sexta-feira, setembro 25, 2020
Início Notícias Era craque, virou escravo.

Era craque, virou escravo.

Renato
Maurício Prado – Por que Ronaldinho ainda não encerrou a carreira, evitando os
micos que tem pagado, desde que voltou ao Brasil, salvando-se apenas em raras e
fugazes ocasiões, como um curto espaço de tempo no Flamengo (onde seu ápice fui
na histórica partida, vencida pelo rubro-negro, na Vila Belmiro: 5 a 4, de
virada, sobre o Santos de Neymar, igualmente em noite encantada) e a conquista
da Libertadores, pelo Atlético Mineiro (notadamente na primeira fase, já que
depois foi se apagando e deixando o protagonismo para outros, como o goleiro
Victor)?

É cada
vez mais nítido o desânimo do Gaúcho com as obrigações profissionais do
futebol. E cada dia maior o seu apetite por festas e baladas que se estendem
por dois dias ou mais, em sua própria mansão, ou em iates e clubes privados.
Multimilionário (possivelmente, biliardário), o Dentuço não precisa mais nem
pensar em trabalhar, seja no que for. Muito menos, jogando bola
profissionalmente. Por que insiste, então?
A
resposta tornou-se pública e evidente em entrevista dada por seu irmão e
empresário, Assis (ex-jogador de relativo sucesso), à repórter Camila Mattoso,
da “Folha de S. Paulo”, que a publicou na última quinta-feira. Reproduz os
trechos mais reveladores.
Começam
pela manchete, extraída de uma de suas declarações:
“Não
há nenhuma chance de Ronaldinho parar”.
Já deu
pra sentir o drama, não? Mas a coisa é pior. Vamos lá. Em determinado momento,
a jornalista quer saber se a ida para o time mexicano do Querétaro, atrapalhou
sua forma. Resposta enfática:
— A
passagem dele no México foi muito boa. Conseguiu ajudar a levar o clube para
uma final do campeonato mexicano, o que jamais tinha acontecido. Ele nunca foi
tão amado como lá.
Vamos
à realidade. Ronaldinho foi uma decepção para o Querétaro e seus torcedores,
que esperavam muito mais dele. Ficou na reserva em vários jogos (inclusive na
final contra o Santos Laguna, quando entrou só aos 15 minutos do segundo tempo)
e em nove meses, atuou apenas em 32 oportunidades, marcou oito gols (a maioria
de pênalti ou de falta). Finalizando: rescindiu o contrato antes do término.
Sucesso? Só se for na cabeça do Assis…
Aliás,
a realidade paralela na qual parece viver o empresário do outrora duas vezes
melhor do mundo é novamente notada na sua análise sobre a passagem do irmão
pelo Flu (um fiasco colossal):
— Foi
uma experiência maravilhosa. O clube cumpriu com tudo, o atleta também (!?!?).
Infelizmente as coisas não saíram da forma que o Ronaldo pretendia. Não deu a
liga que se queria. Não está rolando, é melhor parar. Nada de negativo ficou.
Após
várias outras afirmações delirantes, (“Ronaldo é abençoado por Deus,
privilegiado, nunca teve uma lesão grave, quando está focado as coisas
acontecem. Não falta em nenhum momento dedicação nem empenho”), Assis se
irritou com uma pergunta que se impunha diante das maravilhas pintadas:
— Ele
está cuidando do corpo, como deveria?
— Não
sei o que tu estás querendo insinuar. É uma besteira isso. Os caras ficam
ouvindo histórias que não sabem se é verdade. Ele concentra e treina com o
time. Onde está a falta de cuidado? Ele faz a mesma coisa que todos os atletas
(fora de campo). Por que é o Ronaldinho, não pode?
Em
suma: enrolou, enrolou e não respondeu ao que lhe foi perguntado, até com
elegância. E as baladas, os cigarros, a bebida, as noites sem dormir etc. Todo
mundo faz o mesmo? Pois, sim…
A
verdade é que Ronaldinho Gaúcho não sente mais nenhum prazer em ser um
profissional de futebol. Seu canto de cisne, no início, no Atlético Mineiro,
foi o sacrifício final, para tentar apagar a péssima impressão deixada na sua
saída do Flamengo. Mas lá mesmo em Minas, após a Libertadores, a coisa já
desandara, a ponto de Levir Culpi erguer as mãos para os céus, quando ele saiu
para o Querétaro.
Ronaldinho
só não parou porque seu irmão não deixa — quer continuar faturando com ele até
a última gota possível de suor. Por ganância, porque o Gaúcho não precisa de
nem mais um tostão para viver nababescamente até o final dos seus dias e o seu
irmão/empresário, certamente, também já amealhou fortuna invejável (ainda que
bem menor do que a do caçula).
Basta
ver as entrevistas de um e de outro para perceber a completa ascendência que o
mais velho tem sobre o mais novo. E enquanto “seu mestre” não mandar (ou
deixar), o Dentuço continuará a bancar o mico de circo, mundo afora. Ao que
tudo indica, a próxima vítima será um clube americano. Depois, quem sabe, a
Ásia? E ainda há o Uzbequistão…
Pobre
menino rico…

MAIS LIDOS

Conmebol nega pedido do Fla para inscrever mais dez atletas na Libertadores

O Flamengo sofre com o surto de contaminação pelo novo coronavírus instalado no clube. 16 jogadores pegaram Covid-19 nos últimos dias e a equipe...

Jair Ventura pede atacante do Flamengo pagando 100% do salário

O Flamengo possui um dos times mais qualificados do futebol sul-americano. Com tamanha qualidade técnica, é certo que muitos jovens atletas não terão a...

Cada um pensando em seu próprio umbigo

Muito do que tem acontecido nas últimas horas no futebol brasileiro serve para reforçar algo que já é histórico em relação a nossos dirigentes:...

Dirigente espera poder contar com atletas infectados na quarta

O Flamengo está passando por um surto de covid-19 em seu elenco. Ao todo, são 23 casos, inclusive entre comissão técnica e dirigentes. O...