Estádios erguidos para a Copa não têm grande média de público.

CORREIO
BRAZILIENSE
: “Vamos criar uma nova estrutura para o futebol brasileiro.”
A cada
discurso na preparação para a Copa do Mundo de 2014, diziam que seria esse o
grande legado esportivo do Brasil. A promessa foi feita exatamente com essas
palavras pelo ex-ministro do Esporte Aldo Rebelo, em 2012. Nada mal, afinal não
haveria “um centavo de dinheiro público nos estádios”, como jurava Orlando
Silva.
As 12
arenas, porém, custaram R$ 8,7 bilhões; 82% disso foi pago com verbas públicas
ou por meio de incentivos fiscais.

exatamente 1.000 dias, em 23 de junho de 2014, enquanto o epíteto “Copa das
Copas” começava a engrenar, o Mané Garrincha recebia o maior público do Mundial
entre as partidas fora do Maracanã. Aqueles 69.112 torcedores em Brasil 4 x 1
Camarões ainda representam o melhor resultado de Brasília numa partida de
futebol profissional.
Após a
festa, o Distrito Federal tinha um potencial elefante branco em mãos. Cuiabá,
Manaus e Natal também. Mas, 1.000 dias depois, o conceito se aplica para
qualquer sede, em diferentes escalas. Afinal, como encher um estádio?
A
estrutura do Arthur Goldthorpe Stadium, campo do Glossop North End, time da
oitava divisão inglesa, para 1.350 torcedores (209 sentados) foi erguida em
1955 e exige um investimento mínimo para manutenção.
Na
temporada passada, a equipe britânica teve média de 390 pagantes nos jogos em
casa — número ligeiramente maior do que os 381 do Cuiabá na última Série D do
Campeonato Brasileiro. A diferença é que o time da capital mato-grossense manda
seus jogos num monstrengo de 38 mil metros cúbicos de concreto. A Arena
Pantanal custou R$ 646 milhões e até hoje não está 100% concluída.
A
construção de tantos estádios caros para a Copa foi incapaz de impulsionar a
presença do público, segundo levantamento inédito do Correio Braziliense em 148
campeonatos de 75 países. Foram analisadas as médias de torcida pagante de
2.956 times de todos os continentes na temporada passada. Há apenas três
brasileiros no top 100: Palmeiras (56º), Corinthians (74º) e Internacional
(96º).

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Surpreendente?
Não para os especialistas em administração esportiva ouvidos pela reportagem.
“Má
gestão gera maus resultados”, resume o consultor Amir Somoggi, autor de
centenas de estudos sobre finanças e marketing de clubes brasileiros na última
década.
“O
Maracanã está nesse drama; o estádio do Corinthians gera dinheiro, mas deixa o
clube endividado; o do Grêmio nem gera dinheiro. Todas as análises levam ao
mesmo ponto: falta de conhecimento de quem está gerindo.”
No
autodenominado país do futebol, 90% dos brasileiros não costumam ir a jogos de
futebol.
“Não
existe uma abordagem de comunicação para levar público à arquibancada”, critica
Somoggi. Sem enfrentar a resistência cultural, o torcedor aceitou as ideias de
ver o Maracanã fechado por três meses e de pagar meio salário mínimo pelo
ingresso de uma partida importante.
Assim,
é raro que os novos estádios consigam preencher ao menos metade dos assentos.
“Os
grandes patrocinadores não têm interesse em estádio lotado. É mais interessante
que as pessoas fiquem em casa, sedentárias, vendo propagandas e sendo
direcionadas ao que dá recurso para manter um monopólio”, avalia Paulo Henrique
Azevêdo, coordenador do Laboratório de Pesquisa sobre Gestão do Esporte
(Gesporte) da Universidade de Brasília (UnB).
O preço do Brasileirão
Que
tal pagar R$ 102 por um jogo da 37ª rodada da Série A?
Em
2016, um ingresso para assistir a um jogo da Série A do Campeonato Brasileiro
custou, em média, R$ 35,41. O valor só não é mais proibitivo graças aos preços
praticados por Chapecoense, Figueirense, Ponte Preta, Santa Cruz, Sport e
Vitória — o tíquete médio do sexteto ficou abaixo dos R$ 20 durante toda a
competição.
Entre
os times mais tradicionais do país, a conta é bem mais salgada. O jogo do título
do Palmeiras, contra a Chapecoense, teve bilhetes até a R$ 400, o que rendeu um
ingresso médio de R$ 102. O Fla-Flu em Natal chegou a R$ 85.
Realidade
diferente é vivida na Índia, onde o preço baixo rege o público alto.
Vice-campeão da última Indian Super League (ISL), o Kerala Blasters teve os
sete jogos mais cheios da competição, com média de 48.897 torcedores no Estádio
Jawaharlal Nehru. Os números do torneio caíram em relação a 2015, mas os da
“armada amarela” aumentaram.
O
carnê mais caro para as sete partidas do Kerala na primeira fase da ISL saía a
500 rúpias, o equivalente a R$ 24.
“É uma
alegria ver os torcedores em Cochim celebrarem o futebol. A forma como apoiam o
time, mesmo com uma derrota de cortar o coração, mostra a ligação forte que eles
estabeleceram com os Blasters”, diz Nita Ambani, cofundadora da liga indiana.
Os
ingressos populares, comuns longe daqui, passam longe das grandes arenas
brasileiras.
“Eu
posso não ter dinheiro para comprar um Rolex, mas sei que ele vale o que estão pedindo.
Será que na cabeça de algum dirigente brasileiro há a mensagem de que aquilo
que recebemos num jogo de futebol é o equivalente ao que pagamos?”, questiona
Azevêdo.
Na
Alemanha, o Nürnberg leva mais de 30 mil pessoas por jogo, mesmo na segunda divisão.
“Temos
um modelo justo de preço para todas as classes sociais, da arquibancada em pé
ao assento VIP. Também oferecemos promoções frequentemente a grupos de crianças
ou adolescentes”, explica a porta-voz do time, Luana Valentini. Os ingressos
avulsos partem de 9 euros, o equivalente a R$ 30, mas saem ainda mais baratos
no carnê para a temporada.
À moda oriental
No
ranking mundial de média de público, todos os times brasileiros ficam atrás de
ao menos um japonês, um iraniano e três chineses.
O meia
brasileiro Léo Pimenta, de carreira extensa na Ásia, viveu cinco anos no Irã —
o Persepolis, equipe mais popular do país, tem a 20ª média de público do
planeta.
“É uma
coisa de louco. A torcida iraniana é muito mais apaixonada do que a
brasileira”, avalia, após ter passado cinco anos por lá. As restrições
islâmicas moldam a forma de torcer. “Por causa do regime, a violência não
existe, a segurança é muito rígida. Eles também não podem ficar xingando”,
conta.
Com o
futebol impulsionado por um programa estatal, a China aposta ingressos baratos
e presença maciça dos clubes em Baidu, Weibo e Wechat, as redes sociais mais
utilizadas do país.
“O
investimento em mídia social para engajar os fãs é muito alto. A maioria dos
times também organiza encontros regularmente para trazê-los para mais perto”,
relata Zhang Tingting, gerente de desenvolvimento de negócios da Yutang Sports,
maior companhia de marketing esportivo da China.
A era
de domínio do hexacampeão Guangzhou Evergrande, primeiro gigante do país,
parece por um fio. E isso é bom para a competição.
“A
disputa entre times chineses tem ficado cada vez acirrada, o que atrai mais
espectadores. Assim, a mídia chinesa tem produzido muito conteúdo a respeito do
campeonato”, completa Tingting. A China tem cinco representantes entre os 100
times com maior presença de público no mundo.
A
experiência pós-Copa, ainda falha no Brasil, vingou no Japão.
“Depois
do Mundial de 2002, nossa média de público apresenta uma curva de crescimento.
Antes, nunca tínhamos ultrapassado os 27 mil. Agora, nunca ficamos abaixo dos
34 mil, com um pico de 47 mil em 2008”, expõe Hiroaki Matsumoto, chefe de
relações públicas do Urawa Red Diamonds, o 48º do mundo quando o assunto é
arquibancada.
Os
Diamonds jogam no Saitama 2002, estádio com capacidade para 63 mil torcedores.
A média de 37 mil por jogo não é comemorada pelo clube.
“A
presença de público é a maior preocupação do nosso marketing, sentimos que podemos
melhorar. Nem em jogos de grande apelo conseguimos lotar o estádio, apesar de a
média ser a melhor do país”, analisa o dirigente. O clube japonês tem números
maiores do que Botafogo, Fluminense e Vasco. Somados.

Por: FlaHoje

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