terça-feira, setembro 29, 2020
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Éticas particulares.

Foto: Reprodução

REPÚBLICA PAZ E AMOR: Ateus costumam dizer que o Fla-Flu precede o Gênesis, o que além de
se uma afirmação blasfema é sabidamente inverídica. O Fla-Flu é bem mais
antigo. Mas existem alguns Fla-Flus especiais que conseguem romper a prisão
temporal dos 90 minutos regulamentares e não acabam nunca mais. Se tornam
eternos. O das Bolas na Lagoa em 1940, o 5×0 da despedida do Zico, o do gol de
barriga (consignado em clamoroso offside), são apenas alguns deles. O Fla-Flu
#404, da rodada 30 do Brasileiro, já provou que é também um desses Fla-Flus
atemporais que jamais vão acabar.

Não
vai acabar pela polêmica, por causa da importância do resultado para a
classificação do campeonato, pelo divertido, e ao mesmo tempo embaraçosamente
jeca, mafuá que se instalou no gramado durante os 13 minutos de intervalo
tropicalista que o quarteto de arbitragem precisou para decidir se naquele
quadrilátero relvado valia ou não valia gol roubado. Mas também não vai acabar
porque o Fla-Flu #404 colocou diante de todo país uma questão ética da maior
importância: até onde se pode descumprir uma lei para que a justiça seja feita?
Não
estou de sacanagem, é uma questão que vale tanto para determinar se é justo
utilizar o tira-teima para dirimir bate-bocas futebolísticos quanto para saber
se o direito constitucional dos cidadãos brasileiros à ampla defesa pode ser
temporariamente limitado para atender a demandas específicas de algum dos três
poderes da república.
Desprezemos
os aspectos circunstanciais do charivari em Volta Redonda, é desnecessário
ficar discutindo se foi gol ou não foi. Até o presidente do Fluminense, passado
o ataque de pelanca coletivo, sabe que o jogo acabou, não será anulado e nem
jogado outra vez. Perderam de 2 a 1 e pra elas agora o foco é a Sula. O jogo
acabou, qualquer dúvida consultem a súmula. Aliás, Súmula do Fla-Flu, de Sandro
Meira Ricci, já está concorrendo ao Prêmio Jabuti 2016 na categoria ficção.
Mas
porque então o Fluminense persiste no faniquito, convocando coletivas e
ameaçando invocar a Lei Maria da Penha em sua defesa? É óbvio que o Fluminense
aproveita a oportunidade de ter sobre si os holofotes e as atenções da mídia
habitualmente voltados para o Flamengo para marcar uma posição política e
sublinhar o seu conceito muito particular de ética esportiva. Costumo dizer
para as minhas meninas que o Fluminense é um infalível parâmetro de moral e
ética desportiva. Para ser um bom esportista basta fazer exatamente o contrário
do que eles fazem ou pregam.
Onde é
que já se viu, eu tava em casa trabalhando e um presidente playboy me aparece
no Jornal Nacional, falando em nome do Fluminense, choramingando em um registro
muito agudo porque não validaram um gol ilegal a favor do seu time? Onde é que
nós estamos? Quase chamei o Elizeu Drummond, da Telerj, pra colocar as coisas
em uma perspectiva mais realista. Era pro Bonner ter feito um disclaimer e
mandado tirar todas as crianças do Brasil da sala. Principalmente os jovens
tricolores, com quem me solidarizo. O presidente do Fluminense escondeu por
trás da cortina de fumaça “Interferência Externa” o seu real objetivo. Que é
garantir o direito de ter seus gols irregulares validados sempre que forem
capazes de enganar a arbitragem.
E
mais, lutam pelo direito de quando o roubo der certo não serem denunciados
mesmo que seus delitos tenham sido registrados pelas câmeras de TV. O
presidente do Fluminense pugna publicamente por um salvo conduto para roubar.
Sobre pagar a porra das Séries B que estão no pendura nem uma palavra. Ética
não se discute, cada um tem a sua e quem sou eu pra contestar a de quem quer
que seja. Mas isso é apenas o mais dramático fim de comédia que já presenciei.
É por essas e por outras que dizem que o Fluminense não tem maturidade moral
pra jogar na Série A.
E
parece que não é só o Flor. A pegada do Mengão Monstro Que Saiu da Jaula está
aloprando a arcoíris todinha. Os porcos também sentiram a pressão, reclamaram
que a barba malfeita do Mengão estava irritando a pele delicada de suas nucas e
lançaram mão do patético recurso criado pelo seu noiado treinador, o Chororô
Preventivo. Foi um recibo grandiloquente, o presidente dos caras, outro playba
de cabelos brancos, convocou coletiva e, com cara de brabo, fez bravatas e
insinuações difamatórias, encerrando o showzinho com ameaças veladas de massivo
ataque de perereca caso as coisas não se desenrolem de acordo com seu
planejamento. Ui, que meda.
O
Flamengo não pode perder seu precioso tempo respondendo a dois caras que dão
toda a pinta de nunca terem brincado num playground ou numa pracinha na vida.
Temos muito o que fazer e o tempo é limitado para unir a Nação, protagonizar o
campeonato, quebrar recordes de renda, público e audiência, embasbacar a
crítica especializada, doutrinar os adversários e ainda dar lições de moral e
retidão administrativa aos pequenos e médios do país. Ufa, tá puxado! Por hora
vamos nos concentrar no jogo com os Sem-Drenagem no domingo, lá no Uruguay del
Norte. Tudo indica que o jogo não vai ser um pic-nic. Mas já estamos
acostumados a operar no perrengue mode.
Deixa
nego chorar, a questão ética está colocada. Um gol ilegal deve ser validado,
mesmo que o bandeira tenha apontado a irregularidade, só porque o juiz
incialmente sucumbiu à pressão dos jogadores? Ou porque alguém do lado de fora viu
pela TV que tava geral impedido? Fulano deve ser preso mesmo que não existam
provas conclusivas ou que ainda não tenham se esgotados todos os recursos
cabíveis? Dá pra fazer justiça descumprindo a lei? Juízes e árbitros tem
compromisso com a verdade dos fatos, com a letra da lei, com a opinião pública
ou com seus erros pregressos?
Se
você perceber a encruzilhada moral a qual essas questões nos conduzirão, vai
entender perfeitamente porque certos Fla-Flus não acabam jamais. Tinha que ter
Fla-Flu toda semana. É, indiscutivelmente, o maior clássico interdivisional do
planeta. Se eles querem roubar, que roubem. Nós é que não vamos ficar chorando,
não lhes daremos esse gostinho e the zueira never ends. Já dizia o sábio Duque
de Veneza, no Othello de Shakespeare: O roubado que sorri rouba algo do ladrão.
Mengão
Sempre
ARTHUR
MUHLENBERG

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