terça-feira, setembro 22, 2020
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Eu, torcedor do Flamengo.

REPÚBLICA
PAZ E AMOR – Eu acredito que nós perdemos para o Coritiba porque o jogo foi em
Brasília. Para o Atlético Mineiro, porque Alan Patrick atrasou o pênalti nas
mãos do goleiro Victor. Para o Vasco, porque não temos feito outra coisa a não
ser perder para o Vasco. Para o Figueirense, porque Canteros escorregou. Para o
Inter, porque o chute de Guerrero bateu na trave.

Fiquei
ridiculamente feliz por termos perdido só de um a zero para o Corinthians.
Trabalhei o feriadão inteiro e não vi o jogo com o Grêmio (gravei, mas seria
pedir demais). Entretanto, e como tenho portado, desde o início do ano, uma
bela bola vermelha na ponta do nariz, creio piamente que a derrota só aconteceu
porque fulano tropeçou, ou porque sicrano perdeu um gol feito, ou porque um dos
nossos foi expulso injustamente.
Eu e a
torcida do Flamengo já nos acostumamos a encontrar desculpas esfarrapadas para
esconder o único e cristalino fato de que, mais de doze meses depois de
garantir nossa permanência na primeira divisão – em 2014 houve um frenesi
devidamente valorizado por Luxemburgo a respeito da possibilidade de queda para
a série B –, não temos nada que se assemelhe a um time de futebol. Somos uma
vergonha.
Jogamos
para a plateia na punição aos cinco festeiros, talvez para criar um factoide
que empurre para baixo do tapete a absurda constatação de que somamos o maior
número de derrotas do campeonato – dezessete –, na companhia de Goiás,
Joinville e Vasco. Três clubes que, caso a competição se encerrasse hoje,
estariam rebaixados. Ou a de que, com exceção do Santos, com quem ainda não
jogamos no segundo turno e para quem provavelmente perderemos, dependendo do
interesse que eles tiverem na partida, fomos derrotados por todos os grandes
clubes que participam do Campeonato Brasileiro. Saco de pancadas. Fábrica de
vexames.
Enquanto
escrevia esse despretensioso texto, me veio à cabeça um dos primeiros filmes de
Woody Allen, a comédia O Dorminhoco, em que o personagem principal é congelado
e acorda duzentos anos depois, para encontrar uma realidade totalmente
diferente daquela em que vivia.
Lembrar
de O Dorminhoco foi bom alento, por causa do tal futuro em que seremos lindos,
inteligentes, maravilhosos, formidáveis e imbatíveis. (Em recente matéria
publicada no site da revista Exame, o presidente Eduardo Bandeira de Mello
declarou que, de 2017 a 2021, o Flamengo espera conquistar quatro campeonatos
estaduais, cinco títulos nacionais e uma Libertadores.)
Por
favor, congelem-me. E me acordem daqui a 425 dias.
Jorge
Murtinho

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