segunda-feira, setembro 21, 2020
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Em dia de vaias, Léo Moura é parado por Chiquinho.

Foto: Reprodução
GLOBO
ESPORTE
: Antes mesmo de pisar no gramado do Pacaembu, Léo Moura começou a ser
perseguido pela torcida do Flamengo. As vaias, iniciadas no momento em que teve
o nome anunciado no sistema de som do estádio, na divulgação da escalação do
Santa Cruz, acompanharam o lateral-direito, durante toda a tarde de domingo, em
São Paulo. Tomavam conta do jogo, com gritos de “mercenário,” sempre que o
camisa 2 tocava na bola. Com atuação discreta, o atleta evitou qualquer tipo de
resposta. Deixou o estádio em silêncio. Não falou nem sobre a derrota de 3 a 0.
O
motivo da bronca é recente: há cerca de um mês, Léo Moura entrou na Justiça
contra o clube que defendeu por dez anos. Cobra o pagamento de horas extras,
adicional noturno e direito de arena referentes ao período entre 2011 e 2015. O
caso ganhou publicidade justamente na semana em que ele enfrentaria o Fla pela
primeira vez desde a despedida do ano passado, inclusive com um amistoso diante
do Nacional, do Uruguai, no Maracanã.  
É uma
decisão extremamente difícil. É apenas pelo direito e o lado profissional. A
minha relação com o clube Flamengo jamais vai mudar, até porque outros
jogadores recentes fizeram o mesmo e receberam o que é de direito em um acordo
com o Flamengo (…) A torcida do Flamengo é muito maior do que isso. Estou
tranquilo com relação e vou procurar jogar bem e ajudar minha equipe – afirmou
o atleta antes da partida. 
A
relação, porém, a julgar pelo domingo, ficou comprometida. Em uma dividida com
Chiquinho, um confronto que se repetiu durante toda a jornada, foi muito vaiado
(Veja no vídeo abaixo). O flamenguista ficou no chão, sentindo dores – o
árbitro Ricardo Marques Ribeiro sequer marcou falta. Em outro lance, com
Chiquinho o desarmando, teve de ouvir outra provocação do público: 
– Ão,
ão, ão, o Chiquinho é Seleção! 
Os
únicos momentos amistosos foram antes de a bola rolar, ao cumprimentar os
antigos companheiros. Léo Moura fez questão de falar com todos. Foi até o banco
de reservas abraçar também com funcionários do antigo clube. Dentro das quatro
linhas, atacou pouco e não finalizou nenhuma vez. Preocupou-se mais com o
sistema defensivo. Mantém o estilo de líder, orientando e cobrando os
companheiros. Mas a força e a qualidade para ir ao ataque não são mais as
mesmas. Não impediu a derrota. O Santa Cruz não foi páreo para o Fla e ruma
para o rebaixamento à Série B.
Faltando
nove rodadas, o time pernambucano é o penúltimo colocado. Tem 23 pontos, é o
19º. Está 11 pontos atrás do Sport, o primeiro time fora do Z-4. Tem, segundo o
matemático Tristão Garcia, 98% de chances de cair.

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