segunda-feira, setembro 28, 2020
Início Notícias Eleições: Os planos para o Futebol do Flamengo.

Eleições: Os planos para o Futebol do Flamengo.

BUTECO
DO FLAMENGO – Não posso, não devo e nem quero ser referência para ninguém,
contudo busco informações que me façam compreender a algumas das coisas quais
enxergo à “olho nu”. Talvez me considere um grande interessado em Flamengo, em
diversos assuntos, de sua política, estrutura organizacional, dos esportes
disputados, serviços distribuídos, etc., não apenas no futebol. Um curioso.
Mesmo curioso, não consigo enxergar as entranhas do futebol, e as pessoas que
dirigem, neste mandato ou em mandatos dos últimos 25 anos ao menos, também não
conseguem. Tavez por ter menos de 2 anos de associado, ou por ser obscuro
mesmo. Não sei se por sorte, providência divina, não consegui assistir à peleja
de domingo, onde me relataram que o Flamengo fez apenas uma finalização decente
em 90 minutos e o técnico da equipe se disse satisfeito com o desempenho,
quando o adversário “treinou” vencendo por 1×0. Como mudar?
Para a
mudança de paradigma é preciso o investimento. Em profissionais de melhor
qualidade, para funções-chave, os melhores profissionais do país, muito
treinamento e controle das ações da pasta. Talvez seja preciso mudanças em
postos-chave e a busca pelos melhores profissionais do mercado brasileiro não é
simples, e deve ser executada a qualquer custo, mesmo que seja para mexer com
os brios de quem esteja lá. Não se trata de instabilizar o departamento, apenas
deixá-lo eficaz, competitivo, eficiente.
Como o
título da coluna diz, e “o futuro do futebol”? O que pensam as chapas? Como os
programas de governo são o documento que referendam estatutariamente os planos
das campanhas, as diretrizes das chapas. Li as ideias da Chapas Azul e da Chapa
Verde, tentei ler a da Chapa Branca, mas disconsiderei o último, tamanha
pobreza do que se espera para o Flamengo. Tentarei me ater à parte do Futebol
dos Planos de Governo (PDG).
O PDG
da Chapa Verde é meio decepcionante. Tudo bastante genérico. De uma forma geral
ele é pautado em pessoas, não em ideias. Para o futebol prometem:
– Conclusão
do CT com investimentos de R$ 30MM, está junto com os planos do futebol, assim
como a construção de um estádio na Gávea para 25 mil pessoas.
Investimento
de R$ 60MM no triênio, para a base. R$ 20MM por ano, que seria comandada por um
ex-jogador do clube.
– Contratação
de um “gerente de campo”, o supervisor que eu cito acima.
– Posicionamentos
institucionais relacionados ao futebol também estão nos planos do futebol.
As questões
objetivas, mesmo que poucas me agradam: a contratação do supervisor e aviso de
quanto será gasto na base. Excelente! Isso é o que eu desejo em um plano de
governo. O que fazer e como fazer. Repito, muito pobre este plano relacionado
ao futebol. Meio decepcionante. Pautado em pessoas, não em ideias.
O
Plano de governo da Chapa Azul tem 51 páginas, sete delas voltadas para o
futebol. O PDG promete realizar reformas estruturais em quatro eixos do
departamento: Gestão; Avaliação de Desempenho e Inteligência de Mercado;
Capacitação; e Categorias de base. O plano diz que “são diretrizes para nos
conduzir a um nível de excelência nas Américas, coincidindo com a previsão de
um orçamento superior para o futebol em 2016-2018. Um salto que nos alçará à
condição de competidor de alto desempenho em todos os campeonatos que
disputarmos nos próximos anos”. Prometem:
– Com
a i) conclusão do nosso Centro de Treinamento; ii) mais recursos financeiros
disponíveis para o departamento de futebol (qualificação do elenco, inclusive);
e iii) reformas em quatro eixos fundamentais (Gestão; Avaliação de Desempenho e
Inteligência de Mercado; Capacitação; e Categorias de Base), atingiremos um
outro patamar de governança, investimento e rendimento esportivo no próximo
triênio.
– Implantação
do Plano Diretor do Futebol, com estrutura de governança, redefinição do
organograma dos profissionais do Departamento de Futebol e desenho de funções,
adaptados a partir das principais experiências de sucesso;

Será
elaborado um Regimento Interno para o Departamento de Futebol com documentação
do job description e definição das competências e limites de atuação dos
principais participantes – inclusive a respeito da escolha de profissionais e
dos valores de contratações de atletas, salários e luvas;
– O
modelo de gestão do Futebol terá liderança visível e assídua, com possibilidade
de uso de consultores externos com comprovada expertise no futebol e/ou
carreira esportiva no clube;
– A
condução esportiva/técnica do departamento terá especial ênfase, para que as
categorias de base e o futebol profissional tenham uma diretriz e filosofia
únicas. Serão estabelecidas metas de rendimento para a Comissão Técnica, com
comparação entre os resultados de campo e o método empregado nos treinamentos;
– Buscaremos
importar conhecimento e promover o intercâmbio com os grandes clubes europeus
para implantar as melhores práticas e processos para o nosso Departamento de
Futebol, se possível com intermédio da Adidas, nossa patrocinadora de material
esportivo;
– A
política de remuneração dos profissionais do Futebol será atrelada a resultados,
principalmente coletivos. O modelo levará em conta o orçamento do clube e será
apresentado ao elenco no início de cada temporada e suficientemente exposto aos
novos atletas contratados;
– Serão
aprimoradas as normas de conduta e de comunicação aplicáveis aos atletas e
integrantes do departamento;
– Haverá
maior integração do Departamento de Futebol com outras áreas do clube como
Marketing, Comunicação, Financeiro, Patrimônio, Jurídico e Recursos Humanos;
As
realizações e decisões estratégicas da gestão do Futebol serão comunicadas mais
frequentemente aos associados:
– Manutenção
e aperfeiçoamento dos projetos estruturantes do Futebol do Flamengo, como o
Centro de Excelência em Performance, o Centro de Inteligência de Mercado,
criados em 2015, e o desenvolvimento da abordagem psicológica e de coaching;
– Investimento
em tecnologia, com aquisição de equipamentos e softwares;
– Criação
de processos de avaliação de todos os funcionários do Departamento de Futebol
com estabelecimento de prazos e feedbacks sobre cumprimento das metas;
– Criação
de base de dados suprida com relatórios de avaliação periódica de cada atleta
do clube e observações contendo dados como informações técnicas, físicas e
psicológicas.
– Toda
contratação de atleta profissional será avalizada por relatório em que conste a
avaliação técnica sobre o rendimento atual do profissional, seu histórico e
produtividade; e analise física e psicológica. O relatório será assinado por
cada profissional que avaliou o atleta;
– Aumento
e qualificação da rede de “olheiros”, inclusive no mercado sul-americano.
– Criação
de Programa de Formação de Talentos focado no suporte à gestão executiva e
técnica do Departamento de Futebol;
– Incentivar,
monitorar e exigir a qualificação e desenvolvimento permanente dos
profissionais do departamento, tanto das divisões de base, quanto do Futebol
profissional, através de graduações, cursos de especialização, workshops,
palestras e afins;
– Estabelecimento
de planos de apoio à educação dos jovens atletas e um programa paralelo para
que conheçam a história rubro-negra e seus personagens, com amparo de projetos
incentivados.
– Manutenção
do Certificado de Clube Formador, emitido pela CBF em 25 de maio de 2015;
– Formação
de plano de atração e retenção de talentos, através do fornecimento de transporte
e auxílio-refeição/moradia para os atletas da base, especialmente das
categorias sub-13, sub-15 e Sub-17 (com amparo de projetos incentivados);

– Desenvolvimento
de processos de captação, “peneiras” e parcerias para atrair os jovens mais
promissores;
– Implantação
dos métodos de avaliação de desempenho e excelência em performance às
categorias de base;
– Implantação
de uma filosofia única de jogo do Flamengo, para melhor preparação e adaptação
do atleta de base à equipe profissional. Todas as equipes de base praticarão o
esporte da mesma forma, privilegiando a posse de bola, o ataque e a raça
rubro-negra, exigências da nossa torcida;
– Integração
das categorias de base de futebol de campo com o futsal;
– Estabelecimento
de metas específicas para os profissionais da base do Futebol, levando em
consideração a quantidade de atletas convocados para as seleções brasileiras de
base, aproveitamento nas categorias imediatamente superiores, arrecadação com
venda de atletas e títulos conquistados no ano;
– Estabelecimento
de meta para que, em médio/longo prazo, pelo menos 50% da nossa equipe
profissional seja composta por atletas oriundos das divisões de base do
Flamengo;
– Este
plano tem uma meta: vencer uma Libertadores até 2018.
Os
tópicos acima estão na íntegra, foram retirados do plano de governo (existem
discrições entre estes tópicos; preferi trazer apenas os tópicos para reduzir e
ser mais objetivo). Particularmente, gostaria de ouvir mais sobre o setor de
RH, não apenas para o futebol, para os planos do clube, incusive sobre as job
discriptions. Para mim, os atletas devem saber sobre a história da “empresa”,
do clube, como acontece normalmente em grandes empresas. Deveria ser
obrigatória uma aula de introdução, como se fosse uma preparação e
conscientização da “utilização de EPI”.
É
preciso dotar o clube de profissionais que melhorem seu desempenho em campo,
facilitando sua vida fora do campo. Uma espécie de secretaria temporária que
cuide dos atletas recém-chegados. Escola para filhos, aula de línguas para
estrangeiros e família, assistência para quem vem de fora do estado, também.
Extensível a base, que por sua vez, deveria utilizar o futsal na formação dos
atletas do futebol. Instituir a modalidade como setor indissolúvel da
Vice-Presidência de Futebol, aplicada diretamente nas categorias de base. Há
uma brecha na lei Pelé que o Flamengo pode utilizar. Não podemos formar atletas
para o futebol de campo, menores de 14 anos, mas podemos “guardá-los” enquanto
atletas do Futsal e buscar talentos desde cedo, com estrutura, lógico.
Precisamos
de estruturas e processos. Pra isso, tem que vir gente de fora pra criar o que
se deseja. Ficar imaginando a alma Flamengo desde a década de 80, parece
utópico em minha visão. Temos que formar algo novo, um modelo Flamengo, para o
Século XXI. Trazendo profissionais de sucesso e experimentados e formar em
casa. Devemos buscar parceria ou comprar “grandes sistemas integrados de
informação”, como o SAP usado pelo Grêmio, por exemplo. Adotaria critérios
objetivos de avaliação e desempenho das equipes e dos atletas do clube,
baseados em eficiência. Caso já existam, explicar como funcionam.
Particularmente, sou contrário à “filosofia única”. O que é isso? Como se
forma? O clube pode dar diretrizes de formação, mas é impossível jogar como os
profissionais. A não ser que o treinador venha e fique os três anos da gestão,
faça chuva ou faça sol.
Não
sou daqueles que torce mais para a chapa do que para o clube, porém acredito no
que vejo, no que vi dentro do clube no último ano, onde pude ajudar a fazer um
Flamengo melhor, acredito nos meus pares. O que mais me chateia são os ataques
à pessoas que suam a camisa para ajudar ao clube, ataques de pessoas que não
fazem ideia do que está dizendo ou do que se faz. O importante é o Flamengo,
ajudar o clube de forma voluntária para mim e para muitos é um orgulho, um
prazer e vejo em cada um daqueles que se dispõem a melhorar o clube como um
todo. Tento fazer um comparativo baseado no lançamento dos planos de governo.
Os PDGs vão resolver os problemas do futebol do Flamengo? Não sei, mas apontam
um caminho. Recomendo que todos leiam. Aos planos das três chapas. Que os
sócios escolham o melhor caminho, assim como os gestores saibam conduzir o
Flamengo para o lugar que esperamos!
Luiz
Filho

MAIS LIDOS

Agente se revolta e não descarta a saída de Lincoln

O Flamengo mediu forças diante do Palmeiras, na tarde deste domingo, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. O time Rubro-negro foi a campo com...

Segundo Fábio Sormani, Flamengo usou de “laranja” para se beneficiar

Na tarde desta segunda-feira, o grande e responsável jornalista Fábio Sormani soltou mais uma daqueles declarações complicadas de se ingerir numa rede de televisão....

Presidente do Sport admite interesse em contratar atacante do Flamengo

O Flamengo possui uma das bases mais qualificados do futebol sul-americano. O Rubro-negro se acostumou a fazer grandes negócios com o mercado da Europa,...

O Brasil é de fato, a terra da hipocrisia

Toda a polemica envolvendo a partida do Flamengo domingo, diante do Palmeiras, mostra além da forma como cada dirigente só pensa em seu umbigo,...