sábado, setembro 19, 2020
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Elegância furtiva cheia de veneno

Foto: Reprodução

REPÚBLICA
PAZ E AMOR
: Não está sendo fácil. Mesmo imerso na azáfama habitual do meu
extenuante ganha-pão o Flamengo não tem me permitido um minuto de paz. Seus
mais recentes feitos colocaram os povos da confederação arco-íris em alerta
geral e incrementaram ainda mais a opressiva presença flamenga em todos os
veículos de comunicação do país. Claro, além de não perder para ninguém e
ganhar de todo mundo, o Flamengo também corrige distorções estatísticas e
pulveriza tabus.

Houve
tempo em que as vitórias do Flamengo sobre os coxas lá no Alto da Glória eram
tão raras, tão raras, que rolava a lenda que cada vez que o Flamengo
conseguisse triunfar em Coritiba o pau de seus torcedores cresceria 0,5 cm.
Aqueles que foram capazes de sobreviver ao sexo degenerado dos anos 80 e às
catástrofes da venda de Zico e da contratação de Ronaldinho Gaúcho descobriram
na segunda década do século XXI, consternados, que a lenda não se baseava em
fatos, não passava de wishful thinking. Porque depois de 2010 toda a hora a
gente ganha desses buchas na casa deles e o amigo lá nem tchuns. Continua tudo
na mesma, seja qual for a régua usada.
O que
apenas comprova que o Coritiba, se é que um dia o foi, deixou de ser
bicho-papão, ainda mais depois que virou mensalista na Z4. Não havia a menor
condição do Flamengo, vivendo a plenitude daquele momento Sai da Frente,
Pangaré! perder ponto pros caras. Mas com a bola rolando é que deu pra ver
mesmo porque o Coritiba não sai da zona, porque é totalmente inofensivo. Mas
quem disse que o Flamengo passeou? Foi aquele perrengue pra bola sair do meio e
chegar no ataque. Mancuello e Alan Patrick precisam discutir a relação, parece
que um intimida o outro e o jogo não flui. A despeito do amplo domínio e da
humilhante posse de bola foram apenas duas ou três jogadas que deram certo no
1º tempo.
No 2º
tempo Guerrero meteu logo um gol, o que foi, ao mesmo tempo, bom e ruim. Bom
pela vantagem no placar, bom pros números do Guerrero, o cara que atualmente
mais toma porrada no futebol sul-americano, e ruim pros nervos da massa de
gente simples e sofrida que apoia o Mais Querido. Que teve então que suportar
duzentos mil minutos em que o Flamengo saiu do jogo e deixou ao Coritiba todas
as chances do mundo pra empatar a pelada. Foi desesperador, porque o Flamengo
não passava do meio de campo e a bola acabava sempre com um deles, nunca com um
dos nossos.
Na
minha soberba de torcedor autossuficiente tenho certeza de que o Zé Ricardo
substitui mal, privilegiando sempre a defesa em detrimento do ataque, o que
caracteriza um distanciamento das nossas raízes mais profundas – o compromisso
umbilical com a ofensividade de quem nasceu para o futebol metendo 16 x 1 no
Mangueira. O jogo ficou ruim, só dava os caras, fui dar uma mijada e quando
volto vejo o Cirino em campo. Desanimei. Porque sou idiota e não entendo
absolutamente nada sobre substituições. Mas o Zé sabe.
Ele
viu que enquanto os coxa nos apertavam deixaram um monte de espaços onde um
contra ataque rápido e letal poderia dar números definitivos à peleja e tirar
nosso saldo de gols do zero. E foram os caras que ele colocou em campo que
assinaram nosso segundo gol. Cuellar meteu pro Cirino, que parecia impedido mas
não estava, matar no peito e guardar depois de dar um corridão. Renasceu o
menino Cirino, seja bem vindo. Tudo bem, o Zé sabe substituir e eu só falo
groselha. Mas será que ele é capaz de nos explicar qual a necessidade do
Flamengo jogar o 2º tempo inteiro na sufocolândia?
Enquanto
ele não responde, regozijai-vos, mulambos. Podem aproveitar os efeitos sutis do
Ácido Heptanóico sobre o seu sistema nervoso central. Nosso Flamengo está
cumprindo com suas obrigações de maneira exemplar e isso não é viagem. Sem
qualquer traço de oba-oba somos forçados a reconhecer a bela figura que nossa
rapaziada está fazendo. É preciso que se registre que Rafael Vaz foi o destaque
no nosso onze, veja você.
Como
não elogiar a elegância furtiva do Mengão se aproximando, sorrateiro e
irresistível, dos pangas do G4? O pânico já se instalou lá em cima e o bafo do
Flamengo, mesmo se mantendo no sapatinho frenético, eriçou os pelos no cangote
dos paraguaios, provocando reações esfincterianas causadoras da flatulência.
Geral peidou. Nós já vimos esse filme antes, em 2009. É muito bom filme, eu
gostei. E, mesmo sendo apenas uma lenda aquela história de 0,5 cm em Curitiba,
minha mulher também gostou.
Mengão
Sempre
ARTHUR
MUHLENBERG

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