sexta-feira, setembro 25, 2020
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É preciso ser de vanguarda, como o Flamengo sempre foi.

Zé Ricardo – Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

BUTECO
DO FLAMENGO
: Diante de todas as mudanças desta semana e do furacão político
causado pelo futebol, meu texto foi por água abaixo! Muito do que eu escreveria
foi dito e repetido à exaustão no texto de ontem do Gustavão, nos comentários
dos Butequeiros e nas redes sociais. Provavelmente voltarei a ele em um outro
momento, se achar necessário. Passando disso, li um texto bem bacana, enviado a
mim pelo Max Amaral. Gostei das observações e vale muito a reflexão sobre ele.
Precisamos mesmo de um medalhão? Será que um medalhão respeitaria a hierarquia
do futebol? São questões alheias ao texto, portanto não as trarei para cá,
atendo-me a ele.

O texto
é de Ruan Lucas (@ruanlucas_fla) e foi publicado no Blog Plantão do Futebol. O texto fala sobre Zé Ricardo e sua
utilidade no futebol profissional, traçando um panorama sobre sua carreira até
aqui. Gostei do que vi e vale a reflexão, repito. Obrigado ao Ruan, que
permitiu a publicação e boa leitura!
ORIGEM E CARREIRA NO FLAMENGO
Com 45
anos, José Ricardo Mannarino começou a trajetória no Flamengo em 1998, quando
foi levado por Anderson Barros para comandar o futsal do clube, onde se
destacou tanto pelo talento, quanto pela tranquilidade no trato com comandados
e adversários. Sete anos depois, migrou para o campo e assumiu comando da
categoria Mirim. Depois de passagem de 3 anos pelo Audax, voltou para o clube
em 2012, para comandar a categoria sub-15, onde treinou e manteve a incrível
invencibilidade da cheia de expectativas “Geração 2000”. Depois de um trabalho
excepcional, foi convidado para assumir o comando técnico do sub-15 da CBF, na
sua maior oportunidade profissional até então, convite do qual declinou em prol
de um projeto maior no Flamengo.
Em
novembro de 2014, assumiu o sub-20, após devastadora derrota de 7×0 para o
Fluminense, com o time fora das duas decisões de turno do Estadual sub-20 em
2014. Três meses após assumir, foi campeão invicto da Taça OPG. Em 2015,
conquistou o Estadual, após vencer os dois turnos da competição. Em 2016, o
auge: a conquista invicta da Copa São Paulo de Juniores, com uma reação heroica
sobre o Corinthians, num Pacaembu lotado. Após a Copinha, seu time passa por uma
intensa reformulação, mas, ainda assim, ocupa a liderança da Taça Rio no
Estadual da categoria. Seu trabalho na base é irretocável: títulos acompanhados
de formação e lançamento de bons atletas para o profissional, extraindo sempre
o melhor de cada jogador.
PERSONALIDADE
Por
ser professor da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro e ter toda a sua
atuação no futebol voltada para as categorias de base, Zé Ricardo é conhecido
pelo seu perfil didático no trato com seus comandados. Além disso, não abre mão
da esportividade de seus atletas, exigindo sempre respeito ao adversário, em
qualquer situação, o que ficou muito evidente na goleada por 5 a 0 sobre o
Corinthians, na final da Copa Amizade Sub-15 em 2014. É conhecido pelo trato
respeitoso com todos os funcionários, do roupeiro aos jogadores e diretores do
clube.
Gosta
de trabalhar com a ideia de equilíbrio, sabendo controlar os ânimos dos atletas
seja na empolgação pelas vitórias ou na frustração pelas derrotas. Apesar do
foco irrefutável na ideia de disciplina, consciência tática e total entrega dos
jogadores para o sucesso do coletivo, Zé Ricardo também é conhecido pelo estilo
“Paizão”, embora não hesite de cobrar nos momentos necessários, mas jamais
abrindo mão do respeito aos seus comandados, razão pela qual sempre conquista a
admiração deles. Num cenário de adversidade durante o jogo, entende que passar
tranquilidade aos atletas, pela consciência de que sabem de sua capacidade,
pode ser mais eficaz que se resumir a dar broncas.
No
trato do elenco e da execução do trabalho com maior qualidade, encara com
naturalidade a questão dos rodízios, caso haja a disputa simultânea de torneios
importantes e acredita na necessidade do trabalho de longo prazo, no qual o
jogador deve ser leal à proposta coletiva da equipe e crê não ser possível
dissociar o caráter da postura profissional
ESTILO DE TREINOS E FILOSOFIA DE JOGO
Na
aplicação e compreensão de treinos, é admirador da metodologia portuguesa e
tenta aproximar sempre os treinos à realidade do jogo, à especificidade do
jogo, prezando demais pelo jogador com massa cerebral, não massa muscular, isto
é, estimulando a consciência tática e também o desenvolvimento técnico
individual em detrimento da preocupação exacerbada com o condicionamento
físico. Seu foco está sempre na tríade “trabalho, disciplina e dedicação”.

Ricardo é perfeccionista, trabalha com afinco as suas determinações de
propostas de jogo com os atletas. Por ser apaixonado pelo futsal, carrega
consigo princípios e comportamentos do esporte e, por isso, é muito conhecido
pelo estímulo às jogadas ensaiadas como forma de surpreender o adversário. Nos
jogos, seus times são conhecidos pelo alto índice de passes certos, apesar da
movimentação constante. Estimula a saída de jogo sem chutões, com domínio da
bola, tudo repetido à exaustão nos treinos.
A
formação no futsal permitiu ao treinador ter sempre as suas “cartas na
manga”. Jogadas ensaiadas e apreciação ao improviso do talento individual
de seus atletas, sem permitir que os excessos egoístas de determinados
jogadores possam acontecer e prejudicar o coletivo, é um grande estrategista.
Sua proposta de jogo é um flexível 4-1-4-1, sistema que o treinador entende ser
de fácil compreensão pelos atletas, além de permitir algo bastante apreciado
por ele: a versatilidade dos atletas. Apesar de a predileção por esse sistema,
o treinador entende que a eficiência de um modelo tático depende da execução da
proposta do em campo.
Muito
embora uma das principais preocupações seja com a organização tática de suas
equipes, a adoção desta identidade tática não prejudica que o plano de ação
para cada jogo seja feito com base em muito estudo do adversário. Seus times
costumam ter grande organização defensiva, boa cobertura de espaços e sofrem
poucos gols. Têm como característica marcar em bloco mais baixo e ter um
contra-ataque extremamente organizado, alternando com a marcação por pressão,
desde que com indicativos do adversário apresentados durante o jogo.
O QUE PODEMOS ESPERAR:
1    Quando, em 2015, recusou o convite da CBF
para comandar a categoria sub-15 da Seleção Brasileira, entendia ter havido
melhora significativa na captação de atletas e estruturação da base nas mais
variadas categorias do clube e isso demonstra o quão importante Zé Ricardo pode
ser na formação de uma filosofia de jogo própria do clube, permitindo, agora
sim, a unificação das metodologias, da filosofia geral de futebol para o clube,
embora isso não signifique, de forma alguma, o engessamento das variações
táticas diante de situações de jogo estimuladas por parte dos treinadores
destas categorias;
2    Obviamente, teria sido melhor que assumisse
o comando técnico da equipe num início de temporada, planejando elenco, ou que,
pelo menos, tivesse sido auxiliar de um dos vários medalhões bravateiros e
apitadores de treino que passaram pelo banco de reservas da equipe nos últimos
tempos, mas o Flamengo não pode mais esperar. Não podemos mais correr o risco
de, em substituição a um destes treineiros, vir um novo treineiro de currículo
vitorioso num passado cada vez mais distante e ficarmos mais uma temporada a
ver navios, com um grande orçamento, um elenco de qualidade indubitável frente
aos demais da Série A, mas que, pela má execução do planejamento, acaba sendo
mal aproveitado, sem explorar o potencial máximo de cada jogador de nosso
elenco. É certo que a falta de qualidade, de consonância dos treinos com aquilo
que o futebol moderno preceitua tem desestimulado os atletas. Não há ânimo
porque não há perspectiva de melhora. Treinos obsoletos, ideias ultrapassadas,
objetivos sempre mal executados. E continuaremos correndo em círculos enquanto
os medalhões obsoletos por aqui estiverem, com frustrações e vexames cada vez
maiores;
3    Precisamos de um treinador jovem,
competente, estudioso, atualizado e, principalmente, com gana de vencer, de
mostrar serviço. Sem sombra de dúvidas, Zé Ricardo é esse nome. Além do mais,
carrega consigo o tal do rubronegrismo. A formação dentro do clube. Conhece
cada metro quadrado daquelas instalações, a pressão da torcida, a instabilidade
dos dirigentes. Num momento como esse, nada como resgatar as nossas raízes em
nomes oxigenados.
Porém,
para exercer um trabalho de qualidade, além de todos estes predicados, o
treinador precisa FUNDAMENTALMENTE de autonomia, não apenas para escalar seu
time, sem a pressão de dirigentes e empresários, mas também para a formação de
sua comissão técnica. É preciso que um cara gabaritado como ele traga para perto,
de si e do clube, profissionais de qualidade com a mesma competência e gana de
vencer.
Neste
sentido, aproveito para fazer uma crítica: por falta de valorização
profissional, seja em termos de salário como de perspectivas, perdemos
excelentes profissionais para rivais regionais de poderio financeiro menor e
ficamos presos a nomes como Jayme, que, apesar de todo respeito que tenho por
sua história como profissional no clube, não tem a menor condição de integrar
uma comissão técnica do futebol profissional do Flamengo. Pelo menos, se o
clube pretende se soltar das amarras de um passado distante e caminhar em
direção a um futuro vitorioso e altivo;
4 O
problema de saúde de Muricy foi mais uma intervenção divina no nosso caminho.
Que Muricy se recupere logo e aproveite bastante a sua família e o patrimônio
conquistado ao longo de seus vitoriosos e longos anos de trabalho, mas era
óbvio que não havia a menor perspectiva de melhora do time sob seu comando. Um
trabalho horroroso, pior que o dos tempos de Luxemburgo, por pior que possa
parecer. Trabalho que não deixará legado algum, apenas uma sucessão de
fracassos retumbantes e derrotas para times de todas as divisões do futebol
nacional, de A a D.
Mas aí
lemos rumores que indicam a predileção da diretoria por Abel Braga para
substituí-lo. Sim, aquele responsável pelo maior vexame da história do
Flamengo, em 2004. Demitido de Fluminense, Internacional e Al Jazira-EAU. Mais
um medalhão obsoleto. Mais um bravateiro. Mais um escudo para a direção. Assim
como Muricy, Oswaldo, Mano e afins. Treinadores que, pelo estilo de gritar à
beira do campo, chegam com grande aprovação da torcida, ganham os jogos
iniciais, mas, ao longo do tempo, por estarem completamente desatualizados com
o futebol moderno, caem na desgraça da mesmice e continuaremos nos convivendo
com vexames.
5    Portanto, cabe a nós, torcedores,
protestarmos pelo fim desta ciranda maldita e inútil dos mesmos nomes. É
preciso ousar, sair do lugar-comum. É preciso ser de vanguarda, como o Flamengo
sempre foi, mas tem deixado de ser com o passar do tempo. Precisamos resgatar a
nossa raiz, mas sem abrir mão da qualidade.
NÃO É
POSSÍVEL QUE CONTINUAREMOS CAINDO NOS MESMOS ERROS!
Diferente
dos medalhões, Zé Ricardo carrega consigo, ao menos, o benefício da dúvida. Os
outros nos trazem certeza, a certeza de que continuaremos neste pesadelo que
parece sem fim. Se o Flamengo não quiser ou puder trazer um grande treinador
estrangeiro extraclasse, não pode apostar em nenhum outro nome senão em Zé
Ricardo.

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