Estou muito velho pra isso.

Por: Fla hoje

República
Paz e Amor – Vocês podem imaginar o ânimo da pessoa para escrever o que quer
que seja, depois de mais uma atuação à altura do bravo Olaria ou do esquecido
Campo Grande.

Para
me aborrecer menos bastaria repetir o post da semana passada, com destaque para
o curto parágrafo em que escrevi que “quando a quarta-feira nos dá uma leve
animada, lá vem o domingo para nos devolver à realidade”. Mas prefiro voltar
quatro meses no tempo e recuperar um trecho do post aqui publicado em 2 de
março, sob o título “Magnanimidade”, que diz o seguinte: “Nosso time tem que
estar sempre batendo no limite das possibilidades. Ser muitíssimo bem treinado
e escalado, condicionamento físico nos trinques, seriedade, concentração,
pegada e aproveitamento das oportunidades.”
Alguém
tem percebido sequer a sombra de uma dessas qualidades na mulambada que tem
entrado em campo vestida de vermelho e preto? Eu, não.
O
Corinthians talvez seja o time mais organizado do futebol brasileiro. Por
favor: como estou me referindo ao time, e não ao clube, que ninguém venha,
neste pós-três a zero, me falar de dívidas, salários atrasados, incógnita em
relação ao futuro. Prefiro pensar no que acontece com a bola rolando. Goleiro
seguro, defesa atenta, passes corretos, dribles surpreendentes, jogadas bem
construídas, chutes de efeito, gols bacanas. Foi isso o que me fez gostar tanto
assim do diabo desse jogo, e não composições de chapas, nomes de presidentes ou
excelência administrativa.
Retomando.
Com seu padrão de jogo rigidamente definido, o Corinthians se habituou a levar
poucos gols e, não por acaso, tem a defesa menos vazada do atual campeonato. No
estágio em que estamos, só conseguiríamos alguma coisa contra o Corinthians se
não errássemos nada. Quanta ingenuidade a minha.
Na
caixa de comentários aqui do blog, constantemente surgem reclamações contra os
erros individuais que vêm prejudicando nosso time. Não há como discordar, mas
cabe aí a devida contextualização, em que pese sua obviedade. Monta-se um
grande time de futebol quando se consegue reunir e organizar um razoável número
de talentos individuais. Qualidade sem organização forma um bando estéril;
organização sem qualidade é capaz de formar um time esforçado e difícil de ser
batido, mas, ainda assim, será algo distante de um grande time. Para o Flamengo
2015, o pior dos mundos: nem uma coisa, nem outra.
Claro
está que, num elenco limitado feito o nosso, não poder escalar Guerrero e
Emerson – dois caras com um estilo de jogo que intimida e preocupa o adversário
– é um complicador brutal. Ou alguém acredita que algum time brasileiro receie
enfrentar o Gabriel?
(Parêntese
rápido: todos concordamos quanto à importância de Adriano na conquista do
Brasileirão de 2009. No entanto, tivemos que entrar algumas vezes sem o
Imperador e nem por isso deixamos de obter os necessários pontos para chegar ao
título. Sem recorrer ao luxuoso auxílio do google, lembro que Adriano não
estava em campo em nossas vitórias sobre o São Paulo, 2 x 1 no Maraca, e
Corinthians, 2×0 em Campinas. Dependência existe, mas há limite.)
Guerrero
e Emerson têm qualidade, vontade e experiência para deixar o Flamengo com uma
das melhores duplas de ataque do futebol brasileiro. Mas isto será de pouca
serventia se dali para trás não estivermos minimamente organizados. Todo mundo
viu que Everton errou feio e por indesculpável excesso de confiança no primeiro
gol, mas pra que temos dois volantes se nenhum deles se posiciona de modo a
interceptar um contra-ataque adversário?
Nossos
jogadores cometem falhas individuais primárias porque estão longe da qualidade
que julgam ter, mas o erro no terceiro gol do Corinthians escapa a qualquer entendimento
do que possa ser um time de futebol: houve uma bola dividida entre o zagueiro
rubro-negro Wallace e o volante rubro-negro Jonas – a repetição da palavra
“rubro-negro” é proposital, para escancarar o absurdo. A memória tem me dado
uns dribles de vez em quando, mas não me lembro de ter visto nada parecido.
Triste.
Tenho
um amigo palmeirense que, no início do ano e diante de alguns insucessos
causados por um elenco totalmente reformulado, costumava dizer que só voltaria
a falar de futebol em dezembro. O Palmeiras está se acertando, as coisas
começam a acontecer e tudo indica que, no final de 2015, meu amigo palmeirense
não se envergonhará de falar de futebol.
Estou
pensando em utilizar a mesma tática, mas gostaria que me dessem uma data. 2018?
2020? 2025? Como diria Danny Glover, na pele do detetive Roger Murtaugh de
Máquina Mortífera, estou muito velho para essa merda.
Jorge Murtinho

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