segunda-feira, setembro 28, 2020
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Ensaio sobre a insanidade.

BUTECO
DO FLAMENGO – Salve, Buteco. Eu não acho que perder de pouco pro Grêmio em
Porto Alegre ou para o Corinthians em São Paulo seja motivo de orgulho e nem
que haja motivo para conformismo diante das circunstâncias que antecederam a
partida de ontem, envolvendo o afastamento de cinco jogadores importantes, em
nível de titularidade, e a crise extracampo deflagrada a partir dessa medida.
Tampouco acho que o futebol apresentado nos primeiros quarenta e cinco minutos
sejam motivo para orgulho ou parâmetro para qualquer coisa. Todavia, bem ou
mal, o Flamengo equilibrou taticamente uma partida contra um adversário que,
ontem, era superior em níveis técnico (valores individuais), tático e até
físico. Chegou até a ser superior.
Veio o
intervalo e Roger, treinador do Grêmio, fez uma substituição e adiantou a
marcação, pressionando a saída de bola do Flamengo. Ainda que o Grêmio
estivesse desfalcado de seus volantes e por isso sua saída de bola estivesse
debilitada, penso que a defesa do Flamengo, a terceira pior do campeonato com
quarenta e seis gols sofridos, não poderia ser exposta aos contra-ataques como
fatalmente ocorreu pela opção feita por Oswaldo. É claro que o gol poderia ter
saído independentemente disso, eis que, reconheçamos, o adversário, como a
diferença entre as duas campanhas mostra claramente, era muito superior, tanto
mais com o Flamengo completamente desfigurado dentro de campo. Ainda assim, o
treinador, com todo o respeito, desafiou insanamente as evidências e o retrospecto
do sistema defensivo, tornando mais favorável o contexto para o triunfo
adversário que, desde antes da partida, era o resultado mais esperado por
[email protected], mas até então não se mostrava viável e nem próximo de acontecer.
***
17
(dezessete) derrotas em uma edição de campeonato brasileiro. No Twitter,
chamaram a atenção para o relevante detalhe que mais duas derrotas e o Flamengo
terá perdido um turno inteiro de campeonato. De que adiante nunca ter sido
rebaixado e passar por tanto vexame? De que adianta pleitear o poder de dirigir
um clube por três anos se não se combate as causas do fracasso?
Quando
Albert Einstein disse que insanidade é persistir fazendo o mesmo e esperar
resultados diferentes, certamente não estava pensando no Departamento de Futebol
do Flamengo, mas poderia perfeitamente ter sido o caso, quem sabe em um
insight, uma premonição? [email protected], o Flamengo, nas últimas duas décadas, tem sido
um verdadeiro produtor de “Bondes da Stella”. Sequer é preciso puxar
pela memória. Basta lembrarmos que nossos três últimos títulos mais importantes
foram produzidos em contextos de absoluta excepcionalidade, como não nos deixam
mentir os respectivos treinadores, que estão longe de serem profissionais de
ponta no mercado futebolístico nacional.
A propósito,
há quanto tempo o Flamengo não tem um treinador “de ponta”? Será que
poderíamos esperar algo diferente nesse triênio, com nada menos que OITO
treinadores, a maioria deles oscilando entre os estagiários, os simplesmente
medícores e os ultrapassados? Será que o Departamento de Futebol poderia
apresentar algo digno com tantas mudanças na preparação física em tão curtos
espaços de tempo? Seria possível ter atletas em sua melhor forma física com o
Departamento Médico em rota de colisão com ao menos uma das comissões técnicas
mais longevas do período? Como tudo isso pode funcionar sem coordenação? A
propósito, e as trocas de diretor executivo? E o planejamento para a competição
mais importante, incluindo as principais contratações, sendo feito no meio da temporada,
com ela já em curso?
É
insano imaginar que isso poderia dar certo, que não repetiria o mesmo quadro do
passado tão defenestrado. Como poderia ser diferente se as causas estavam todas
lá? A realidade estapeia impiedosamente a cara dos dirigentes que assumiram a
missão de transformar o Flamengo; o problema é que também o faz em relação a
toda a torcida, por sinal a maior do mundo, que sofre como se estivesse em uma
prova de resistência a insultos e sofrimento extremos.
O
Flamengo não é mais o mesmo clube da primeira metade da década de 80 há três
décadas, ou seja, 30 (trinta) anos. É insano tratar a realidade de outra forma.
A reversão da decadência crescente, que cada vez mais transforma o Mais Querido
em um clube que se acostuma a perder e ser humilhado, não se dará nem com as
bravatas coléricas e eufóricas de um lado e nem tampouco com a placidez
complacente, omissa e conivente do outro (sequer preciso mencionar a corrente
que prega pura e simplesmente o retorno ao passado recente..). Não se dará com
a pura e simples delegação do Departamento de Futebol a uma pessoa, pouco
importando o currículo, e nem com sua administração a distância por quem
detenha o poder de fato no clube.
O
futebol precisa ser prioridade de fato no Flamengo, o efetivo centro das
atenções. É insano imaginar que os resultados virão com o futebol relegado a
segundo plano e sem um mínimo de rumo e estabilidade. Nenhum jogador respeitará
a história, a camisa, a torcida ou mesmo os dirigentes percebendo que, apesar
de receberem em dia, trabalharão em uma estrutura sem comando, rumo, critérios
e liderança. Mais ainda se constatam que a Diretoria, de forma quixotesca,
enfrenta o sistema sem um plano que se possa qualificar como minimamente digno,
e que seu esforço em campo pode ser inútil diante do desnorteio do setor no
qual trabalham e de arbitragens tendenciosas.
O
futebol do Flamengo, hoje, até por ser a última preocupação dos envolvidos, é o
resto dos escombros de guerra insana motivada por ambição e poder. Uma enorme
decepção para [email protected] @s [email protected] que confiaram nas pessoas que, há três anos
atrás, pediram apoio para mudar o curso da história rubro-negra.
***
Eu não
poderia encerrar esse texto sem falar de Paolo Guerrero e sua ridícula expulsão
de ontem. Vejam bem, desde os primeiros minutos de jogo ressaltei que o árbitro
parecia estar determinado a marcar aquelas “faltinhas” que irritam o
jogador, de modo a provocar o seu terceiro cartão amarelo, isso especificamente
em relação a Guerrero, eis que, quanto ao restante dos vinte e um jogadores em
campo, criteriosamente (certo ou errado) deixou o jogo seguir, com ambos os
times baixando o sarrafo em determinadas situações.
Não
são novidade para @s [email protected] do Buteco as minhas críticas à Diretoria por
decidir enfrentar o sistema sem um planejamento adequado, que deveria envolver,
por exemplo, uma melhor preparação em níveis técnico (conhecimento das regras
do esporte) e psicológico dos jogadores para a pressão que fatalmente adviria,
como de fato vem advindo, da arbitragem. Logicamente, isso se aplica também à
maior estrela da companhia, que apanha feito um condenado dentro de campo e é
vitimado pelas inversões de falta as mais canalhas e descaradas.
Outra
coisa é um jogador de nível internacional cair nas provocações mais bestas
possíveis e se permitir ser envolvido em situações de seguidas advertências por
reclamações e agora expulsão de campo, especialmente dado o grau de
responsabilidade que lhe foi confiado e, diga-se de passagem, aceito ao assinar
o contrato. Primeiro porque Guerrero é muito bem pago, e pontualmente, para
suportar essa pressão; segundo, porque, e por favor perdoem o meu
“francês”, a seleção peruana é uma baita de uma porcaria e ele já
deveria estar acostumado a jogar em times desse nível (como é o atual time do
Flamengo) e ter a responsabilidade de resolver sem ficar histérico dentro de
campo, ainda que se tenha que considerar as diferenças de tradição e peso entre
as camisas.
Bom
dia e SRN a [email protected]
Gustavo
Brasília

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