domingo, setembro 27, 2020
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Diretor do Flamengo fala sobre aumento na folha salarial e reforços.

Foto: GILVAN DE SOUZA/FLAMENGO

MAURO
CEZAR PEREIRA
: Em 2015 entrevistamos o Diretor Executivo do Palmeiras,
Alexandre Mattos — clique aqui para ler —, sobre formação de elenco,
negociações e atribuições de quem desempenha tal função. Agora é a vez de
Rodrigo Caetano, do Flamengo, responder às perguntas do blog. Ele fala sobre as
responsabilidades de quem ocupa tal função, reformulação de elenco,
contratações, responsabilidade financeira e Diego.

Matéria do ESPN.com.br mostra que Diego,
Leandro Damião e Guerrero consomem, juntos, cerca de 25% do orçamento do Flamengo
para o futebol. É muito?
Primeiro
que isso não traduz a realidade. Temos uma folha dentro da realidade dos
grandes clubes brasileiros e certamente, não estamos entre as três maiores.
Respeitamos rigorosamente o orçamento estabelecido pelo clube. Muito se fala
nos números, mas não costumamos divulgar justamente para preservar os atletas e
o clube, mas tivemos um aumento em torno de 30% nas despesas com folha de 2015
para 2016.
Tendo como base o balanço de 2015, o
consultor Amir Somoggi calculou em 41% da receita total os gastos do Flamengo
com o futebol. Há clubes que comprometem mais de 100%. Com as contratações
deste ano, esse percentual estaria em quanto?
Em
2016 o percentual gira em torno de 35%, ou seja, quase 1/3 das receitas desse
ano. Lembrando que boa parte das receitas ainda está sendo destinada ao
pagamento do passivo acumulado e que com isso, está recuperando a credibilidade
do Flamengo no mercado, viabilizando a chegada dos atletas que estão sendo
contratados em 2016.
O que faz um profissional como você, e há
outros como Alexandre Mattos (Palmeiras), Thiago Scuro (Cruzeiro), Gustavo
Oliveira (São Paulo); além de contratar jogadores, que é a tarefa com maior
repercussão na mídia e na torcida?
Muitas
são as atribuições e funções de um Executivo de Futebol de um grande clube.
Gerenciamos o maior Departamento dos clubes, em número de profissionais
envolvidos e de visibilidade também, o que acaba direcionando apenas para a
montagem de elenco com a tarefa principal. E isso não é verdade, pois na
contratação de qualquer atleta, participam muitos departamentos e pessoas,
dentre os quais o Financeiro e Jurídico, além do Centro de Inteligência e
também dos dirigentes estatutários. O Executivo é responsável por todo o
planejamento do Departamento (Profissional e Base), pela logística, tem
participação na construção do orçamento para o Departamento de Futebol, na
estratégia das competições, além de participar de projetos estruturantes como
melhorias na infraestrutura física do Centro de Treinamento. Lembrando sempre
que são envolvidas as demais áreas do clube em todos esses processos. Muitas
pessoas e torcedores não conseguem entender a complexidade da função de um
Executivo de Futebol e acabam definindo como “apenas” o responsável
pelas contratações, onde na verdade somos uma parte nesse processo específico e
somos responsáveis por uma gama muito maior de funções.
Desde sua chegada ao clube várias
reformulações no elenco aconteceram. Quais os jogadores que saíram do Flamengo
depois que você chegou e quais os contratados?
Em
termos de estratégia, o importante foi negociarmos/realocarmos os jogadores que
na época não faziam parte do elenco sem prejuízo financeiro nas operações,
viabilizando com isso a chegada dos atletas contratados. No início de 2015
foram 26 atletas no total, caindo para 16 no início de 2106 e com previsão de
no máximo termos 8 atletas nessa situação, ao final desse ano. Esse trabalho
gerou uma economia em torno de R$ 8,5 milhões por ano. Isso sem falar nas
vendas de Samir, Cáceres, Kayke e Wallace, que não estão nessa conta, pois
entram na rubrica contábil de venda de atletas. Paralelamente a isso, a
tentativa sempre foi de qualificar o elenco através da desoneração desses
muitos atletas e também de vendas. Dentre os muitos atletas que chegaram estão
Marcelo Cirino, Emerson, Ederson, Alan Patrick, Paolo Guerrero, Alex Muralha,
Mancuello, Cuellar, William Arão, Rodinei, Juan, Fernandinho, Réver, Rafael
Vaz, Donatti, Leandro Damião e por último, Diego. Isso para citar alguns.
Lembrando que, mesmo após minha chegada em dezembro de 2014, algumas
contratações já haviam sido sacramentadas e apenas foram concluídas. Algo
fundamental a ser registrado também é a manutenção das jovens promessas da
Base, com as renovações/prorrogações dos contratos, garantindo assim o
patrimônio do Clube. Nesses dois anos podemos citar Jorge, Jajá, Thiago, Léo
Duarte, Ronaldo, Matheus Sávio, Lucas Paquetá e Felipe Vizeu, entre outros.
Além do monitoramento constante dos contratos de todos aqueles que nem chegaram
ao profissional ainda.
Mugni já rejeitou três propostas de outros
clubes brasileiros. Ele é o único que pode sair a qualquer momento, assim como
Nixon, emprestado ao América Mineiro, ou há mais nomes que poderão ser
negociados?
Nesse
momento, o único que não faz parte dos planos do Clube é mesmo o Lucas Mugni.
Ele retornou de empréstimo do NOB, e nesse caso, como a legislação atual prevê
que o atleta saia somente para onde ele quiser, teremos que aguardar a vontade
do atleta, mediante as inúmeras propostas que já teve (nota do blog: Vitória,
América Mineiro e Atlético Paranaense demonstraram interesse no argentino, que
não quis se transferir). Os demais atletas, até mesmo por conta da Copa
Sul-americana, só sairão em caso de boas propostas ao clube e consenso entre
todos da Comissão Técnica. Ainda há o fato de não termos o Maracanã nesse ano,
o que exige um elenco mais numeroso devido aos desgastes das viagens.
Há sempre muitos comentários sobre
contratações e relação custo-benefício. Juan, Ederson, Réver, Damião… São
investimentos altos? Razoáveis? Por quê?
Nenhum
deles teve investimento de aquisição. Todos esses citados chegaram somente pelo
salário, o que no nosso entendimento, caracterizaram-se por contratações de
baixo risco e de bom custo-benefício. Nesse ano de 2016 somente tivemos custo
de aquisição nas contratações de Alex Muralha, Rodinei, Cuellar, Mancuello e
agora Donatti. Mesmo assim, com fluxo de pagamento parcelado.
O Flamengo contratou três jogadores
estrangeiros para 2016, Cuellar, Mancuello e Donatti. Como o clube lida com o
período de adaptação e de que maneira se programou para pagar aos clubes
vendedores, já que, ao contrário de outros reforços, os três foram liberados
mediante pagamento de multa rescisória?
Todos
esses atletas tem um acompanhamento constante por profissionais do clube
durante o período em que estão sem seus familiares na cidade. Somente após esse
período de adaptação ao Flamengo e à cidade, acabam trazendo seus familiares
para o Rio. Mesmo depois disso, seguimos com o acompanhamento por parte de
nosso setor de psicologia para que eles consigam apresentar bom desempenho o
mais rápido possível. Como respondi anteriormente, esses atletas citados foram
adquiridos, mas com pagamento parcelado, viabilizando o fluxo financeiro do
Flamengo.
Com a chegada de Leandro Damião ao
Flamengo, muito se falou sobre perda de espaço de Felipe Vizeu. Como o clube
encara essa situação?
Nossa
ideia sempre foi reforçar o elenco durante a janela de transferências do meio
do ano, justamente por entendermos que temos a necessidade de um elenco mais
qualificado e numeroso, pois durante boa parte do ano de 2016 não teremos o
Maracanã, o que certamente aumenta o risco de lesões e desgastes no elenco.
Temos sim uma grande expectativa e cuidado com o Felipe Vizeu, assim como os
demais atletas oriundos da Base para que se afirmem sem a pressa que
possibilite serem queimados, pois todos eles são patrimônio do Clube. O Leandro
Damião é um jogador de grande potencial e experiência, além de ter sido uma boa
oportunidade de negócio nesse momento. Vai inclusive ajudar muito na formação
do Vizeu, assim como o Guerrero vem fazendo.
A folha de pagamento do Flamengo era de
quanto em 2015 e chega a qual valor mensal agora, em julho de 2016, depois das
contratações?
Não
costumamos divulgar os valores de nossa folha de pagamento, mas posso afirmar
que, com as entradas e saídas realizadas até esse momento, teremos um aumento
mensal médio de aproximadamente R$ 2 milhões até o final de 2016, já com os
encargos computados.
Quanto aos critérios adotados para contratar,
ou não, seguir orçamento, quais as diferenças entre o trabalho atual e o que
desenvolveu em outros clubes?
Sem
dúvidas que o Flamengo segue com muito mais rigor o orçamento estabelecido.
Digo isso com orgulho porque em muitos clubes se contrata acreditando em
receitas futuras e no Flamengo a aprovação da contratação só ocorre baseada nas
receitas garantidas. Com isso, temos a tranquilidade de que, após a aprovação
do Financeiro e Jurídico, todas as obrigações assumidas no contrato serão
honradas e com isso traz uma harmonia maior em todo o elenco, possibilitando
assim uma maior cobrança também por parte do Departamento de Futebol.
Diego recebeu ou receberá luvas além dos
salários?
Diego
tem um contrato de três anos com salários definidos de acordo com a filosofia e
orçamento do Flamengo. Nesse período ele vai receber alguns reforços anuais,
mediante o atingimento de metas pré-estabelecidas no contrato.

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