quinta-feira, setembro 24, 2020
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Dívida do Flamengo deve cair para R$ 370 milhões até dezembro.

Eduardo Bandeira de Mello, Presidente do Flamengo – Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

OLHAR
CRÔNICO:
Alguns dias atrás, antes da liberação do balancete do Flamengo
referente ao segundo trimestre desse ano, comentei a queda nas dívidas do clube
a partir de ações do Departamento Jurídico, juntamente com a direção executiva
e financeira em alguns casos (aqui). Agora, com o balancete já publicado, a
visão sobre a realidade econômico-financeira do clube fica mais clara e
completa.

Como
já era esperado, os resultados seguem sendo muito bons, podendo, mesmo, serem
chamados de espetaculares.
Vamos
aos números mais importantes, em especial para o torcedor:
Receita orçada para 2016: R$
419,4 milhões
Receita já realizada R$
221,8 milhões
O
valor da receita já auferida de janeiro a junho é bruto, sem deduções de
impostos e direito de arena, e representa 52,9% da receita estimada para todo o
ano.
Novamente,
repetindo o que já disse em outras oportunidades, isso ocorre num ano muito
difícil para a economia do país, das empresas, dos próprios governos e,
naturalmente dos clubes e, principalmente, das pessoas. Mais um ano não de
recessão, mas de verdadeira depressão econômica.
Se
ficarmos somente nesses números já será o suficiente para dizer que o clube vai
bem, certo? Nem sempre, pois é comum vermos grandes receitas conviverem (até
quando?) com realidades financeiras terríveis, a ponto de tornarem as receitas,
mesmo robustas, incapazes de alterar a realidade.
A
leitura de um balanço ou de um balancete fornece um mundo de informações
preciosas. Tanto as que estão expostas como também, e isso é comum no futebol
brasileiro, as que não estão claramente expostas ou simplesmente estão
“escondidas”, graças a detalhamentos inexistentes – o que não é, já adianto, o
caso do Flamengo e de alguns outros poucos clubes com balanços claros e bem
detalhados.
Abordar
todas as informações, porém, foge muito ao interesse do torcedor, especialmente
num momento como esse, de meio de ano, sem números definitivos e sem as
comparações com outros clubes. Falei, então, da receita, que é fundamental para
se aferir como o clube está indo, e vou falar de outro ponto importantíssimo,
às vezes muito mais que a receita: a dívida.
A
dívida ficará mesmo menor que a receita
Como
antecipado no post citado mais acima, a dívida do Flamengo já teve uma boa
redução até esse momento e terminará o ano num patamar inédito na história do
clube desde há muito tempo: ela ficará abaixo do valor total das receitas.
Naturalmente,
há um semestre quase inteiro ainda pela frente, mas tudo indica que o ano, em
termos contábeis, terminará dentro das previsões e a dívida líquida do clube
estará reduzida a um valor entre R$ 370 e R$ 380 milhões.
Dentro
do clube, uma previsão mais conservadora trabalha com o fechamento da dívida
total em R$ 385 milhões.
Pelo
lado da receita bruta, a previsão orçada – R$ 419,4 milhões – pode ficar um
pouco abaixo em função de queda na receita de marketing e ter um valor final
por volta de R$ 410 milhões. Por outro lado, porém, essa queda pode ser
compensada por um aumento das receitas estimadas para bilheteria e programa de
sócio-torcedor. Naturalmente, esse crescimento dependerá do desempenho do time
e do impacto das contratações recentes, principalmente Diego.
Em
qualquer dos cenários previstos, porém, a relação dívida/receita estará entre
0,88:1 e 0,94:1.
É,
portanto, muito provável que o Flamengo termine o ano “líquido”, ou seja,
apresente receita superior ao seu endividamento. Um fato inédito desde há muito
tempo.
E o
futebol com isso?
Essa é
a pergunta que já é feita há muito tempo por muitos torcedores: e o futebol com
isso?
As
contratações recentes do clube – Diego, Donatti, Leandro Damião – foram feitas
estritamente dentro do limite das despesas projetadas para o futebol, mantido a
50% da disponibilidade orçada no início do exercício. A prioridade foi e
continua sendo o pagamento das dívidas.
Um
pequeno parêntesis… Este é um exemplo claro, entre outros, do que pode ser
chamado de conservadorismo financeiro. Ele funciona no futebol, funciona na
vida pessoal, funciona na vida das empresas e funciona na administração
pública. Não se iludam com o vocábulo “conservadorismo”, tido e havido como
coisa ruim, chata, ultrapassada… Triste engano. Hoje, na gestão da coisa
pública ou coisa do povo – res publica em latim – pode-se dizer sem medo, sem
receio de equívoco, que nada é mais revolucionário e avançado que o
conservadorismo financeiro.
Durante
2017, o Flamengo terá uma boa margem para investimento em novas contratações,
de custo total igual e até maior do que o que foi investido nas contratações
recentes.
Essa
possibilidade será maior em meados do ano, coincidindo com a janela de verão da
Europa. Isso permite a diluição dos custos da contratação feita em 2017 por
2018 e 2019, sempre dentro das previsões orçamentárias.
Sem
estouro de caixa e sem a venda obrigatória de direitos federativos, inclusive
de jovens valores.
Isso
acontecendo, já poderemos usar outro nome para a situação como um todo:
sustentabilidade.
Alguns
leitores já estranharam o fato de este OCE dar tanto espaço e tanto comentar as
finanças rubro-negras. Muitos até dizem que isso ocorre porque eu sou
rubro-negro. Não, nem sou torcedor do Flamengo (como sabem os leitores que já
leram meia dúzia de posts eu sou são-paulino) e nem mesmo penso que o Flamengo
tenha muito espaço no OCE.
Na
verdade, considerando o que eu acredito ser saudável para os clubes e para o
futebol brasileiro, eu deveria falar ainda mais desse Flamengo, nessa gestão.
Porque
é disso que nossos clubes precisam e, portanto, o nosso futebol: mais
responsabilidade, mais respeito com as instituições, mais conservadorismo, mais
conservadorismo financeiro.
Se
queremos um brilhante futuro para o esporte e para as paixões que nos movem e
alegram, precisamos que os clubes caminhem seriamente para a sustentabilidade.
Os
torcedores fazem sua parte, e a sociedade, através do Congresso Nacional e do
Poder Executivo, também fez a sua parte.
É hora
de os clubes fazerem a parte que lhes compete.
Por Emerson
Gonçalves

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