domingo, setembro 20, 2020
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Estudo: Maracanã só é rentável com, ao menos, 25 mil pessoas.

Foto: Divulgação

ESTADÃO:
Além do Flamengo, o Fluminense também pretende utilizar o Maracanã na reta
final do Campeonato Brasileiro. Os dois clubes possuem contrato de uso com a
concessionária que administra o estádio, mas para jogarem até o fim do ano foi
costurado um acordo diferente. Nele, os clubes alugam o estádio por um valor
fixo e ficam responsáveis por toda a operação da partida. Pode parecer um bom
negócio, mas isso só se torna realidade se as arquibancadas receberem um grande
número de torcedores.

O
Fluminense vai utilizar o jogo contra o Vitória, na próxima sexta-feira, como
teste. Se for rentável, deverá mandar os dois últimos jogos que terá em casa no
Maracanã; se não for, seguirá atuando no estádio Giulite Coutinho, em Mesquita,
na Baixada Fluminense. Pelos cálculos de quem conhece a operação do Maracanã,
mandar o jogo no estádio só se torna rentável aos clubes se o público for de
pelo menos 25 mil pessoas.
A
falta de rentabilidade é a causa de a concessionária que administra a arena
querer se desfazer do negócio. Em três anos, o Consórcio Maracanã acumulou um
prejuízo de R$ 173 milhões, motivado por uma mudança no escopo do contrato.
Originalmente, ele previa a demolição do Parque Aquático Julio Delamare, do
estádio de atletismo Célio de Barros e da Escola Municipal Friedenreich, todos
no entorno do Maracanã.
Nos
locais seriam construídos bares, restaurante, dois estacionamentos e um
heliponto. Mas, após protestos, o governo do Rio de Janeiro manteve as
instalações. Assim, o lucro que se previa com as áreas externas ao Maracanã não
tiveram como se confirmar. Sobrou apenas a operação do estádio.
Representantes
do próprio governo estadual admitiram em mais de uma oportunidade que o acordo
precisava ser revisto, mas as negociações não evoluíram. Sem conseguir alterar
o contrato, em junho, o Consórcio Maracanã – formando pela Odebrecht e pela
norte-americana AEG – encaminhou ofício à Casa Civil do Estado informando
interesse em devolver a concessão. Sem obter resposta, na terça-feira passada a
concessionária entrou com pedido de arbitragem para resolver esse impasse.
Por
contrato, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) é a encarregada em decidir o litígio.
A decisão é definitiva e não pode ser questionada na Justiça. A previsão,
contudo, é de que a sentença só seja dada no próximo ano.
Paralelo
a isso, a FGV também está conduzindo, desde setembro, um estudo para que o
governo do Rio de Janeiro lance uma nova licitação para a administração do
Maracanã. O processo todo dificilmente irá se encerrar antes de março de 2017.
Enquanto
isso, o Consórcio Maracanã continua como administrador do estádio – a gestão
está com o Comitê Rio-2016 até o próximo dia 30 -, e como tal negocia cada jogo
diretamente com Flamengo e Fluminense.

“Em linhas gerais, os novos
contratos permitem que os clubes sejam responsáveis por itens como bilheteria,
controle de acesso, segurança e limpeza. A contrapartida será o pagamento de um
valor estabelecido para que a concessionária possa honrar com as suas
obrigações de manutenção do estádio”, informou, em nota, o Consórcio
Maracanã.

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