domingo, setembro 20, 2020
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Ex-craques criticam Ronaldinho, mas Vampeta o defende.

Folha
de São Paulo – A falta de comprometimento com a vida de jogador profissional e
de dedicação nos treinos foram os principais motivos para a queda de produção
de Ronaldinho, 35, que anunciou sua saída do Fluminense na noite da última
segunda-feira (28), após menos de três meses no clube. Assim pensam
ex-jogadores da seleção brasileira ouvidos pela Folha.
“Acho
que no caso do Ronaldinho acabou o prazer de se sacrificar no
treinamento”, afirmou o ex-lateral esquerdo e meia Júnior, que disputou as
Copas de 1982 e 1986 pela seleção brasileira.
“Para
jogar, você precisa treinar. Você precisa levar uma vida condizente com aquilo
que você vai fazer. E, pelo o que a gente vê, a vida que ele está levando não é
condizente com a de um jogador profissional. Isso não é de agora, já faz
bastante tempo”, disse o ex-jogador, que hoje trabalha como comentarista
da Rede Globo.
A
opinião é similar à do ex-zagueiro Oscar, companheiro de Júnior nas Copas de
1982 e 1986 e que também disputou o Mundial de 1978.
“A
impressão que dá é que ele está jogando ‘por esporte’, não mais como
profissional”, afirmou o ex-jogador, que é proprietário de um Resort em
Águas de Lindóia, no interior de São Paulo.
“Se
ele quisesse jogar mais tempo, ele até jogaria. Mas tem que ter mais dedicação.
Não vivo diariamente com ele, mas é lógico que para você jogar mais tempo você
tem que viver mais de perto o dia a dia do clube”, completou.
Em
entrevista à Folha publicada nesta quinta (1º), o empresário e irmão de
Ronaldinho, Roberto Assis, negou que falte foco ou comprometimento do atleta
para ser um jogador profissional.
Para
ele, existe uma cobrança exagerada sobre seu irmão pelo sucesso que Ronaldinho
teve ao longo da carreira e pelo seu talento.
A
opinião do empresário é similar à do ex-volante Vampeta, companheiro de
Ronaldinho na conquista do pentacampeonato mundial, em 2002. Para ele, falta
respeito com a história do camisa 10.
“A
gente poderia ter um pouco mais de respeito com ele. Ser duas vezes o melhor no
mundo naquilo que ele faz… Mas o pessoal não entende dessa forma. Tanto a
imprensa, como o torcedor. Se eu fosse o Ronaldinho, daria uma coletiva e
falaria: ‘obrigado por tudo, mas não jogo mais no Brasil'”, afirma o
ex-jogador, hoje presidente do Grêmio Osasco Audax e do Audax Rio.
“Às
vezes fico vendo ele na televisão, no banco do Fluminense, treinando
separado… Um cara que não precisa de mais nada, que foi duas vezes o melhor
do mundo, sendo desrespeitado”, diz.
APOSENTADORIA
Após a
saída repentina de Ronaldinho do Fluminense, chegou-se a cogitar que o jogador
poderia anunciar o fim de sua carreira, o que Assis nega que vá acontecer no
momento. Ronaldinho tem propostas do futebol chinês e dos EUA.
A ida
para times de menores e em mercados com pouca expressão no futebol, no entanto,
é um indicativo claro de que a carreira do jogador está perto do fim.
Vampeta
conta que decidiu parar de jogar quando começou a atuar por times menores, sem
chance de ganhar novos títulos.
“Você
já não consegue mais jogar a mesma coisa que todo mundo acha que você jogava.
Já não tem mais objetivo de conquista. Já foi campeão de tudo e a cobrança é a
mesma. Já estava com 34 para 35 anos e falei: ‘pra mim, chega'”, afirmou o
ex-atleta, que se aposentou em 2008, quando jogava pelo Juventus.
A
falta de objetivos também foi o que levou o lateral Júnior a decidir encerrar
sua carreira. Ele contou que voltou ao futebol brasileiro em 1989, aos 35 anos,
com a ideia de realizar o sonho do filho de vê-lo jogando no Maracanã e se
aposentar. No entanto, com a conquista dos títulos da Copa do Brasil de 1990,
do Estadual do Rio de 1991 e do Brasileiro de 1992, pelo Flamengo, acabou
adiando a aposentadoria e mirando a Copa do Mundo de 1994.
“Quando
chegou 1992 e o Zagallo falou que não iria ter ninguém com 40 anos no
meio-campo da seleção, eu não tinha mais objetivo de continuar jogando. Joguei
a Libertadores de 1993 a pedido do Flamengo e resolvi parar”, conta.
No
caso de Oscar, a transição para a vida fora dos campos de futebol foi mais
natural. Aos 34 anos, ele jogava no futebol japonês e recebeu convite da sua
equipe, o Nissan Motors, para assumir o cargo de treinador.
“Foi
uma transição fácil. Já conhecia o ambiente, já conhecia os jogadores. Já tinha
disputado Copa do Mundo, não ia voltar a jogar no Brasil. Acabei aceitando e
foi muito tranquilo”, afirmou.
No
entanto, ele entende que para muitos atletas a saída da profissão não é tão
fácil.
“Se
você continua no meio do futebol, você não sente tanta falta. Acho que a
dificuldade maior é quando você para e vai fazer outra atividade, que não é
relacionada ao esporte”, diz.
“Quando
você para de jogar, as portas se fecham. Quando você está jogando elas estão
escancaradas, mas quando você para de ser protagonista, independentemente do
nível que você jogou, elas se fecham. Se você está pensando em parar, precisa
pensar nisso também”, ponderou Júnior.

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