem gerência sobre a carreira dos atletas e
diziam que tinham. Mas prefiro não falar quem são.
Quais clubes que de fato ajudaram a
Chapecoense?
O
primeiro clube a ser citado é o Atlético Nacional, porque fez algo impossível
de quantificar. Atlético-MG e Cruzeiro nos ajudaram muito. O Palmeiras foi o
ponto fora da curva. O [diretor de futebol] Alexandre Mattos tem muita
autonomia no clube e sempre está se mobilizando para ajudar. O Palmeiras veio
jogar aqui arcando com todos os custos e cedendo a renda para nós. É um
parceiro. O Grêmio ajudou, Flamengo
também. O Inter nos procurou, mas não conseguimos avançar em alguns negócios. O
Sport nos deu verba que facilitou a liberação de um jogador como o Túlio de
Mello. O Cruzeiro também, já que o Grolli tem patamar salarial importante e que
hoje custa R$ 50 mil para a Chapecoense.
Como é a experiência de se trabalhar em
Chapecó?
Aqui
em Chapecó é como se estivéssemos no País Basco, na Catalunha, em Sevilha. Tem
uma carga filosófica e emocional muito forte da comunidade. Aqui a sua
experiência se torna muito mais fácil se você entender o espírito de ser alguém
daqui. Eu e os jogadores estamos nesse processo de aprendizado, e vejo muitos
jogadores já avançados nisso, recebendo o carinho dos torcedores.
Você planeja incorporar o Jackson Follmann
[goleiro que teve parte da perna direita amputada] no projeto?
Quando
aconteceu o episódio do acidente, foi muito duro para mim, porque tinha uma
história com ele, contratei ele no Grêmio e depois tive que participar da
dispensa também. Ele tem uma inteligência acima da média, e assim que estiver
bem ele vai nos ajudar. A ideia é que ele trabalhe com o futebol aqui na
Chapecoense. Não vamos dar uma sala para e encostá-lo, até porque ele é
talentoso. Além disso, ele tem tudo para virar um grande para-atleta, porque
também é forte.
E quais as metas para 2017?
Esperamos
conquistas já neste ano. No Catarinense, temos meta de ganhar o título. Na Copa
da Primeira Liga, vamos tentar chegar longe, como fundadores do campeonato.
Ganhar a Libertadores é improvável, mas queremos uma campanha digna, que nos dê
mais visibilidade, valorize a marca. No Brasileiro, tiramos a premiação por
permanência na Série A que existia para os jogadores. Entendemos que isso não é
mais objetivo para se comemorar hoje na Chapecoense. Temos que, pelo menos,
mirar a Sul-Americana. Os jogadores que estão chegando têm que entender isso.
Esse tipo de coisa não combina mais com a Chapecoense.
Qual é o tamanho da Chapecoense hoje?
Percebo
constrangimento de trazer o assunto à baila, porque pode parecer que está se
comemorando. Óbvio que não. Diante de tudo ruim que aconteceu, há coisas boas.
Quando você vê a torre Eiffel pintada de verde, quando você vê organizadas que
se matariam se abraçando, a gente volta à essência do futebol. O futebol é a
capacidade de gerar essas coisas. O que aconteceu com a Chapecoense trouxe o futebol
de novo para o cenário lúdico, para a paixão. Isso é um legado enorme.
O
clube chegou ao nível global, e o trabalho sério deles vai retroalimentar o
processo de crescimento. A estrutura do clube é pequena, mas a marca é gigante.
Nosso trabalho é melhorar estruturalmente até chegarmos ao nível da marca. O
modelo familiar do clube traz transparência, comedimento A ideia é pegar o que
tem de bom nisso e expandir para um modelo mais profissional.
Esse
clube é o maior laboratório do mundo. De todos os clubes do Brasil que podiam
acontecer essa tragédia Imagina se o aporte financeiro que a Chapecoense tem
recebido acontecesse em outros clubes? Teria presidente andando de jato por aí.

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