Duas realidades.

Por: Fla hoje

Mansur
– Predomina uma tese, quase uma frase feita, segundo a qual “Estadual não é
parâmetro”. Refere-se à dificuldade de projetar o restante do ano de um time de
futebol no Brasil a partir de seu desempenho na competição local. Não parece
razoável.

Um
treinador convive com seus jogadores por três meses; nos casos de Rio e São
Paulo, disputa 15 jogos, fora as fases finais; e, dentre estes jogos, enfrenta
times de Série A, outros de Série B e, é fato, alguns sem qualificação.
Impossível que não seja uma experiência rica o suficiente para apontar virtudes
e deficiências. Há jogos que não são parâmetros, é verdade, dada a debilidade
do rival. Título estadual não garante sucesso mais adiante, no torneio
nacional. Afinal, o futebol jamais oferece garantias. Mas as conclusões se
oferecem a quem souber avaliar.
Uma
delas: há uma nítida diferença de padrão técnico entre o futebol que se tem
jogado em São Paulo e no Rio. Não é um decreto de que os cariocas estão
condenados ao fracasso quando o Campeonato Brasileiro chegar. É uma fotografia
do momento, uma avaliação do que se produziu após mais de 15 partidas oficiais
no ano. E reforçada pela rodada do fim de semana, que expôs cariocas e
paulistas em jogos decisivos de seus campeonatos.
As
semifinais cariocas foram pobres. A começar por sábado. O Botafogo de René
Simões é ofensivo, ousado para seu limitado poderio para investir no mercado. É
bom coletivamente, mas frágil individualmente. Ao Fluminense, em ano de
redimensionamento, ainda restaram jogadores de porte, como Fred, e jovens
promissores, como Gérson. Há menos fartura do que nas últimas temporadas. Mas a
maior deficiência, hoje, é coletiva. A qualidade quase decidiu a série a favor
dos tricolores. Mas o gol de Willian Arão reabriu a disputa.
No domingo,
Flamengo e Vasco chamaram mais atenção pelas trocas de pontapés, grosserias e
desaforos entre os jogadores do que pelo futebol. O Vasco aguerrido de Doriva
andou mais perto do gol do que o Flamengo. Talvez não o tenha feito por fala de
precisão, pela falta do tal refinamento técnico. Bernardo e Marcinho, duas
reservas de talento do elenco, têm trajetórias recentes que não permitem o
prognóstico de que farão uma grande temporada. Faz tempo que não se exibem no
auge por longos períodos. Já Dagoberto, sofreu uma lesão pouco depois de
estrear.
Já o
Flamengo, que em teoria tem mais recursos no elenco do que os rivais, parece
condicionado a aguardar a chance de disparar em velocidade. Seu jogo coletivo
ainda não lhe permitiu se impor num grande jogo em 2015. E quando perdeu
Paulinho, Éverton e Canteros, sentiu falta de reposição no elenco.
Nos
180 minutos de futebol do Maracanã no fim de semana, raramente se viu fluidez
de jogadas, bolas trabalhadas pelos meias, imposição de jogo. Foi mais fácil ver
luta, por vezes briga, e aposta na velocidade.
Em São
Paulo, até as interrogações ainda postas sobre os principais times apontam para
uma riqueza de recursos maior. Guerrero permanecerá no já fortíssimo
Corinthians no segundo semestre? Como se encaixará Valdívia neste Palmeiras
reconstruído com 20 reforços, entre eles Zé Roberto, Arouca e Dudu? Dará liga o
São Paulo de Ganso e Pato? E onde poderá chegar o Santos de Robinho? Enfim, a
discussão é centrada em nomes de muito mais peso, mais trajetória, mais
hierarquia.
Há um
reflexo no campo. Há uma sensação de que o jogo se desenrola com mais trocas de
passes, com mais controle da bola. Uma aparência de mais organização. A razão é
simples: a execução das jogadas é mais natural. Os erros em lances simples são
menos frequentes.

Prever
o futuro no futebol, mais do que arriscado, é impossível. Há espaço e tempo
para os cariocas crescerem. Mas os primeiros três meses de temporada não são
promissores.

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