Encruzilhada rubro-negra.

Por: Fla hoje

Mansur
– A questão que se põe após o passeio corintiano no Maracanã é até onde o
Flamengo e o pressionado Cristóvão Borges estão dispostos a insistir no risco.
O treinador persiste na ideia de jogo que marca sua trajetória recente: time
adiantado, posse de bola e ocupação do campo rival para trocar passes. Num
elenco que prefere a velocidade, é um desafio e tanto. E, quando este elenco
vai se formando em plena disputa, a sensação de ousadia, por vezes, dá lugar à
percepção de que o bom-senso vem sendo contrariado. Multiplica-se o risco.
Bolas são perdidas, zagueiros se veem expostos e os gols saem um após outro. O
Corinthians teve a goleada ao alcance. Ficou nos 3 a 0.

Por
falar em bom-senso contrariado, o cenário era exemplar. O vazio na parte
superior dos setores Leste e Sul, mantidos fechados, era um símbolo da
incapacidade de promover grandes eventos, do hábito de jogar fora oportunidades
de valorizar o produto num país que sofre para encher estádios. O acordo que
tirou Guerrero do jogo, exigência corintiana, exibe o norte, a orientação que
prevalece na tomada de decisões no futebol brasileiro. O passional, a visão
estreita e tacanha goleando o profissionalismo. As pouco menos de 30 mil
pessoas no maior clássico do Brasil, que poderia ter o dobro de gente,
representam um prejuízo financeiro, mas também institucional. A
“solução” esvaziou o clássico. Criou frustração, sensação de
incompletude.
O
Corinthians também viveu sua reforma com o campeonato em andamento. Mas tem um
treinador íntimo do elenco e mantido desde janeiro. É mais consolidado. E
tecnicamente melhor. Após 25 minutos de equilíbrio, passou ao 4-1-4-1 que
permitiu desarmes e contragolpes. Nem foram tantos no primeiro tempo, mas
suficientes para abrir vantagem.
O
Flamengo, com um treinador há 45 dias no cargo, não tinha seus dois principais
reforços recentes e usou três jogadores que, no início do Brasileiro, sequer
eram opções no elenco. Circunstâncias que tornam ainda mais perigosa a decisão
de perseguir uma filosofia ousada e pouco habitual a este time. Mais
conservador, apostando na velocidade, o time foi mais seguro e eficiente contra
Joinville e Internacional, fora de casa.
Contra
o Corinthians, o 4-2-3-1 fazia de Canteros o homem do último passe, quase sempre
impreciso. Assim como eram imprecisos Cáceres, Gabriel e Cirino, este último,
ao menos, presente nos raros lances de perigo. Em casa, o Flamengo se sentia na
obrigação de ser protagonista. Mas não criava e se oferecia ao adversário. E
exibia um meio-campo pesado.
Após
um começo parelho, foram as individualidades que começaram a ditar o rumo. De
um lado, Éverton errou o passe. Do outro, Elias acertou tudo: corrida, passe
para Vágner Love e toque por cobertura no rebote. E com acertos coletivos e
individuais, Renato Augusto fez o lance do gol de Uendel, aos 49. Revelou-se
uma imagem notável: os setores mistos do Maracanã tinham marcante presença
corintiana. Em paz. Bom exemplo.
É
difícil sustentar que o polêmico acordo que afastou Sheik e Guerrero tenha feito,
sozinho, a diferença no jogo. Ou que tenha feito toda esta diferença vista no
placar final. Marcelo Cirino teve só uma chance de finalizar após jogada
construída. E perdeu. Os dois ausentes poderiam abrir mais espaços, preocupar
mais a defesa rival e até fazer gols. Mas a fluidez do jogo rubro-negro era
mínima. E a estrutura do time, deficiente.
O
segundo tempo beirou o suicídio. Cristóvão avançou os laterais e tentou fazer a
bola circular nos pés dos meias. Sobravam generosos espaços às costas de laterais
e volantes. Saiu o gol de Jádson, aos 18. Teve bola na trave e gol perdido por
Vágner Love. Ao Flamengo, restou o gol mal anulado de Jonas.
Entre
a segurança e o risco, há uma escolha a ser feita no Flamengo.

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